domingo, 13 de maio de 2012

SERAFINS - wikcionario dicionario wik dicionario etimo etimologia verbete lexicografia lexico enciclopedia glossario

Um clavicórdio


Sempre amei os anjos
em bandos tomando banhos de banjos
na música que remexe os cabelos fartos
sedosos e em bandós
em harmônicas ondulações
para mover ventos em moinhos de ventos a la Van Gogh...:
Os arcanjos marmanjos com arranjos de coração para clavicórdio
  com dedos de querubins
e serafins que se queimam
na fogueira da inquisição espanhola
com uma paixão grega
trágica!

Essa hipótese ( hipófise) angélica

incide em subsunção no fato
pois enquanto a hipótese de incidência é ato
ou pensamento humano
confinado no universo do ato mental
em modo de imaginação
ou de raciocínio lógico
formal
sem conteúdo ou matéria
o ato de subsumir-se no fato
 traz o arcanjo à baila
o qual então baila
e se queima em paixão
até achar a acha em brasa
do querubim grávido de amor
que se apaga pouco e pouco
ao sopro de oboé do músico eólico
o qual reacende a brasa da paixão de Eros e Vênus
dentro de um coração partido
mas paradoxalmente unido
pelo paroxismo do amor
( A paixão é uma apoplexia
obsoleta
Risoleta?!... )

Esse ato que vai da hipótese incidente
ao fato na qual se subsume
parte do cosmos em abstrato
ou do estético postulado pelo imaginário
se torna concreto no universo
empós a natividade
de uma criança
- o sempre menino
- menino Jesus sempre-vivo
tipo a sempre-viva! ( Helichrysum bracteatum )
em renôvo
vergônteas e primavera
acariciada na graça e graças às garras das gavinhas
que são  Íncubos e Súcubos
no vir-a-ser do virar do dia
a pastorear o verde na campina do violinista verde-garrafa
paramentado para o culto eclesial
eclesiástico
do homem...:
Druidas?!

Amo as crianças

mormente as minhas
- aquelas em cujo álveo
à montante e à jusante
derramei meu sangue
vermelho para a fuga na distância das galáxias chiantes
em meus ouvidos em conchas
buzinando na areia branca de teia de aranha e vida enredada
na herdade do senhor do aspargo ( Asparagus officinalis )
em gado verdejante nas crucíferas
crucificadas na cruz amarela do sol
pintado a dedo de menino Miró
tocando de oitiva
um violino de um violinista ouvido na caixa de ressonância do cereal
cálice de Ceres
senhora da cereja
da cerveja
da cerejeira
do cerebelo
- de Cérbero!

Sempre-vivo
amei os arcanjos
aqueles querubins pintados no caju
em nuances nas folhas
rescaldos na flor
e no odor exalado
no desenho que torce
retorce ( quase tosse! )
 e toma a estrututa do cajueiro
abrinho braços em abraços
de nadador sereno e velas na calmaria
no amplexo semi-abstrato trato com o espaço próximo
prócero
- como um próximo de Jesus
bonachão resiliente silente
ancho em mansidão
simples e pleno
até no tom cru dos matizes da mata virgem...
onde deita e rumoreja o arroio
até o arroz
- o arrozal
em aranzel aquífero

Sem ambargo do espargo

não me apaixona o fauno
a puberdade em pelos
em ânsia sexual
lúbrico
transbordando luxúria
lascívia
apetites
de fera
a fêmea em cio
besta exalando feromônio

( Inobstante

digo em digressão
que a única rainha de infância
que eu tinha até então
antes das maravilhas de  outras meninas
foi raptada mercê da leitura do burro de Goya
que interpretou o livro de lei
como exegeta inepto
e mau-caráter manifesto
- mais deficiente visual
que toda a imagem da Justiça
de olhos herméticos
infensos aos milagres de Cristo )
ou do Xisto betuminoso
ou argiloso
porém não ardiloso
na lousa

A paixão de minha filha

no coro do ditirambo da tragédia grega antiga
fez-me compreender o "pathos"
que havia na filosofia trágica de Nietzsche
- sofrimento vital
com perspectiva filosafante
dor no coração com estalo de alcaparra )

A cladística leva à idade do teatro
onde todos somos coagidos a ser ator
atriz imperatriz meretriz menestrel
merencórios atrabiliários fuscos enfarados capiongos
Tempo enfeixado e tecido com seda para vestir o corpo do adulto
frustrado vestido pelo desgraça
sem amor paixão à vista sexo alegria
excepto na farsa
que leva a leva de prisioneiros e prisioneiras à igreja
ao bar à sexualidade venal
ao amor boçal dos lupanares
à carga dos muares
abaixo da lua pintalgada de restos de abóbora
sob abóbada negra ou blandindo o branco
retinindo ao sol da manhã com pantufas de lã caprina
ovina
como se fora um gládio mole
olhando a mole
aonde vai o sol
bater o raio refletido de um alfange
à mão do monge
leigo e simbólico
dervixe
andrajoso

Por fim o tempo vem

tangendo o som no oboé elegíaco
da senectude
roufenha
mouca
louca
que humilha o ser humano
com os esgares da demência
as máscaras da bruxa e do palhaço
de nariz longo
adunco
e vermelho-pimentão
- até rebaixá-lo
abaixo do abacaxi
do ananás
e das evas daninhas
que acabam cobrindo a cabeça
com novo chapéu
- chapéu de cova rasa
a pisar o bestunto do ancião
calvície em cãs
sem can-can
sem o amor álacre do can-can!
- álacre no campo de alecrim
do alecrim-do-campo ( Baccharis dracunculifolia )
- do alecrim que fica em pé
observando a queda do homem
- o único anjo decaído
para sempre na folha do outono amarelo
- de uma flor amarela
gravada e pintada na elegia
de Goya na Quinta do Surdo
sem caprichos
com os carrapichos
a vicejar por caminhos de infinitas águas
- morto! :
emaranhado em seus signos 
em pergaminho enrolado
coberto de signos
qual a aranha morta 
em sua teia alva 
envolta
( A teia da aranha 
é um envoltório 
do corpo morto do aracnídeo
Artrópode  )

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ADENINAS - etimologia etimo wikcionario etimo etimologia lexicografia verbete glossario biologia genetica



Obedeci às crianças
- sempre obedeci prontamente às ordens das crianças! :
 Sou da Ordem Hermética das crianças abertas ao universo
Descosmia

Todavia
ignorei (  sempre que pude! ) às ordens
desordens
e "ordenanças" dos adultos
mormente dos reis
donos de suas leis
suas Ordenação Afonsinas
Filipinas
Manuelinas
guaninas
citosinas
adeninas
e timinas
( intimistas?!
- e intimidativas! :
Do timo )

Descri dos velhos degenerados
decrépitos
incréus
ímpios
abjetos...
das megeras desgrenhadas-Medusas ( horrendas! : Górgonas )
verdadeiras expressões do opróbrio
que macula  olhar mais límpido
e senti uma piedade monolítica pelos jovens
porém com um quê de desprezo
resquício de escárnio
pelos púberes...
pelos deuses e deusas
na puberdade!:
tempo do fauno

Fiz aquilo que me pareceu correto
- obedeci às crianças!
Fiz tudo o que elas quiseram
ou me mandaram fazer
Deixei o mundo pronto
para elas reinarem
sem oposição
ou dissidência

Escarneci da vida ordenada dos adultos
que não passam de condenados às galés
( Foram todos eles lançados ao famigerado rol dos condenados! )

Jamais vi com bons olhos
os atos dos adolescentes
perdidos no meio do caminho
entre a infância
e os pelos pubianos

No que tange o banjo aos adultos
esses vão
quando já em idade provecta
bêbados pelo metade do caminho de Dante
que Drummond reescreveu
num bilhete
que dizem ser poesia
ou epistolar a postular 
alguma poesia lírica
ou lúdica
lúbrica para lupanar...
com lira partida ao meio do coração
 em delírio de lírio amarelo
- delíquio nos genes alelos para amarela cor
quase delito
de deletério delator
deliquescente

Obediência às crianças
foi meu lema
tema
- mas não trema!
porque a magia da poesia
está quase toda
nas crianças
e nos enamorados

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ARANZEL - dicionario wik dicionario wikcionario onomastico onomastica filosofio etimologico enciclopedico juridico cientifico enciclopedia

Aranha da espécie Brachypelma auratum.
O sol aberto em teia branca de aranha
incidindo sobre o discurso verde da erva
que sobe na sebe
mesclada à grade
sobre a muralha
- teia alva
com tear natural
da aranha
espalhada
pela liana
na sebe
ali sebosa
( sebo de aranha e sebe
é de sete vezes sete
proporções
ou por porções
ou poções
de bruxa escaldada )

Sol branco da manhã
com vento a galope
no cavalo baio
em folha amarela de erva
que sobe à sebe
junto ao marrom mortuário
de outras folhas e caule
algo lenhoso

O sol aberto em teia branca de aranha
incidindo sobre o discurso verde da erva
teia alva
de aranha
espalhada
pela liana
na sebe

Sol branco da manhã
com vento a galope
no cavalo baio
em folha amarela de erva
que sobe à sebe
junto ao marrom mortuário
de outras folhas e caule
algo lenhoso

Sol artrópode
cheio de tentáculos
qual aranha
entremeada
e vista
avistada
em teia branca
alvejante
alvejado
em discurso brando
na sintaxe verde da erva
que dana
- daninha
porém bem bonina
para terra maninha

E uma nuvem branca
logo a frente
da aranha esbranquiçada
que é o sol
faz o olhar pensar
que o sol é uma aranha cruzeira
um aracnídeo
e eu um homem
com olho na teia da aranha solar
debatendo-se na armadilha
no aranzel da aranha
com teia e manha
tamanha

terça-feira, 17 de abril de 2012

SATRAPIA - glossario dicionario glossario wikcionario lexicografia etimologia terminologia nomenclatura jargão jergão


O que se sabe
não se ensina
porque não se sabe
o que sabe
o homem

O que se sabe?! :
- sabre!
Sabe a sabre
o homem de sabre em punho :
este o saber a sabre
pois o homem sabe a sabre


O que se sabe
sabe-se de sabre
sabe-se do sabre
- sabe-o o homem
empunhando o sabre
belicamente
esportivamente
furtivamente
lucidamente
retórico...:
em guerra semiológica

O que se sabe
sabre
ó Sabrina...
Sabina!
- Sabre
sabe
a rapto das Sabinas
Do repto...

Do sabre
sabe-se muito
e fundo em sal
salmoura
sanar
o que é sã
ou malsã
indo do santo
ao santarrão
do sábio
ao sabichão
com os salmos
e o salmista
a salmodiar
com a boca
a harpa
saltério
cítara...:
O homem
este
saltimbanco

O homem que sabe
sabe apenas
do sabre do sábio
do sabá
do salitre deitado no deserto de Atacama
( o Gigante de Atacama! )
Salar de Atacama
com flamingos flamejantes
qual quadro de Salvador Dali
ali presente em pintura que sobe ao céu
e desce às dunas...
e há gêiseres
canyons
algaroba ( "Prosopis juliflora")
algaravia...

do deserto de Omã
- do deserto em Omã :
um convite à solidão
e à solitude
em tudo que é atitude
quitute
e quibe
( quiabos! )

O sábio não sabe o que sabe
- sabe o que é sabre
sabe a sabre :
Sápido
insípido
sapiente
sapiência
sapiencial
sapo
sapato...
- gato e sapato:
gato-sapato!
..e pato-no-pé :
palmípede!
- pé ante pé
pé que pede palma...:
Palmar!

O homem sabe a sábio
sabe a sabre
sabe a mar :
a mar e amar
Amar a forma
- a forma redonda
arrendondada
rotunda
da mulher!
ao amar o mar
na maré
o amar a mar
na ré da maré
no dó em preamar...:
amar!
Amar
muito amar!
ainda que seja

e vagabundo
pervagando
de bar em bar
no bar-bar do bárbaro
sob o efeito do etanol!...

Amar é muito de mar
Vai de mar a mar
vem de mar a mar
até maré

Amar o mar
na ré remada da maré
que a circunferência desenha
na areia da face
e da fuligem

O amor é um brado do mar :
preamar
me amar
te amar


Mar que sabe a mar
- sabe amar
é mar de Omã
Ó mar!...
que sabe a sabre
a mar e sangue
amar no sangue
derramando tragédia
a mando de Omar
Omã!...
Oh! deserto de Omã
- deserto de amar!
em Omã
no Enclave de Madha
Enclave de Nahwa
Península Arábica
Estreito de Ormuz
Golfo Pérsico...
Ó mar
de amar
o mar
até matar
e deixar morrer
em golfadas de sangue
que aquecem o Golfo de Omã
o mar Arábico
onde está Mascate
no sultanato de Omã
antiga Satrapia do Império Persa

A mar não é assim?!:
- uma concha na mão
da mulher que se ama
no momento do amor
em torvelinho inebriante
redemoinho
roda moinho de vento
na teia da lua branca de nuvem
- alva de nuvem
no céu pelo azul pensante
- pensativo
meditativo
que roda olho-pião
de menino
eterno
terno
ermo
na ermida
no ermitério
da economia social
cultural
etnocêntrica
antropocêntrica
concêntrica...

Amar é solidão compartilhada
na gávea
com uma gaivota de emoção
entalada na garganta
A contemplar
com olhos d'água
sal e sol
o que parece infinito
a mar perdido
plagas e plagas
ilhas e ilhas
céus e mar
a amar
com todo o mar
em ondas e pelicanos
- tudo no amplexo
do homem e da mulher
que estão plenos
no momento da paixão
- no instante que perdura
o amor
que pára
o rodopio
e o pio
da ave
com frio
e fio
de neve
na penugem
nas rêmiges
feitas ao feitio do remo
que remo
- e Rômulo!

( A economia do conhecimento e sabedoria do ser humano enquanto indivíduo e ser inserido numa sociedade e cultura que o contextualiza, ou escraviza, na maioria dos casos e vezes, ou seja, o ser humano enquanto centauro mítico em si firmado, constituído, assim como o é o direito, uma mera ficção dos povos, que transcende e ignora a realidade, o mesmo se dando com a filosofia e a ciência em seus fundamentos, não permite que o indivíduo, enquanto ser bipartido em sociedade ou reunido com outros indivíduos assim "centaurizados", ensine aos demais ou á comunidade o seu conhecimento e a sua sabedoria individual, que o grupo prefere ignorar e deixar em segredo, registrada apenas na história ( nos escritos que a posteridade lerá e revelará ou desvelará do segredo a que está segregado todo ser humano individual enquanto membro de um grupo social-cultural-econômico, sempre hierarquizado e proibitivo ao indivíduo no seu "santo dos santos", no qual somente podem penetrar os sacerdotes crédulos ou senão os mais interesses, os que guardam seus interesses antes dos interesses do grupo maior. esses interesses concernem e trazem privilégios aos grupos seletos, minoritários, minorias dominantes, que dominam ou são senhores pelo saber e conhecimentos que ocultam da maioria lesada nos seus direitos fictícios, que sempre serão, destarte, fictícios, pois esses fictício do direito da maioria é o real do direito das minorias sobrelevadas ao cume do poder ou de algum tipo de poder , como é o caso, por acaso, das elites sociais, políticas, econômicas, que constroem o mundo com as normas que pervagam em todos os contextos sociais, que suja a ciência ou outra atividade humana de menor importância e vulto.
Aquilo que o indivíduo mais sabe e conhece de sua vivência pessoal, apanhado e suas circunstâncias ( no seus circo-círculo-circuito de ação vital e não apenas mental, racional ou emocional, que está impregnado pelo perfume contextual escravizante da cultura e das cercanias telúricas ou geoantropopolítica), esse saber-conhecer vital-circunstante o indivíduo é coagido a guardar a sete chaves para si e passar apenas por meio da história que vaza de seus escritos e que quando lidos, num futuro fático, imaginário, fictício, contextual, já estará ilegível graças ao caruncho e às traças contextuais-conceituais que devoram esse escrevinhar literário ou lido sob outros olhos, com outras células do tempo e do destino.
Portanto, mercê deste contexto explanado supra, ninguém, nenhum indivíduo, exceto por meio das instituições que o calam ou o amordaçam ( a ciência, religião, empresas, direito e outras fábricas e matrizes do silencio social-socializante ), pode falar livremente e ensinar livremente o que mais sabe e conhece; ao contrário, do que está escrito em ouro, bordado em ouro frasal na ficção que é o direito e toda a ciência, ao individuo é facultado ensinar apenas o que ele menos sabe e conhece ou conhece pouco porque aprendeu de outrem, de outros indivíduos enclavados entre as paredes de instituições poderosas, como as universidades, que o emparedam e empalam de inúmeras formas : metafóricas e alegóricas, antes que ele, indivíduo, ouse afrontar as verdades constituídas fictamente pelo direito dos doutos e das empresas que tem interesses comerciais na fala do pobre "mestre" ou "doutor", ambos personagens do teatro na comédia da arte italiana posta em atos sociais diuturnamente, afim de que sobrevivam milionárias as grandes corporações e se calem para silencia os inocentes palhaços no palco e no "front" aonde foram enviados para morrer heroicamente e falar apenas por bufões, representando o douto e o sábio, que não são, em podem ser, porquanto se o fossem não aceitariam a postura dos parlapatões, enclavados nos válidos poderes, que o direito, ficticiamente, pois o direito é mera ficção da realidade em atos e fatos, só considera em três poderes ( sempre podres e dentro de odres eivados de mambas negras pronas para morder e matar Cleópatras temporárias ou temporais ou de têmpera, temperamento, temperamental e dióxida. ).
Quem ensina ou escreve livros e tratados sobre economia continua pobre e ganha apena o dinheiro que colheu com os livros sobre economia, pois nada ou pouco sabe e conhece sobre economia, exceto a linguagem, no qual é "expert"; porém nada sabe da realidade economia e suas nuances, seus meandros, seus mercados negros e brancos, etc. Quem sabe e conhecer economia e mercado é o rico, o milionário e o bilionário; todavia, estes não escrevem livros para guiar o concorrente; antes, se os escrevem, é para vender e ganhar dinheiro graças à sua fama e prestígio adicional que a fortuna traz e para levar os concorrentes que o possam ler a caírem no abismo ou à bancarrota, pois concorrente bom é concorrente falido.
Aliás, os concorrentes não os lêem, pois sabem que que conhece economia não passa esses saber e conhecer, mesmo porque existem muitas falcatruas e fraudes que torcem a ficção de interlúdio do direito e que são inconfessáveis ao público romântico e ingenuo, crédulos que pensam que alguém vai os levar á mina de ouro descoberta duras penas ou aos caminhos tortuosos que levam à riqueza "das Nações", de Adam Smith, um Adão na economia, enquanto obra arraigada no princípio da razão suficiente. Um motim contra a estultície reinante ( o rei cabe sempre todo tolo na fábula do filósofo cínico : nu em pelo real, pelagem animal, mas pensando estar vestido regiamente, majestaticamente, mormente aos olhos dos cortesãos e outros bajuladores, os quais ganham a vida com a lisonja, ó Menipo, quanta Menipéia grassa solta sem asa de corvo, gralha! : pombo sem asa!...após o tiro e queda livre no espaço anageométrico do anjo decaído no mito trágico de Nietzsche, o filósofo trágico, que percebeu na arte da tragédia um "pathos" filosófico como nunca dantes ocorreu aos pré-socráticos, nem mesmo a Heráclito, o Obscuro).
Aprendemos com os charlatães, porquanto são eles quem sustem a sociedade; as pessoas inteligentes de fato são tão raras quanto o conhecimento e a sabedoria : em 99% das pessoas encontramos 1% apenas de seres humanos inteligentes; os demais são bichos de fábulas inventadas por filósofos e poetas procurando motivos para rir dos papalvos. Contudo, quem são tratados zoologicamente são aqueles que possuem ou ostentam alto quociente intelectual em meio á bicharada furibunda e invejosa, senhores de seus sete pecados capitais e coisas tais e quais.
A sociedade é feita para atender aos estúpidos e inválidos e crucificar os Cristos, que sabem a sabre o modo de reverter a invalidez ; no entanto, jamais, Cristo algum, logrou banir da face da terra a estupidez, que é a pior e, quiça´, única invalidez permanente e prejudicial. Não que todas as pessoas, sem excepção, nem mesmo dos excepcionais, para cima e para baixo, não sejam todas, individualmente, muito inteligentes, mas sim que a estupidez é um filtro para a inteligencia. Só isso, nessa simplicidade assim tão humanamente, demasiadamente humana, ao gosto de Nietzsche, filósofo, filólogo de gênio e estro poético. Rapsodo passarinheiro.)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MARLIN - dicionario onomastico wikcionario wik dicionario onomastico juridico cientifico filosofico enciclopedico etimologico terminologico


O amor é impossível
Tal qual o direito
só pode ser posto enquanto direito positivo
- em lei
no mundo
dos fatos
cantados-contados
nos dois racionais
ou duas razões :
uma que versa sobre a qualidade
- para palavra e conceito
que faz a filosofia ( ontologia, feonomenologia...)
e outra versátil sobre a quantidade
que faz contar-cantar a razão matemática
( que este é o universo
que nos chega
em fenômenos )

O amor só pode ser ( e inexistir )
sob leis pesadas
graves
- sob o teto da gravidade estelar de Newton
e na tocata e fuga em gravame magno de violoncelo
com violoncelista posto em contraponto desesperado!
- contrapondo-se
com toda a dor!
( a dor física e moral
com toda a força da vida
e da morte!
Ai! que o amor
é uma paixão sempre jovem!, juvenil
Velhos não amam
porquanto o amor não é paixão senil
- anciãs com cãs ( sem dançar cancan )
aguardam a morte piedosa
- essa outra hora dolorosa
com o rosário de Nossa Senhora das Dores do mundo
no coração dos homens
e das mulheres viúvas que sofrem tanto
que é um espanto!
- para além da paixão e do espanto
contido em toda a filosofia trágica grega
cantada na cantata da tragédia! )

O amor ou o direito
estão fora das relações sociais
alijados da existência
Não é objeto de sociologia
que é uma das linguagens
que assume a ciência protéica
( do deus proteus)
porque somente pode ser estudado
enquanto ente
ou objeto fenomênico
mas não enquanto ser
na ontologia
cujo objeto
é inexistente
assim como a teologia
que estuda o ser
que é um fenômeno
fora dos fenômenos naturais
- é mero fenômeno mental
ou fenomenologia desenhada em conceitos filosóficos
geométricos
no ser do triângulo
e outras figuras geométricas
ou no ser supremo
- sempre o inexistente ser
o sem-objecto real
não-fático
porque o ser
- não é objetivável
apenas subjetivável
( o fenômeno do ser
faz o ser do humano
no barro adâmico da fenomelogia
ou no processo fenomenológico
que estuda a ontologia
ou filosofia que adota o estudo do não-ser
ou não-objeto
que o ser e o não-ser
é o mesmo objeto do nada
- o nada mental
o único a existir-inexistindo )
O ser é um mistério
que intrigava o grego antigo
pois não está posto fora
no ente que aparece
porém oculto no ser-em-si
que não vem de cambulhada
impresso no fenômeno
mas somente é cuspido em frases
pelo pensamento
que o aliena assim
a cusparadas na escarradeira
( que o amor e o direito
na existência
é um estar fora da idealidade
- Já esteve dentro
da realidade?! )
a sujar-se nas relações
enxovalhar-se
conspurcar-se com o outro
torna-se impuro
como a água fora da química
entre os sais minerais
mesclada a sais
que a integram na relação com a terra
- a qual a leva em grandes levas
longes plagas do enunciado químico
- simplório enunciado na fórmula do H2O
o qual enuncia um ente mais próximo do ser químico
algo quase ou meio-imaginário ( algo centauro )
- mais próximo de uma realização mental
ao abstrair infindos enlaces inevitáveis
que de qualquer realidade comum
trivial
banal )

O amor como o direito
não é passível de realidade
nem realização
porquanto sua essência está na idealidade
Exime-se de relação

O amor
na sequência cantada da existência
perde a ideia
ao inflar a forma geométrica
num corpo de matéria
social e anatômica
- e atômica
antes de tudo
e de mais nada

Quando em essência
o amor excede à utopia
derrama o idílio
na água do rio
na mágoa do estio
- estival...
Entorna o ideal platônico
nos iluministas
nos neoplatônicos
nos enciclopedistas
em Marx...
pelos pelos pubianos dos poetas românticos
( de Cuba ou não )
- Jesus!...
em Jesus
na cruz
das crucíferas
anti-dolorosas plantas rastejantes
- ao rás do chão

Amor nem na Acácia
unha-de-gato ( "Acacia bonariensis")
nem em Cássia ( "Cinnamonum cassia" )
- calhandra
a qual calha
cantar
mas não amar
- o mar que de tanto amar
foi a mar..
oceano
nada pacífico
- nem onde nada o marlin
em mim
dentro de mim
- que sou marlin
e mar vermelho
escarlate oceano
aonde late
o meu coração carmesim
- assim latindo em latim
de marlin
não por mim...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

CORCOVA - lexicografia lexico wikcionario wik dicionario lexicografia semantema semantica verbete glossario etimo etimologia terminologia nomenclatura


A dança (arte cênica, flamenco, flamenca bailarina ) tem o escopo de demonstrar a saúde em plenitude, o que significa : sexo a ofertar em plenitude, tonicidade, beleza, capacidade de gerar prazer e prole, enfim, uma proeza corporal ( física e mental ) que denota vida, no mais alto escalão físico-químico-elétrico- magnético. A arte da dança ( arte cenográfica) tem por finalidade demonstrar a façanha de um herói ou heroína física e metafísica, consoante e sem consonância com a palavra num dos compiladores de Aristóteles, que moldou o vocábulo e o carregou de um sentido sem tradição originária no estagirita. As cantoras-dançarinas populares fazem bem esse ritmo saúde-vida-sexual-plena-ativa ao dançar freneticamente, de forma sensual, voluptuosas como uma serpente sinuosa ou um rio insinuando-se ou serpenteando pelos cânions ( "Grand Canyon", desfiladeiro ou canhão-fluvio-cársico ), rochosas montanhas, dos Apalaches aos montes-santos, às raninas, estepes... mar negro, Jônico, Mediterrâneo...
A dança ( russa em Stravinsky, flamenca na Espanha com castanholas! ), portanto, em seus modos, pode ser : cênica, erótica, ritual, cerimonial, histórica, religiosa, competitiva, esportiva, escocesa, dança latina, teatrais, irlandesa, jazz, lírica ( poesia), profética, social, etc., tendo, cada uma dessas, ou daqueles olvidados ( dados ao olvido em não-violino para ossos ( martelo ( não das bruxas!) bigorna e estribo : deus-não-ouve e põe no olvido à razão "preclara", no feminino-metafórico-alegórico ) , não-oboé para sopro de arcanjo nas narinas, ou para constituir-se em sistema olfativa : deus-cheira e não-houve pelo ar que aspira, mas sim pelo vento que sopra com a batida em ondas que se desenham no ar em dança senoidal ), seu objeto e arte ( Balé clássico, sapateado, dança acro.. afro e samba, bolero, tango, valsa, flamenco...: o flameco que retrata a turbulência à época da inquisição; a dança e música flamenca que escreveu vários "poemas trágicos", na fumaça da fogueira da inquisição espanhola, com torturas severas para mouros, ciganos e judeus. Quiçá, isso esteja na dramaticidade do canto e dança flamenca : alma da tragédia, pós-Grécia antiga, mas em festa ( "bulería", bulerias), um pós-tragédia ou tempo trágico, abordado na filosofia de Nietzsche, que era outro "violinista ao telhado", no azul aberto por Chagall durante a Segunda Guerra Mundial : um anil respirado pelo violinista azul, que Nietzsche também o era, ainda que sem o saber e, com suas teorias, alimentando o nazismo em sua megalomania ). Há um resquício ou rescaldo de dor no flamenco: dança e música dramática, com guitarra e castanholas.
A dança ( de São Guido! (São Vito ou "do-ença" ( semiologia, semiótica para médicos)? : coreografia viva, no mal (diabo, demônio! de Parkinson?) ) tem sua normas ( gramaticais, matemática, jurídicas, tácitas ou geografadas, geoglifadas no corpo e nas vestes para o corpo e adjacências para obra de coreógrafo: coreografia).Existem normas para todo tipo de dança e elas nascem do anseio popular ou erudito, dentro de uma norma, que a torna racional, como tudo o que provem do ser humano. Mesmo os ditos irracionalistas, a exemplo de Nietzsche, são, por ironia, racionais, radicados na razão.São agrupados tecnicamente, por uma questão de entendimento do pensamento ou da orientação da "razão", entre os irracionalistas ( irados! : iracundos) , porém não entre os irracionais, baixo o Cão Maior e Menor a rutilar.
Aliás, o filósofo ( Nietzsche, Aristóteles, Platão ), principalmente, não é outra coisa que racionalista, por menos que o pareça. O objeto ( direito, indireto, de estudo ) que "estuda" ou põe em desnudo, na linguagem da ciência, o método e modo como encara e encarece tal objeto e usa finalidade é que o faz levar a pecha de irracionalista; isso se faz também com o fito de dividir os tipos de filósofos ou o contexto de seu pensamento ( contexto interno e externo ao filósofo, o qual externa o contexto interno em sua obra, que é sua biografia intelectual).
As danças populares são mais simples, de uma singeleza tocante, sua gramática ( norma ou princípios da razão que a informam e formam) são mais singelos, menos elaborados pela razão ao modo de Kant ou Aristóteles, que leva a racionalidade ao cume, ao ápice, à cúpula, avistada no Domo (Duomo), com a cúpula, de "Santa Maria del Fiore", obra de Brunelleschi, o arquiteto italiano, que atingiu a culminância em arquitetura.Ele, o arquiteto , por excelência. ( O termo, léxico, Arquiteto, significa governo de quê? Aliás, a palavra governo é mais ampla em suas raízes do que se imagina!, ou o imagina o vulgo. )
A dança é uma ciência e enquanto ciência, no ato, antes do fato, ou durante o ato ( em-ato) "enfatizado" no fato ( ou no ato de fato.É árduo, tarefa árdua, discorrer sobre o conceito de ser presente-presença em função de ser em virá-ser ou vindo-a-ser, existente-imaginário, na boca e em digestão no tempo e espaço, que é tempo transformado pelos atritos...) é uma em suas inúmeras linguagens, mas se manisfesta em várias linguagens, conquanto seja única em todas as línguas; suas linguagens são adequadas ou se adequam aos objetos que a ciência dá enfoque; eles, com seu desenho ou figura ( geométrica ou não geométrica) molda e é o molde da ciência no objeto : o objeto modela cada linguagem, constrói jargão, jergão, lexicografia própria, terminologia cientifica específica, elabora seus verbetes, seu glossário, busca seu étimo ou funda com neologismos sua etimologia ou léxico. Seu dicionário ( onomástico, linguístico, filosófico, jurídico, enciclopédico, científico ) e sua nomenclatura
( binomial em latim de Lineu ) abastece, provê a língua vernacular e outros idiomas construído para o pensamento e a onomomástica. A dança ( clássica) também é assim; aliás, toda atividade humana é assim ( ou "assado"?_).
Cada objeto requer a construção e um projeto arquitetônico ( de governo da construção ou da mole ) para a ciência a fim de facultar o estudo o objeto, o que depende de uma gramática ou conjunto de normas técnicas, jurídicas, gramaticais, matemáticas, filosóficas, ao mesmo tempo e para por em-ser em-sendo e em-foi-ser-antes, no pretérito agora fictício ou ficção de memória e imaginação, não mais objeto de ciência, ou objeto de ciência e imaginação e memória, não no ser dado, mas no ser em-sendo ou em-foi-ser-de-antanho ( Santo Antão!, me salve! ),no mesmo espaço.
As formas que a ciência assume em módulo ou modo de filosofia são : epistemologia, ontologia, ética, noética, gnoseologia, gnosiologia, etc., consoante o objeto que deforma ( em gravidade ) e dessa "deformação" ou "má formação" ( fetal) "calamitosa", em arte, idealiza o espaço torcido, curvado em corcova.No dromedário?( taxionomia, taxonomia, zoologia, sem taxidermia).
A ciência assume formas as mais diversificadas, consoante soa o verso e o verbo entonado na voz ou à mão desenhando para senóides ( as ondas são senoidais ; o desenho algo geométrico, de uma geometria analítica em parábolas ou parabolar, é senoidal ), que não se ouve, mas se vê no gráfico ( grafoteca (?), grafologia, cartografia...), o odor da "odorata" em olfato, no texto no tato dado pela textura do artista que pinta...; enfim, os modos de ciência, livres da forma da filosofia, no âmbito agora de normas gramaticais, jurídicas, ética, dianóicas, etc, do que, atualmente, se chama de ciência, assume as formas ou modos de : antropologia, psicologia, direito, biologia, entomologia, arqueologia, paleontologia, etc., que, em verdade, são as formas de sues objetos. Tomam, destarte, os nomes de seus objetos, os quais lhe dão o "nous" ou : inteligência.
Inteligencia objetiva e, antes, subjetiva, ao menos no ser humano e, evidentemente, no animal, que não pode prescindir de um interior com cérebro "pensante" ( de um pensar "sentido") para sobreviver.
A vida é uma dança que só para no cadáver ; no moribundo a dança final ocorrre-socorre o ser humano nas vascas da agonia, em rito derradeiro, anunciando, feito anjo de Michelângelo Caravaggio, o nascimento às avessas, que é a morte, ciclo escuro, no escuro do ventre da terra, no retorno à Gaia ( ciência), por onde passa Nietzsche ( para "Além do Bem e do Mal", ou seja, para lá do maniqueísmo simplista ) e todo mundo vai passar, na região da sombra. Passamento.
Prova do que escrevo?! : Começo a dissertar sobre dança e termino com ciência. por quê?: Porque tudo o que o homem faz ou pensa é ciência, em graus, grados, graduação de consciência, inteligencia posta no ato, etc. Se o tema envolvesse religião ou filosofia, ou o que quer que ofereça um objeto virado para o deus ou demônio subjetivo, terminaria do mesmo modo , ou seja, saber : em molde de ciência ou de fazer pensando e pensando fazer ou, ainda, pensando e fazendo e fazendo-pensando. Aliás, Dostoievski faz isso com sua polifonia ou suas idéias polifônicas que desorganizam o caos ( o caótico?!) , que já é o caos, mas ele, com sua arte literária, meslcada ciência, filosofia, religião ou sentimento religioso ( quiçá místico), embaçado com um ateísmo e um deísmo dialético, em perpétua síntese entre tese e antítese..; enfim, em Dostoevski ( Dostoievsky-literatura russa ( Rússia) ) que em polifonia canta em todas as formas e modos da ciência, mas a linguagem não muda de tom ou de forma ( jargão ) ao entrar em relação com o objeto.Ele era, antes de tudo, um artista, um autêntico profeta, um homem pleno de vida e completo...: não fosse adepto fervoroso da dança de São Guido, ou São Vito : a epilepsia, que o vitimava, do qual era vítima.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MURTA - botanica fitologia dicionario wikcionario nomenclatura binomial terminologia cientifica lexicografia verbete glossario vocabulario wikiquote



Ai! que o violino toca
tristemente
num lamento
numa lamentação de Jeremias
lamuriento
a gemer
- um profeta a prantear copiosamente
ao descrever em versos
versículos
a mais funda solidão em mim!
- que uma musa cava na música...
com melodia e ritmo
e harmonia
no lamento do violino
- às mãos hábeis
tácteis ( a tatear sem titubear
- sem titubeio )
do mísero e esquálido violinista
expresso pela arte pictórica
do pintor surrealista
- Marc Chagall
aldeão eterno
em narcose

O violino toca a corda
mas os dedos sou eu
entrando nas dobras das minhas entranhas
em convulsão dolorosa
chorosa
- soluçante...
( sendo as tais entranhas-estranhas
não exótica planta da aldeia de Chagall
não exótico vegetal
mas nativo lá
onde vive o violinista verde
- bêbado que sou eu!
e o violinista azul-Verlaine
outro tanto ou tonto
que também sou eu
inebriado
quando celeste-cerúleo
a alma do céu cintila
sem mão de necromante
a pintar a nuvem de negro-nublado
à maneira ou em "maneirismo" de Giorgio de Chirico
que pinta o branco-cegante-cegonha-( Maria-sem-vergonha!)
e assim vai tocando a solidão
na textura do escuro
e no olhar que espreita
entre edifícios pomposos
mas macabros
- mais macabros e maus
quanto e quando transparentes na alvenaria são
espelham e estão
porquanto na mole daquelas construções
pintadas-arquitetas pelo artista soberbo
até as pedras de cantaria
cantam!
- cantam em cantaria
ao sentir profundamente a solidão
como se pedras fossem homens
descobrindo a sensação de solidão
que é mais vasta e escura
que o betume...
- bitume no bar nublado
em plúmbeo-passeado-pesado no chumbo
pelo céu espelhado n'água da fonte de Narciso
- do Narciso morto
a mirar a obra de cantaria
com olhos vidrados
e ouvidos moucos!
- que rouco e o canto
e o cantochão

A mole do edifício de Giorgio de Chirico
a espiar solene a solitude
no espião que passa
no passo parado do sapato preto
guinchando
a mutuar o olhar
e a solicitar um cabriolé
dos tempos de antanho
das ruas de Londres
onde pairava no ar
o espírito de Sherlock Holmes
a passear de braços dados com o Dr. Watson
de sobretudo
chapéu e lupa pronta
para solucionar mistérios
- casos misteriosos...
fumando charuto
indiferentes à profilaxia
que à época não havia
não assomava do contexto
médico-terapêutico
- boticário?... )

O violino em pranto
choroso
sobre mim
derramando minha solidão
em ouvido ( e em olvido )
em volta da solitude
que espalho
em elipse pelo espaço
tracejando um espaço elipsóide
equacionado
( e colho molho de alho
no olho caolho... )

Porém vi um homem
sentado em solitude
num banco da praça do mercado
- com a solidão pesando sobre ele
toneladas de concreto!
Um túmulo de solidão
era um gravame sobre ele!,
a oprimir-lhe a alma
a achatar-lhe mais o corpo em espaço curvo
- mais que a lei da gravidade universal!
com todo o cérebro pesado de Newton
Em torno do homem
a solidão pervagava
como um frade de ordem mendicante
miserável, misericordioso e famélico
um são-francisco santo
com cisco num olho
e uma trave no outro olho
( Esquerda!, direita!...:
volver!
- ou não vou ver?!...
- com delícia na malícia...)

A solidão espessa
em densidade
enterrava-o em vida
empareda-o vivo!
( Quiçá essa pá de cal-de-solidão dilacerante
- que só de ver ou antever de soslaio
de relance
com o olho a perpassar pela visão periférica
- com olhar oblíquo e dissimulado
de mulher adúltera
ou homem ímpio
incréu do céu
e outro mel
que não o de abelha
- fez-me perceber
que aquele homem solitário
preso de uma angústia insólita
estava a caminho da morte
no derradeiros passos do andar
pois não se passaram
mais de dois meses
após essa visão aterradora
do profeta em peregrinação ( à Meca? )
a olhar e voar com o falcão
peregrino
sobre o ar
e a face da terra
que é a face do homem
porquanto a face do homem é areia
a desmanchar-se pressurosa em água
solvente universal...:
a água que chora e lava
- a lava...: a lava do vulcão
e do vulcanólogo...
cuja face se desfaz
lavada com água mortal
areia que é
juntada e amassada com água
que faz a massa
do corpo vivo
e a decomposição
do corpo morto
desidratado
enxame de vermes
na carne dada aos vermes :
o cadáver

Passado um tempo-tempo
( tempo-em-meses )
daquela visão do solitário
aconteceu-lhe o passamento
- do solitário em solilóquio
assentado no escabelo
sob a pressão da solidão mais grave
que um violoncelo
mais pesada que Gaia
- mas mais aguda que um violino no fino
incontinenti pranto
Veio a ele a morte lúgubre
- sinistra
e ele se foi só
tal qual chegou só
agora ao encontro do escuro
sem olhos para ver
- olhar para não-olhar...
nem tampouco mutuar
ao olhar outro olhar
suplicante
supliciante
- olhar que vai e vem
no dia claro
solar
ensolarado
matinal
vesperal
vespertino
- na vespa em xadrez de preto e branco
a revoar e zumbir
no bater-tambor também com asas membranosas
que doa o que o ritmo soa
na envergadura mínima
de um frade dos mínimos
( A morte o repôs no escuro
no caminho do Livro dos Mortos
pisando signos escritos
e símbolos desenhados
para a cartografia do livro
o qual é um mapa
que leva o morto
a um bom e seguro porto
sob o comando de Anúbis
ou outro ser divino
não-zoológico
nem entomológico
como o escaravelho
outrossim selo real do faraó )

O homem infeliz
era atribulado pelo demônio da paranóia
o sádico e masoquista ( sado-masoquista)
espírito santo ou de santo
que anima com sopro de oboé
o santo louco
que se entoca em tebaidas dentro do ser humano
- um cenobita
um anacoreta
um eremita
um misantropo
um ermitão-barbão
tipo barba-negra ou barba-roxa
( um caranguejo-eremita )
- um ser para retornar ao nada
ao vale escuro
aonde opera a morte
a cegar com a foice
- onde não há necessidade de olhos
ou hospital de olhos
mas apenas o olvido
e as águas do rio Letes
- águas sem química para ligação molecular

A esquizofrenia fremia dentro dele
e o atormentava diuturnamente
Aliás, a demência é legado do ser humano
Uns tem dessas górgonas em abundância
já outros não são tão opulentos
nos dissabores do inferno
- que fica no interior do ser humano
Entretanto todo homem ou mulher
traz dentro de si
o germe da demência em dormência
ou potência
- que num belo dia de sol
vai aflorar
no alecrim nativo
em campo interno
terno

Solitário e em perene monólogo
aquele homem amaro viveu
( ou veio a vegetar à sombra
que o inseto projeta
no mínimo projeto de pétala e sépala
- no menor espaço-tempo botânico de jardim suspenso em flor
com catapulta para projétil balístico
cuja bala-bola é a semente )
com sua solidão temperada
com o molho da psicose
molhada ( assim em rocio sereno
na madrugada galante
vivente na madresilva
ouvida no madrigal
cantata
serenata )
- solidão mesclada com tragédia
e a comédia
que a demência descreve
passo a passo
até os braços do palhaço
onde se vai cair!
- decair
sem asas de anjo algum
apenas com as pernas em decadência
e a apnéia que vem
a dispnéia que vai...:
- vai matar!
( A demência
esse diabo
deixa o homem nu
e abandonado às intempéries
- sem lar ou qualquer abrigo
à própria sorte
- se há sorte
ou sortilégio
nesta empresa
de puro
arisco
risco
do corisco...:
cisco
no olho do céu aberto
do abeto
( "Abies alba") )

Ele era companheiro da Insanidade
e sua casa
- a casa quebrada de um tresloucado
de um insensato
- Sua casa :
a Nau dos Insensatos de Brueguel
a morada do insano
que nem possuía o "dom"
de beber absinto
e perecer com Paul Verlaine
às tontas à beira do abismo
- ou quiçá de Sá ou de Sé
(não sei! - Sei lá! )
abalar-se penhasco abaixo
atrás dos baixios
da várzea
tal qual fez e faz o poeta de alma em punho fechado e em riste
temerário ser humano
que tem a coragem de um menino cândido
a imprudência de um adolescente incauto
ao viver de forma periclitante
para a saúde e o bem-estar
físico e social
em pura dança com o verso
no amplexo da valsa com a poesia
que é a vida mesma
que não precisa ser escrita-descrita em ciência
pois é onisciente a vida
- vegetal no encantamento
de um Paul Verlaine cadente-decadente
à orla de um paul
- com perna-de-pau na saracura
e no palhaço que é :
"ladrão de mulher!"
quando sobre as pernas-de-pau
de uma ou duas não-saracura
( não-saracuras! )

Um pirata em drama cômico
- eis o palhaço!...:
é o que é
e não é um vitupério
nem um império
romano
ou romanesco
conquanto o pensem
os palhaços que não o são
em profissão de fé
- Fé!... )

Quando ele faleceu
( septicemia? )
o violino requereu
um concerto só para violino
- concerto em dó maior para violino solo
num Stradivarius do universo vivo de Paganini
- um Stradivarius tonto
ou vários Stradivarius tontos de sono-de-museu
sonhando com a baqueta
e de ser dedilhado por um virtuose
sagaz
fugaz
como o gás
( como o gás?! :
Etano, metano...
- não,
não como!,
mas cheiro o gás nobre :
hélio molecular
- O sol é basicamente hélio
após a fusão do núcleo do hidrogênio
que é o gênio criador de vida
( o hidrogênio ou gênio criador de água
- engenho de água
mas não mágoa
que é uma má água )
e o hélio
um deus-sol de verdade
este nobre gás,
ó Heliodora
que adora e se odora
- "odorata!" adorada!...:
Flor-de-lis nos campos gerais das minas gerais
gerada depois da fusão do hidrogênio
e a natividade do Hélio
que dá nome ( inteligencia ou "nous" )
ao sol que abriu em qualquer abril
uma manhã com maçã para Newton
O sol ou Hélio
um menino como outro qualquer
- outro menino-Jesus... - de Praga
sem praga
mas das estepes
com abelhas
ainda por cima...
porquanto abelham "andam" por cima
nas cabeças
- sobre as cabeças calvas ou em cãs
cor de lã caprina
- Caprina!,
ó "Cedrela odorata"!
com serenata sob o sereno sereno da madrugada
em madrigal de madresilva
- que não é minha madre! ,
Aglaia odorata,
murta-do-campo...)

Oh! a lamúria
o som lacrimejante
o choro de um violino!...
Ah! um violino!... :
- um sorumbático menino
nas Quatro Estações de Vivaldi
em Tchaikovsky
Mendelson...
( Elegia,
- quão soturna elegia! )