terça-feira, 30 de agosto de 2011

MACROBIOTA ( microbiota bioma filósofo natural naturalista mocho marimbondos )

Tudo o que era
virou cinzas
de um cigarro abandonado por um bêbado
na madrugada da lua amarela
quase aquarela
velha querela
sem taramela
tramela
onde tranque ela
na escrita em estela
entre o opaco da pedra
e a luz da estrela
curvando-se luxuriante à janela na viela
onde está pendida a flor da umbela
que zela pela chama da vela
no templo da vestal sagrada
com a bela donzela
a velar o que não deve ser desvelado
( O ato de desvelar é função do filósofo grego
não da sibila, pitonisa...
que vela o mistério
com sete véus )

Tudo foi queimado pelo tempo
e se transformou em cinzas :
a casa com o sótão
o vetusto sobrado
pedindo luar e sol ao anil
solicitando palmeira a barlavento
com marimbondos vestidos num xadrez
elegantes naquele fraque natural
a evocar noites e dias num tabuleiro de xadrez
de treva e luz branca
- num jogo de treva e luz
de anum branco e anum preto
aves de vôo claudicante
ou dividindo a noite e o dia
nos gêneros masculino e feminino
do célebre círculo chinês
que mapeia campos negros e brancos
no corpo oblongo do marimbondo
cujo vespeiro estava alicerçado
na parte de baixo da palma do coqueiro
que às vezes fazia o vento tremular
quando caía um coco com estrépido
ou uma palma já decaída
para um verde já acinzentado
verde terminal sonhando a palha
enquanto aguarda em semi-queda um pára-queda
descaindo no empuxo da ventania
ou num sopro de nada para cair fragorosamente
em meio à madrugada tecida a canto de galo
- cantor do candor da vida sentida
observada no corpo pelo lado de fora dos sentidos em sintonia fina
outrossim quando o vento vem bufando

Enquanto minha imaginação
joga xadrez no corpo dos marimbondos
lá naquele lugar que foi o lar
de dois pequeninos felizes
e pais encrustados na felicidade daquelas crianças
Lá ainda brincam felizes
um menino e uma menina!
- O menino e a menina!

Oh! quanta saudade de pai
sinto daquelas crianças!
- do pai que fui
com imenso orgulho
e pleno exercício da felicidade!

Pena que felicidade não volte para trás
e se repita incessante e intermitente
tipo chuva chata
( chula se não fosse chuva )
ou tal qual uma música
com musa e estro para poeta menor
da qual muito gostamos
e tocamos com frequência
porque gravada
no coração e fora dele
nos sinais do mundo lido pelo ouvido
no fonógrafo
que nos ouve
e ouve os vivos e os mortos conosco
e me faz ouvir junto ao meu pai
e aos meus filhos
com os ouvidos deles grafados no fonógrafo
- todos ouvindo juntos!
miraculosamente no mesmo tempo
( O estado da felicidade
está montado sobre o corpo do tempo pretérito
porquanto raramente a percebemos
no estado regente ou presente
porque o ato apaga a opulência infinita de detalhes
e a opção por uma espécie de felicidade
é exatamente pela imaginária felicidade
que não podemos ter senão naquele passado
quando as crianças ainda não haviam
conhecido os pruridos da puberdade
e transmutado a relação com seus progenitores
- Depois do tempo passar pelos olhos e ouvidos
pelo corpo todo com o pelo eriçado
e somente poder ter o aceite
endossado na forma de idílio
a única moeda e sinal
que impossibilite uma transação frustrante
Sem a faculdade de abstração
que permite eleger atos e fatos felizes
e evidentemente raros
ignorando peremptoriamente
os fatos existentes
apagando-os da memória
não é possível dar existência simbólica à felicidade
porquanto não há no ar felicidade sublunar
senão o que concerne à escolha
de alguns atos em formação de arquipélagos
ocorridos em ilhas cercadas por águas
que ficam num mar interior
- dentro de nossos sonhos mais caros
onde a felicidade é que não existe
porque não pode viajar de canoa
até aquele arquipélago inacessível ao mundo
porque fora do mundo
e dentro de outro mundo
inventado e criado por cada um de nós )

Lá atrás das folhas de um oval longo
brilhosas ao sol
escondida sob o palor refinado do luar
ficou preso à raiz
o pé de canela ascendendo reto aos céus
que não pode nos acompanhar
senão em espírito
pois a alma é vegetal
é um fauno que ainda está naquela árvore
exilado quando do êxodo
- A Caneleira ou "Cinnamomum zeylanicum"

Sei que se ainda vegeta
aquele pé de canela
tem também saudades das crianças!
- daquelas crianças afeitas ao natal
criadas para eternos natais
que podiam até dispensar Cristo
por supérfluo naquelas noites natalinas
bem como todos os estúpidos cristãos
com sua fé e ritos para a morte
ou para matar através da estupidez
implantada paulatinamente na alma cristã
de todos os filhos do latim não pagãos

Ainda havia o pé de pinha
o pé de carambola
e o mais de bioma
de macrobiota e microbiota
ali junto a lagartas e lagartos
verdes ou avessos ao verde
no coqueiro que subia torto
a escada de seu próprio tronco
rumo ao céu abaulado no azul
- no muito azul!
transcendente aos olhos
imanente ao olhar
feito para mar amar
- amar o mar de cada dia!
de anum branco a anum preto

Tudo ou quase tudo
ainda está lá
inclusive a lua latindo o amarelo
o latim cristão na palmeira
o latim de Roma no lugar da alma cristã
a dizer o que é alma natural
alma para naturalista
ou filósofo natural
( os cristãos são sobrenaturalistas
que enfrentam o mundo com o medo das crianças
no escuro de um anum anti-pomba branca
na casa de de trevas do tabuleiro de xadrez
cujos jogadores de luz e sombra
são a noite e o dia )

Todavia no transcurso de menos de dois anos
do nascimento de um menino em casa
aquela casa com um sótão
ficou lá como um museu
saiu do tempo
voou nas cinzas do tempo
- e o tempo com a antiga felicidade
não é passível de reconstrução
nem tampouco desconstrução no construto
porquanto não junta mais o pó
perdido a girar no tempo daquele sol
que já passou pelo zênite e nadir
- em menos de dois anos do nascimento de um menino!
- menos de dois anos e mais alguns avos
e avós no denominador comum!
do número do tempo apagado
do que foi fogo ou brasa no cachimbo
ou da lareira na fogueira de São João
cozinhando o céu noturno
ao som de num estudo de Chopin para piano
e o espocar de fogos
e pipocas na panela

Tudo virou cinzas
de cigarro ou charuto
cachimbo espiralado
acompanho as volutas de fumaça no ar
sua base aonde desenhar a fumaça branca
procurando caminhos para o céu
com a Via Láctea
algo no leite e um pouco assinalando ou sugerindo fumaça

Nada restou
nem cinzas do homem morto
na casa que enlouqueceu
e ficou sem porta e parte do telhado arrancado com violência
com a entrada toda suja
devido à falta de varrição
- com entrada impedida por ervas
que armavam laços aos pés
de quem ousasse lá adentrar
- da casa aonde passou a morar o louco e o mocho
e os morcegos leitores de trevas sapienciais
onde antes viviam duas crianças saudáveis e belas
montando estrelas no céu
- da casa que desapareceu no vento!
fugiu com a primeira ventania!
quando aquela família desmantelada
como se faz a um brinquedo quebrado
abandonou o lar...
- deixou para trás
nas cinzas de um universo pretérito
paralelo e em bolhas
o entretenimento dos marimbondos enxadristas
com os físicos quânticos
e os poetas menores
que sabem onde vive a poesia
no universo que não é maior nem menor
não importa se o objeto é uma galáxia
ou um simples azul miosótis

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

MARIMBONDO (wikcionario wik dicionario wiki enciclopedia etimologia onomástica)

Tudo o que era
virou cinzas
de um cigarro abandonado por um bêbado
na madrugada da lua amarela
quase aquarela
velha querela
sem taramela
tramela
onde tranque ela
na escrita em estela
entre o opaco da pedra
e a luz da estrela
curvando-se luxuriante à janela na viela
onde está pendida a flor da umbela
que zela pela chama da vela
no templo da vestal sagrada
com a bela donzela
a velar o que não deve ser desvelado
( O ato de desvelar é função do filósofo grego
não da sibila, pitonisa...
que vela o mistério
com sete véus )

Tudo foi queimado pelo tempo
e se transformou em cinzas :
a casa com o sótão
o vetusto sobrado
pedindo luar e sol ao anil
solicitando palmeira a barlavento
com marimbondos vestidos num xadrez
elegantes naquele fraque natural
a evocar noites e dias num tabuleiro de xadrez
de treva e luz branca
- num jogo de treva e luz
de anum branco e anum preto
aves de vôo claudicante
ou dividindo a noite e o dia
nos gêneros masculino e feminino
do célebre círculo chinês
que mapeia campos negros e brancos
no corpo oblongo do marimbondo
cujo vespeiro estava alicerçado
na parte de baixo da palma do coqueiro
que às vezes fazia o vento tremular
quando caía um coco com estrépido
ou uma palma já decaída
para um verde já acinzentado
verde terminal sonhando a palha
enquanto aguarda em semi-queda um pára-queda
descaindo no empuxo da ventania
ou num sopro de nada para cair fragorosamente
em meio à madrugada tecida a canto de galo
- cantor do candor da vida sentida
observada no corpo pelo lado de fora dos sentidos em sintonia fina
outrossim quando o vento vem bufando

Enquanto minha imaginação
joga xadrez no corpo dos marimbondos
lá naquele lugar que foi o lar
de dois pequeninos felizes
e pais encrustados na felicidade daquelas crianças
Lá ainda brincam felizes
um menino e uma menina!
- O menino e a menina!

Oh! quanta saudade de pai
sinto daquelas crianças!
- do pai que fui
com imenso orgulho
e pleno exercício da felicidade!

Pena que felicidade não volte para trás
e se repita incessante e intermitente
tipo chuva chata
( chula se não fosse chuva )
ou tal qual uma música
com musa e estro para poeta menor
da qual muito gostamos
e tocamos com frequência
porque gravada
no coração e fora dele
nos sinais do mundo lido pelo ouvido
no fonógrafo
que nos ouve
e ouve os vivos e os mortos conosco
e me faz ouvir junto ao meu pai
e ao meus filhos
com os ouvidos deles grafados no fonógrafo
- todo ouvindo juntos!
miraculosamente no mesmo tempo
( O estado da felicidade
está montado sobre o corpo do tempo pretérito
porquanto raramente a percebemos
no estado regente ou presente
porque o ato apaga a opulência infinita de detalhes
e a opção por uma espécie de felicidade
é exatamente pela imaginária felicidade
que não podemos ter senão naquele passado
quando as crianças ainda não haviam
conhecido os pruridos da puberdade
e transmutado a relação com seus progenitores
- Depois do tempo passar pelos olhos e ouvidos
pelo corpo todo com o pelo eriçado
e somente poder ter o aceite
endossado na forma de idílio
a única moeda e sinal
que impossibilite uma transação frustrante
Sem a faculdade de abstração
que permite eleger atos e fatos felizes
e evidentemente raros
ignorando peremptoriamente
os fatos existentes
apagando-os da memória
não é possível dar existência simbólica à felicidade
porquanto não há no ar felicidade sublunar
senão o que concerne à escolha
de alguns atos em formação de arquipélagos
ocorridos em ilhas cercadas por águas
que ficam num mar interior
- dentro de nossos sonhos mais caros
onde a felicidade é que não existe
porque não pode viajar de canoa
até aquele arquipélago inacessível ao mundo
porque fora do mundo
e dentro de outro mundo
inventado e criado por cada um de nós )

Lá atrás das folhas de um oval longo
brilhosas ao sol
escondida sob o palor refinado do luar
ficou preso à raiz
o pé de canela ascendendo reto aos céus
que não pode nos acompanhar
senão em espírito
pois a alma é vegetal
é um fauno que ainda está naquela árvore
exilado quando do êxodo
- A Caneleira ou "Cinnamomum zeylanicum"

Sei que se ainda vegeta
aquele pé de canela
tem também saudades das crianças!
- daquelas crianças afeitas ao natal
criadas para eternos natais
que podiam até dispensar Cristo
por supérfluo naquelas noites natalinas
bem como todos os estúpidos cristãos
com sua fé e ritos para a morte
ou para matar através da estupidez
implantada paulatinamente na alma cristã
de todos os filhos do latim não pagãos

Ainda havia o pé de pinha
o pé de carambola
e o mais de bioma
de macrobiota e microbiota
ali junto a lagartas e lagartos
verdes ou avessos ao verde
no coqueiro que subia torto
a escada de seu próprio tronco
rumo ao céu abaulado no azul
- no muito azul!
transcendente aos olhos
imanente ao olhar
feito para mar amar
- amar o mar de cada dia!
de anum branco a anum preto

Tudo ou quase tudo
ainda está lá
inclusive a lua latindo o amarelo
o latim cristão na palmeira
o latim de Roma no lugar da alma cristã
a dizer o que é alma natural
alma para naturalista
ou filósofo natural
( os cristãos são sobrenaturalistas
que enfrentam o mundo com o medo das crianças
no escuro de um anum anti-pomba branca
na casa de de trevas do tabuleiro de xadrez
cujos jogadores de luz e sombra
são a noite e o dia )

Todavia no transcurso de menos de dois anos
do nascimento de um menino em casa
aquela casa com um sótão
ficou lá como um museu
saiu do tempo
voou nas cinzas do tempo
- e o tempo com a antiga felicidade
não é passível de reconstrução
nem tampouco desconstrução no construto
porquanto não junta mais o pó
perdido a girar no tempo daquele sol
que já passou pelo zênite e nadir
- em menos de dois anos do nascimento de um menino!
- menos de dois anos e mais alguns avos
e avós no denominador comum!
do número do tempo apagado
do que foi fogo ou brasa no cachimbo
ou da lareira na fogueira de São João
cozinhando o céu noturno
ao som de num estudo de Chopin para piano
e o espocar de fogos
e pipocas na panela

Tudo virou cinzas
de cigarro ou charuto
cachimbo espiralado
acompanho as volutas de fumaça no ar
sua base aonde desenhar a fumaça branca
procurando caminhos para o céu
com a Via Láctea
algo no leite e um pouco assinalando ou sugerindo fumaça

Nada restou
nem cinzas do homem morto
na casa que enlouqueceu
e ficou sem porta e parte do telhado arrancado com violência
com a entrada toda suja
devido à falta de varrição
- com entrada impedida por ervas
que armavam laços aos pés
de quem ousasse lá adentrar
- da casa aonde passou a morar o louco e o mocho
e os morcegos leitores de trevas sapienciais
onde antes viviam duas crianças saudáveis e belas
montando estrelas no céu
- da casa que desapareceu no vento!
fugiu com a primeira ventania!
quando aquela família desmantelada
como se faz a um brinquedo quebrado
abandonou o lar...
- deixou para trás
nas cinzas de um universo pretérito
paralelo e em bolhas
o entretenimento dos marimbondos enxadristas
com os físicos quânticos
e os poetas menores
que sabem onde vive a poesia
no universo que não é maior nem menor
não importa se o objeto é uma galáxia
ou um simples azul miosótis

domingo, 28 de agosto de 2011

MAMBA (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedia etimologia onomástica )

O poeta se escreve
- escreve para si mesmo
e não para outrem
nem tampouco para a tampa tamanha da posteridade tacanha
- um solipsismo de solipsista fanático
solidão em solitude
atitude eremita
com o caranguejo-ermitão
sem termos pelos ermos do profeta no deserto
buscando a ermida ou o eremitério
enfim a tebaida
por ser mui vulnerável
não ter carapaça

Os pósteros que se...!!!...
- assim esgrima aquele que se esculpe no ar
com uma geometria que se mensura
em signos materiais
e símbolos intangíveis e tangíveis
conforme a conta contábil
dos significados transcritos para o alegórico
em outra codificação para códice
- com cânone, sem cânone
canhestro estro do cânone e do cânhamo

O escritor é um Auto da Alma
- um Auto da Compadecida
o Auto da Barca do Inferno
que destina seu texto
para o fundo de seu ego
que é uma em âncora
de navio fundeado
na baía do escriba
Não se destina a olhos ávidos de curiosos leitores
roedores de textos
traças de alfarrábios
bibliotecários de Alexandria...

O erudito se corresponde consigo mesmo
na trilogia dos signos e símbolos
que enredam a história
( terceira parte da trilogia )
numa rede de teias para as aranhas presentes na narrativa
cuja primeira voz ou personagem e protagonista é o escritor
quiçá o único
no vazio aberto na casca e carapaça do corpo dos demais
que perderam o corpo e alma
para a trama do dono do teatro :
o poeta trágico ou satírico
épico homérico feérico
As outras personagens coadjuvantes
outras "ostras" em ostracismo
abrem-se no vácuo da casca do coco
e depois do espaço da casca
no vazio maior onde está a carapaça do coco
que armazena água
e massa branca comestível
- da alvura da areia que pisa a praia
com sandálias havaianas
quando a ilha é o Havaí
- Hawaii Hawaii
que não é aqui
é por aí alhures
( A carapaça do coco
tem a forma abaulada de um crânio humano
Endocarpo e mesocarpo
são arcabouços onde se aloja a polpa
- branca como a água branca
do coco-da-praia coco-da-baía
na Bahia cocada
Dentro da carapaça do coco
Por ali passa todo o universo
vindo de longe
e voltando para bilhões de anos-luz
sem que a água se mova um milímetro
sofra nenhum abalo sísmico ou sérico
nos seus eletrólitos
O coco sabe e tem notícia da galáxia mais distante em luz
conquanto não conheça a galáxia
mesmo porque não possui forma erudita de comunicação
Outrossim a galáxia mais longínqua
sabe e tem notícia do coco e do coqueiro
Por isso o poeta não escreve para ninguém
nem mantém uma correspondência de amor romântico
com algum mineral de outra Nebulosa
conhecida ou desconhecida
perscrutada pelo olho ou ocelo da barata )

O trovador a versejar em solo na vetusta Provença
- provençal e providencial
faz a bem-amada sonhar que é para ela
aquela ode retumbante
a descer nos cabelos encaracolados da cachoeira
a cantar outra ode
para bode Pan faunos e ninfas
com a lira de Ovídio e Horácio
a flauta de Pan
e a lira mais lírica que houve
e ainda se ouve
no ouvido do tempo
sem olvido no Letes
- a lira de Orfeu
jamais dada ao olvido
em paradoxais trocadilhos
com estribilhos

Porém para o filho ou filha
a berceuse suave
em pianíssimo
ouvindo Chopin
que é o pianista mais refinado para poesias românticas
- indo aos claros de luar com dedos de Debussy
a tocar ternamente na face do pequenino
da pequenina que dorme
- o sono dos pequeninos
Ah! o sono dos pequeninos!
- o sono das pequeninas e pequeninos é um sonho!
inenarrável depois que cala a berceuse
e a noite cala fundo
no calado da calada
rumorejando silente o rocio
em ouvidos moucos
loucos no arroio da madrugada
- riacho de orvalho límpido )

O rapsodo e profeta se inscreve no que escreve
- no círculo inscrito está escrito
descrito descritor
Entretanto não são destinatários
da carta do bardo
outro que não o próprio bardo
- o próprio remetente
ou emitente da mensagem cifrada
ininteligível aos outros
em epístolas para romanos

O aedo não tem interlocutor
e o que escreve
penetra no silêncio da poesia
e não sabe à poesia
mas à maresia
pois é impossível tocar na poesia
que jamais pode ser escrita
mas apenas vislumbrada na alma
de longe no horizonte idílico
no barco descendo o rio São Francisco
tocado pelo idílio da correnteza
e do remo sem pena de rêmige
Escreve num código hermético
com pena negra e pesada nas tintas
procurando esconder milhares de segredos
de si mesmo para si mesmo
pois para aqueles que finge sinceramente que escreve
gostaria de confessar
todos os seus pecados
e assim se aliviar com o confessor
do fardo pesado
a carga da gravidade

Contudo o leitor também não lê o aedo
ou o lê a medo
com a sensação da aparição iminente do deus Pã
o imenso e pavoroso Fauno dos bosques
que pode surgir abruptamente
como uma mamba negra
e subitamente inocular a peçonha letífera
por a morte em viagem no sangue
- num batel em travessia do mar vermelho
Portanto o leitor lê a si mesmo
se decodifica na pedra de Roseta
sendo Champollion de si
na escritura do aedo
no copta do poeta
desenhado na estela de Roseta
geometrizada no desenho lido pelo sábio fauno
que leu a pedra
decifrou o enigma da esfinge na estela
porquanto um fauno
ou inúmeros faunos é uma leitura decodificada da natureza
- do mais íntimo e recôndito em natureza
mais que a física e a metafisica de Aristóteles
que criou miríades de faunos na sociedade e na cultura
espargindo a sabedoria do fauno
que se centra em si
aonde vai e alcança seus sentidos
quando captam o território
até onde captam objetos
ali é o seu território
que embora pareça restrito e mapeado
limitado ou delineado pelo mapa ao alcance dos sentidos
mitigado ou reduzido pela capacidade da sensibilidade
é o universo inteiro
encerra todo o cosmos
dado num pedaço aparentemente irrisório
em um espaço que cabe num favo de mel
porquanto a totalidade integral do universo
tecido de galáxias e Nebulosas
está já presente integralmente na mínima parte
na abelha e colmeia ou em solitude
no átomo e nas partículas subatômicas
da química orgânica ou inorgânica
em tabela periódica de Mendeleiev
- o sábio e erudito russo de barba-russa
com perfil de Sileno

Nada é óbice no entanto
a que o leitor comum
de parcas letras e escasso conhecimento
leia o que não está próximo ao veneno da mamba negra
ou ao derredor do pavor que ocasiona a mera citação de Pã
o Fauno silvestre Silvano
- silvo de serpente peçonhenta
com a morte ostensiva na ponta do dente
Por isso o vulgo que lê
subjugado no cabresto
apto apenas para decodificar a vulgata
após a exegese e hermenêutica de seus pais espirituais
- os padres da igreja
cuja erística é devastadora
( de qualquer igreja ou instituição que os comande
não enquanto homens
porém na função de obedientes escravos ou servos da gleba )
- o vulgo ama o que lê
e não o que está escrito
mesmo porque o que está escrito
é um bilhete ou rito de passagem
do escritor a seu ego
ilegível ininteligível
infenso às investidas da erudição
excepto para os mais perspicazes exegetas
e os Champollions máxime da poesia de um Goethe
- máximo expoente da sensibilidade poética
e da inteligência filosófica e científica

O poeta é tão-somente um subscritor
daquilo que foi extraído dele
do fundo do vale e do campo vegetal
florescente em seu âmago
e trazido à lume pelo Fauno
do filão de sua alma

A alma do poeta é um Fauno

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

BOREAL (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedia etimologia etimologico )

A morte de um amigo...
- com a morte ex-amigo à vista da gávea
avistada do alto da gávea
dá-se o fenômeno do homem morto
fenomenologia que rasga a túnica inconsútil do espírito
e mata o lado boreal do homem vivo
que ficava do outro lado do rio
- do rio de sangue do homem morto
quando este era vivo
e fluía para o mar vermelho

A perda definitiva da vida de um ente
com o qual compartilhamos o mundo
significa o embaçamento de um reflexo
na lâmina d'água
- o baque na água!!!
do corpo do suicida
que suicidou-se sem aviso prévio
abruptamente
enquanto os peixes mordiscavam o anzol
( A morte é em si
um suicídio corporal
ou corporificado no cadáver jazente )

É o fim de uma memoria de si
livre de si
despojada do ego
com canto e cântaro em outro ser
- É o esboroar do alter ego
o derradeiro sinal da alteridade
cujo território distava até o outro lado do ser
no campo mais ao norte ou ao sul
- com a alteridade vislumbrada no espelho partido
entre as montanhas de um pseudo azul
no quarto da lua que sonha o quarto crescente
ou o quarto minguante de lua sorrindo
com a boca do gato de Alice
numa abstracção de lua e céu nocturno
( Chopin ao piano
apascentando o noturno pastoril
com avena no sopro do pastor )

A perda de alguém próximo
na proximidade do delta do rio
que dobra o Nilo
rio e profeta do deserto
O Nilo são dois rios correntes
- um rio de água
e outro de crocodilo do Nilo
Todavia tal perda é um fato
que bate forte no espírito de quem fica
a ver o morto
- observar um ser humano envolvido deixar de existir
passar para o outro lado da vida
ou da alma
sem rio Nilo que o banhe
- a banhar e alimentar o sangue
- o rio Nilo que é uma água dúplice
água no rio e no corpo do crocodilo do Nilo
mas não mais no pó do sangue do morto
cujo passamento o levou para a outra margem do rio
e do crocodilo
- das duas águas vivas
O homem morto em pó
foi exilado para o lado com anti-matéria
- anti-matéria de alma
que não tem já em si
matéria alguma
senão a energia
que a sustem suspensa no corpo
agarrando o pó
que a mão da água não mais segura firme
na altura do céu
- enquanto o céu é um chapéu azul
para a mulher vaidosa
porém cheias de vida
transbordando alma
pela água em corredeira

Abandonado pela água
e com o espírito num enclave
na Pedra de Roseta do momento
que jamais poderá ser decifrada
pois não há tantos Champollions assim
dentre os homens comuníssimos
porquanto são os papalvos
que constituem o cerne social
fazem fluir o rio da vida social
no seu mísero cotidiano
sem ritmo circadiano
- o homem morto
é um peixe morto descendo a cachoeira
pois o que é já não importa
mesmo porque já não é
senão o nada que desmancha o corpo
com ação de bactérias e moscas gulosas
ávidas por carne em putrefação

O passamento de um irmão
ou um amigo de décadas
é uma abrupta ruptura de um vínculo
construído pela paixão no tempo
regada na água à clepsidra
e na areia à ampulheta
gota a gota
grão de areia a grão de areia
uma dana na água da clepsidra
e na areia do deserto
ajuntada dentro de uma ampulheta
ou Relógio de Areia
nebuloso na Nebulosa no céu noturno
( Que toque Chopin
um breve estudo ao piano )
É outrossim navegar separado
cada um num veleiro
no mar criado em meio ambiente de clepsidra
em bioma de ampulheta

Qual memória de menino
que se esvai nas bolhas de sabão
a transportar a alma
para longe do corpo
abandonando o espírito morto
assim é a vida a se esvair paulatinamente
caindo da altura do pó
em queda de anjo desidratado
se desmanchando em pó
perdendo-se no sopro de oboé do vento
que tange o pó para longe
a descair da altura da figura geométrica
que desenha e mensura o pó no pó
- no rio de pó que é o corpo humano sem água
totalmente desidratado
na curva do caminho
ao pé do caminheiro
do andarilho dervixe
- anjo em pó

Tudo isso é mais
- muito mais que o luar pode iluminar
com facho no amarelo
ou no branco da ossada
que devolve à lua à lua
no reflexo que resta ao homem morto
conspícuo no branco dos ossos e da caveira
dos olhos em sua parte branca e no esqueleto
todo branco
a brilhar sob a luz do luar
que busca refletir-se e defletir-se
num olhar recíproco
de lua e ossos
que não podem se ver
- olhar cego
similar ao olhar vidrado do morto
revirado num esgar
flertando com a lua
num flerte macabro
- o diabo e a víbora
o basilisco e a mamba negra
numa troca de olhares
entre a realidade e a ficção
- de olhar de quem não se vê
não se olha
senão por outros sensores vitais
ou nenhum sensor
no caso do anjo morto
ao rás do chão no pó
- anjo desidratado
do demônio ao rés-do-chão
decompondo-se entre as ervas
que recebem o canto
e os dedos no piano do vento
ou da brisa refrescante
rascante

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CARAVELA (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedia etimologia etimologico )

A caravela era um moinho de vento /
que o vento empurrava /
na travessia pelo oceano /

Um moinho de vento /
com inovador conceito /
e desenho geométrico para o vento /
dar outro empucho /
( Um sistema de propulsão ) /

Ao invés de por a girar as pás /
na paz de Van Gogh em arte sublime /
a caravela recolhia o vento /
na barriga que a brisa ou monção /
estufava na vela branca /
pintada com cruz escarlate /
que identificava a Ordem dos Cavaleiros do Templo /

As caravelas semelhavam moinhos de vento /
- era o desenho da época /
ou moda conceptual de então /
para engenharia eólica /

A função da vela na caravela
era conter parte da força eólica em vela alva /
que inflava na forma de parábola cartesiana /
a fim de recolher o vento /
em sua alvura sob cruz cristã carmesim /

Se não era vela a catar o vento no cata-vento /
eram as quatro pás do moinho de vento /
as quais foram imortalizadas na ficção de Cervantes /
ao narrar a tresloucada investida do cavaleiro da triste figura /
contra as pás do moinho do vento /
arrostando-as com fúria impertinente /
Oh! pobre e triste cavaleiro andante! /
- Dom Quixote de La Mancha /
imagem melancólica do homem /
que será o homem morto /
e o homem ensandecido /
a poucos passos do abismo /
que se abre para o salto no vazio /
para o suicídio /
sem asas ou cruz cristã /
que arremeda a medo o desenho de asas /
que não servem à concepção do vôo /
sem laivo ou veleidade de aerodinâmica natural /
incapaz de desenhar e conceber
um planador com piloto que não fosse mórbido /
tentando inutilmente /
planar com asas sobrenaturais /
que não estão no planador /
mas na geometria sobrenatural do cristianismo /
que põe kamicazes no céu /

As caravelas e o cristianismo eram cemitérios de cruzes /
partidas pela procela /
partindo na procela /
partilhando da procela /
- braços abertos /
no amplexo fatal /
com o vento e o tempo /
- contra o vento e o tempo! /

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

TRUNCADOS (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedia etimologia etimologico )

O pé de laranjeira que figura em em minha poética
na geometria da minha poesia
com a flor alva lavada pelo alvor avô da barra da alva
e o sorriso da barra da alva nos dentes
a cintilar orvalho no diâmetro da circunferência da gota de aljôfar
- a laranjeira com armadura medieval nos espinhos
com algum pó sutil de negrume na folhagem densa
exalando aquela fragrância delicada
que distingue o teor do perfume da flor de laranjeira
- esta laranjeira ideal
esta idéia de laranjeira
ou laranjeira em idéia platônica
captada em visões de laranjeiras nada platônicas
que a realidade põe em pé
com raízes a agarrar vigorosamente o solo
- a laranjeira plantada na minha poética
plana na origem de duas laranjeiras reais
as quais se confundem ou se fundem em uma única laranjeira
ou na idéia mesma da laranjeira poética
para uso romântico na língua romance
e para cindir o tempo e o espaço
da minha infância de um lado da casa
e da juventude no outro tempo
no espaço da casa contígua
onde morou um amigo
cuja alma foi perdida para a terra
ou para a laranja-da-terra
há pouco mais que sete dias
- finado há uns sete dias
( mas que são sete dias
para um comunista ateu
em seu ser e no de Marx?!
- um agnóstico que morreu corajosamente
recusando ser crédulo e pusilânime como um padre ou frade de Jesus
os quais vivem sob a mendicância e mendacidade
que caracteriza o homem do vulgo
ou o pseudo-monge preso a regras alheias
- alienadas na acepção dúplice de venda ou loucura
( são dementes e venais tais seres liquidados, falidos )
pois estes são a besta pior
com sete chifres ou sete cornos e a cornucópia
sete palmos sob terra
e missa no sétimo dia do niilismo sem-razão de ser
ou de conhecer em princípios
que evocam as raízes do conhecimento da filosofia
que vai de Aristóteles a Kant
em toda a extensão do fim da filosofia
com seu homônimo Marconi
nas ondas do rádio )

Uma das duas laranjeiras
foi a primeira laranjeira que conheci
e soube pelas emanações que formavam uma trilha
nos sentidos do menino
que se tratava de uma árvore de porte quase arbustivo
a qual existia no quintal de casa
quando era eu menino menino
pequenino menino
- menino de escalar o tronco torto e tortuoso do cajueiro
até o telhado de um barracão adendo à casa

Era um pé de laranja-da-terra
no dizer de minha mãe
fruto que tão-somente servia para fazer compota
pois a fruta era mui amarga
- mas pintava-se com um amarelo vivaz na casca!
e folhas de um verde escuro
- de um escuro perceptível mesmo com o o sol no zênite
tamanha extensão na treva tem a folha da laranjeira!
que possui ou ostenta
uma escuridão assombrosa no verde das folhas
nas folhas guardadoras de trevas
lastro de matéria negra
negra energia chiando no canto subliminar do universo
invadindo as regiões do cosmos com o espatifar de ondas escuras
- de uma escuridão de morte
escuras de morte!
ou presente na escuridão que precede a morte
e continua pela eternidade de olhos vendados
velados eternamente
- para sempre sem luz!
o outro véu que constitui o olhar

A outra laranjeira
que vi depois de longo tempo
que conhecera a minha laranjeira primeva
distava daquela alguns passos do Senhor dos Passos
indo da vida para a morte
com a cruz às costas
e a alma negra dentro do verde
ou mesclada à cor que alcatifa solo
para monge pisar ao longo do caminho
na travessia ou êxodo sem fim
- a outra laranjeira
Imagino que era da mesma espécie da primeira
Contudo foi naquela casa velha
com varanda com desvãos de madeira
onde morava um raro amigo com sua família
que percebi e respirei o olor da flor de laranjeira
enquanto a noite espargia trevas
na brisa fria que corria a esmo
e formulava o olfato da minha juventude
na equação química expressa no ar
em ondas de perfume
que formava uma laranjeira só de aroma
sem folha ou flores ou raiz ou tronco espinhoso

Entre essas laranjeiras
havia um clube
que tocava marchinhas de carnaval
madrugada fora ( ou dentro?)
no tempo da folia

Essas duas laranjeiras
acabaram sendo lidas como uma única laranjeira
na poesia que ousei temerariamente deixar por escrito
- lidas e escritas por mim
a pior antologia poética que reuni
porquanto a poesia que pode ser arrancada da beleza e do limbo
e escrita para ser lida
já é uma obra de violência em signos e símbolos
de violação alegórica
- é o que de pior se garimpou em versos truncados e fragmentados!

A melhor poesia
é infensa à leitura
e outrossim à literatura
por ser inatingível por meio da semiologia
e mesmo pela semiótica ritualizada pelo teatro
ou em enredo de drama no cinema e nas novelas
ou por via de qualquer sistema de língua e linguagem
ou ainda de representação humana
quer seja religiosa ou filosófica:
enfim, de qualquer outra forma humana
que não seja a manifestação da alma
- alma no sentido latim
e não no sentido cristão do mandrião
com asas e pás ao vento para mover moinhos de vento
e olvidar o tempo em um quadro de Van Gogh
então de olho pregado no tempo!
( O tempo que então estava nos moinhos de vento
soprava flauta ou trombone no nariz do pintor holandês
descendente da escola flamenga
que criou Brueguel, o velho
- pintor de Brabante )

Agora que o amigo
ficou com a alma presa à pedra
e o espírito fossilizado nos signos e símbolos de sua escrita
não há sequer uma folha de laranjeira entre nós
porque a minha laranjeira continua remando por flor e alva
mas a laranjeira do amigo morto
ficou no tempo
em que ele e a laranja-da-terra se miravam reciprocamente
- hoje essa laranjeira continua nua de espaço na terra do tempo
porquanto perdeu o espaço de terra
que ajuntava o anjo da laranjeira em sopro no ar para oboé
e não tem mais a alma do amigo falecido
para soprar o espírito de terra
e por a laranjeira em pé ante si
- frente a seu corpo
que se esboroou
no anjo em pó de laranjeira
que não mais entrou em espaço
na alma do amigo finado
sem corpo para vestir a si e a laranjeira
porque o tempo pode subsistir sem espaço
pode transcender a existência
sobrevivendo apenas com o ser
- tão-somente em essência
assim como o homem morto
vive ainda de memória
mesmo em terra de cajueiro
onde se plantou uma laranjeira
a planar no plano de Euclides, o geômetra
fora do espaço
no sentimento subjetivo que é o tempo
falando de um amigo como um homem morto
podendo decifrar o enigma de sua inteligência
no que ele deixou transcrito em signos e símbolos
se eu tivesse capacidade para penetrar seus escritos linguísticos
em simbólicos de seu pensamento
e do quanto ele sabia
que poderia ser mais ou menos do que sei eu
não obstante ser a história
- sempre narrada pelos sobreviventes de então
para os quais ainda há caminhos e passos
antes da queda no abismo escuro

Não há mais uma laranjeira
entre eu e o amigo morto
dividindo nossos espaços calcados no pó
que nos ergue em corpo pela energia
mas apenas no tempo
e de um lado só do tempo
até que meu tempo
se apague na alma

Não há mais no espaço interior
duas laranjeiras prenhe de laranjas-da-terra
porquanto uma ficou sem espaço e tempo
num interior subjetivo
de quem não mais existe
- Restou apenas a laranjeira que vejo no espaço exterior
geminado com o tempo
ou as duas laranjeiras minhas
uma no espaço e tempo exterior
e outra no espaço e tempo interior
do sujeito que não faz compota de laranja-da-terra

As duas laranjeiras
que no espaço objetivo eram independentes
fundiram-se-me em uma laranjeira una
unívoca na voz do odor

Já vira laranjais em renque
em aléia extensa
andando sobre raiz léguas sobre terras
carregados de pomos
como se fossem mulos

Todavia agora que o outro homem jaz morto
que estou sem uma parte do meu ego
alijado de alter ego ou espelho
sou um Narciso contemplando o suicídio na água
- sou um monge defronte a uma laranjeira
que recebe o reflexo da minha solidão
que se apagará também
com a luz noturna do mais amado dos vagalumes

sábado, 2 de julho de 2011

FURIBUNDA ( wikcionario wik dicionario onomastico enciclopedico etimologia etimologico encilopedia

O paradoxo amplia o sentido restrito da palavra antítese que, podemos
dizer simplesmente, é um paradoxo ameno ou de espectro com ondas
curtas. Ambas as palavras guardam um parentesco no dizer a realidade,
ao nomeá-la, burilam um conceito ou concepção similar, se não
semelhante. O paradoxo, na realidade, que é a existência não posta em
ser, mas já preexistente ou presente antes do nascimento do indivíduo
ou da espécie humana e animal, vegetal, mineral, enfim, anterior à
vida, com alma plantar, alma vegetal, na clorofila que destila o
verde, enfim, o paradoxo destrói ou desconstrói a idéia ou pensamento
por dentro, rói-lhe o interior, aniquila a lógica posta no conceito,
enquanto ser utilizado como instrumento humano para pensar e deslindar
a natureza existente, preexistente, anterior à concepção desenhada,
escrita, pensada, elaborada, realizada em artefatos e comportamentos
oriundos de uma noética fundada numa gnoselogia ou gnosiologia,
enfim, na filosofia, com sua gnose paradoxalmente agnóstica, às vezes
até pernóstica, e, concomitantemente, na religião, que arrebata uma
gnosiologia, a qual diverge diametralmente da gnoseologia.
A tese, berço vocabular da antítese, é, digamos, um paradoxo menor,
vez que cumpre ao paradoxo perscrutar o conhecimento e o expor em
toda a tibieza.Claro, há uma discrepância de etimologia entre tese ou
antítese, que é a mesma tese com o prefixo negativo ou “maniqueu”,
pois Parmênides, da escola eleata, descrevia no conceito da palavra
“doxa”, dando-lhe o sentido de opinião ou conjectura, ou seja,
ligando-a ao pensamento, mas, ao mesmo tempo, como era uma contradição
de todo o conhecimento, como colocava a erudição em risco, classificou
essa ilação de opinião ou conjectura, pois assim evitava a
desconstrução de todo o pensado, a extinção do ser, que é, enfim, todo
o pensado e todo o pensamento ou idéia do homem. A tese é uma posição
no mundo, alienada do pensamento e posta no mundo ou realidade ou
existência; enfim, um arrancar da essência ( do ser, do pensamento) e
transplantar para a realidade alienígena ao homem ou ao mundo interno
do homem :mundo de essências, ser, pensamento, memória, imaginação,
etc.; já o paradoxo é um pensamento perturbador do conhecimento, pois
o questiona radicalmente, conjectura, ousa conjecturar, expõe a
erudição nua, sem a segurança dos gestos escondidos nas palavras
confortadores, consoladores, com “Espírito santo!”, eivadas de
Espírito santo! : o consolador, aquele que revigora a fé nas coisas
invisíveis, repõe o homem num mundo confortável, seguro, livre da
morte e das pragas invisíveis nas guerras freqüentes dos vermes,
fungos, bactérias letíferas, vírus demoníacos, enfim, toda uma horda
de bárbaros hunos laborando para a morte e a besta.
O paradoxo dá idéia de uma realidade ( de toda a realidade ou
existência, no “anexim” o “corolário” de Aristóteles que diz sobre a
separação da existência e a essência) que contradiz, se não anula, o
pensamento essencial do homem, ou pensamento do ser que, quiçá por
isso, no dizer de Heidegger, nunca foi pensado depois do eleata
célebre, excepto numa locução de Kant sobre o ser enquanto “apenas uma
posição” ou tese, a engendrar a antítese de Hegel, Marx e,
consequentemente, a síntese, que é o espaço interno ou interior entre
tese e antítese, as duas polaridades do maniqueísmo exploradas pelo
idealismo.
Imaginemos um paradoxo das antíteses!: Não o há; o que há, no caso,
é uma viscosidade emblemática entre o paradoxo e a antítese, pois é da
natureza da antítese guardar, ser guardiã, por assim dizer, de uma
posição no mundo, um por o pensamento em oposição, ou do opositor,
trasladando-o do intimismo das idéias humanas ao exterior, onde
subjazem as coisas exteriores, das quais fabricamos o ser que moldamos
nelas, no fenômeno que molda o ente, a entidade que laboramos
culturalmente, mentalmente, mas sempre no âmbito da “cosmovisão” ou
visualização da comunidade envolvida pela tez da cultura, porquanto
as coisas do mundo são vistas ou percebidas por nós, humanos, seres
que fabricam seres, seres ativos a produzir ou reproduzir seres
passivos, seres originários da sua paixão, ou da paixão que pervade
sua cultura ou civilização, como invenções nossas e não na realidade
de sua existência, com o perdão da redundância óbvia, mas necessária à
ênfase da frase.
O paradoxo quebra a tíbia do conhecimento, “osso” frágil, debilitado
pelas incertezas dos princípios que, no fim, não têm base alguma senão
em sua suficiência : o princípio da razão suficiente é bastante
emblemático e ilustrativo ou elucidativo. Haverá alguma razão que seja
suficiente e para quê? Para soldar a tíbia que se partiu, a fratura
exposta? O conhecimento é uma fratura exposto, conquanto esse
aforismo, “anexim” ou “brocardo” seja sensacionalista, errático como o
cometa.
As antíteses dependem do referencial, um ponto de partido, um lugar
no mundo ou um “locus” mental, intelectual, filosófico, quiçá
impetrado pela eurística. Cada homem na Bíblia está em antítese com
outro homem; o ser é antitético ( e no mundo, enquanto ser vivo,
inteligência viva no paradoxo que a mantém em vitalidade e viço) , já
explora a maniquéia, é um explorador de maniquéia ( todos somos
Maniqueus confessos ou taciturnos), essa “máquina” do bem e do mal,
uma mostra evidente, na qual o que fica demonstrado é o fato
inexorável de que cada homem, individualmente ( cada homem só existe
enquanto indivíduo, mas tem o poder do ser ou de seu alvedrio, de se
tornar ou ser uma bifurcação expandida em paradoxos ) acha o outro
necessariamente mal : o mal, o lado escuro ou negativo do maniqueísmo
sempre é o outro, o “alter ego”.
O paradoxo é uma figura ( geométrica) do pensamento e,
consequentemente, do discurso, enquanto o paradoxo é o “geômetra” : o
pensamento que se pensa. A antítese mostra o lugar onde está o homem
em sua tomada de posição no mundo, ou seja, fora de seu ego, alijado
do seu ser, engajado no universo, contraposto a outro ser que está na
posição “tese”, que é, na palavra, a posição inicial, afirmativa, no
pólo do bem da maniquéia, enquanto a antítese apresenta a negação da
primitiva posição ou a posição do adversário, do diabo, do inimigo
ferrenho, do ferrabrás, satanás.
Nesta relação de alteridade, na qual há o rei e o bobo, o cortesão, a
cortesã e o bajulador, dentre outros, relação obrigatória e
proibitiva, coercitiva, neste ritual que produz a alteridade,
inevitável, necessária, essencial e existencial ao homem enquanto
indivíduo que partilha um comunidade que o protege, mas que também vem
a coibir a maioria de seus atos, que se chocam com os atos dos outro
no processo natural ou existencial e essencial, há a relação menos
social, mais natural, voltada para o silvestre, no nu da mulher que se
despoja das vestes para praticar o ato natural, o ato sexual, um dos
escassos momentos que ambos tem relação direta consigo e com o outro,
numa alteridade verdadeira, real, existencial, não essencial, tirado o
ser ; esta relação natural, não social, que há entre o homem e a
mulher, na conjunção carnal, é a única da alteridade natural, não
socializável possível.
Tão poderosa e preponderante é tal alteridade silvestre com a mulher,
único elo possível com a alteridade de fato, não teatral, sob rito e
mito natural, que, mesmo achando socialmente a mulher, posta na
maniquéia como mal exacerbado desde a Idade Medianeira, a Idade das
Bruxas, que punha a mulher como o que há de pior; no entanto, e talvez
por causa desse retorno ao natural radical que o ato me comum com a
mulher possibilite, para um homem sadio, não para um padre ou frade
negro doente, um dominicano enraivecido, embevecido pelo cinismo, um
cinófilo, cujo herói ou ídolo desconhecido por ele mesmo é o filósofo
cínico, o cão Diógenes, um ódio irracional pela mulher, que é o desejo
latente de possuí-la sexualmente e, paradoxalmente, por demência ou
alienação institucional, que o coíbe, que tolhe o padre em seus votos
de castidade e obediência tresloucada, conquanto seja a mulher é o
único ser humano que pode dar prazer sexual e prole.
A mulher... : o sexo e o prazer vital, denegado, abortado pela
loucura de que tanto fala Erasmo em sua diatribe. O homem que nunca se
põe nu em sociedade que, na pele do padre, envolto no hábito do monge
ou pela sotaina do frade medieval não se livra desta prisão que o
veste, da roupa, pode fazê-lo ou na solidão triste, mórbida ou na
relação com a mulher, quando o desvestir é conjunto e, portanto, mais
excitante. Essa loucura das vestes talares faz o monge, o frade, o
padre, o homem medieval e a idade média.
O paradoxo testa e atesta a fragilidade ou a tenuidade nas lindes que
separam os conceitos ou concepções-mapas, mapeadas pela cartografia
linguística. Até onde um conceito ou concepção tem validez ou é mera
especulação ou mapa-múndi? ou mapa do tesouro?
O paradoxo está fundado no maniqueísmo, doutrina gramatical, com a
a qual narramos, dissertamos, descrevemos um objeto. E tudo é objeto para
o homem ou indivíduo referencial; aliás, sempre referencial, porquanto
não transcendemos a individualidade senão por concepções, mas não na
integralidade da realidade, na existência, onde os sentidos internos e
externos falam mais alto, é um alto-falante e um auto-falante.
No paradoxo sorites observamos que o conceito sobre um monte ( há montes no
relevo do direito também) termina quando? Quando o monte deixa de ser
um monte? No que, portanto, nos amparamos, senão na grande ou
categoria conceptual da grandeza escalar para definir o que é o monte
essencialmente? E na existência? também a grandeza escalar e o
parâmetro?
O sorites é esclarecedor da função da maniquéia nos conceitos. Só a
Maniquéia ( ou a Nicomaquéia ) apode engendrar conceitos, pois ela
polariza e o bem e o mal não importam em si, pois sé bem ou mal o que
o tempo diz pela língua do
homem o que é bom ou ruim, bem ou mal.No caso das polaridades
elétricas parece que o conceito de negativo está invertido,
socialmente, pois o negativo é quem move e o positivo é o atraído pelo
pólo-motor ou pólo-criador, pólo-deus.
O maior paradoxo é este : o conhecimento não é o conhecimento, mas um
representação imaginária do conhecimento feita pelo ser humano, mesmo
porque o conhecimento não existe, é uma inexistência, um
inexistencialismo ( ateu?) posto de pé no ser
( discurso, lógica, filosofia , ontologia, epistemologia,
gnoseologia) pelo homem. O medico quando faz um diagnostico,
representa o conhecimento por meio da leitura dos sintomas ; eles, os
sintomas legíveis , exprimem a gnose ou conhecimento por sinais do
corpo : é a semiologia médica que, de fato, não está de fato
exprimindo o conhecimento, mas um palpite limitado sobre o que pode
estar ocorrendo e que não pode ser conhecido, pois conhecimento não
existe senão representativamente, em ato da razão e sensibilidade, no
teatro da razão e da percepção, enquanto leitura semiótica ou
semiológica, porém não enquanto conhecimento, que é uma instância, um
“locus” do homem e não um nicho natural ; o nicho natural é a
existência ou mundo real, universo, cosmos, coisas, espaço de coisas e
para coisas ou onde se acham as coisas capturadas ou captadas (
“caput”) pela sensibilidade no ato fenomênico.
Não se conhece o que não existe, e o conhecimento é toda uma
inexistência representativa da inexistência no lugar da existência, a
qual não temos acesso. É o conhecimento o magno paradoxo. Não existe,
ou seja, não está posto ou não tem realidade fora (ex) do homem ou na
existência. É um não-existente ou uma não-existência; contudo, é um
objeto, ou seja, algo retirado pela operação da essência das coisas,
tem um quê das coisas a engendrar porquês.
A essência ou ser é uma operação humana, ação do homem-operário,
inação do homem-filósofo, que contempla o “Theatrum Mundi”. O
inexistencialismo ( ateu?) é uma prerrogativa do homem, uma alienação
que induz ao conhecimento ; essa doutrina, fundada, como todas, no
maniqueísmo onipresente, ignora o mundo ou a exterioridade, fazendo
dela a interioridade paradoxal do conhecimento. Tal doutrina básica,
fundante, contrapõe os universos ( se os há fora do conhecimento) em
internos e externos, na dicotomia característica do maniqueísmo.
Entretanto, o que seria externo e interno, senão um paradoxo
grosseiro? Externo é o mundo, com as coisas fora do homem e algumas
outras coisas ( alimentos, bebidas, etc.) que entram dentro do corpo
do homem ou na sua mente ( doutrinas ); o que entra dentro ou é
objeto, no caso das doutrinas, ou é coisa, no caso das bebidas,
alimentos, etc. Ao menos o conhecimento, que é algo arbitrário,
convencional, similar às palavras ou vocabulário lexical, o léxico,
assim põe as coisas no ser ou o ser nas coisas, transformando tudo em
objeto, ao estudá-los ou pô-los em língua e linguagem e lógica, enfim,
na metafísica.
A essência ou ser ou pensamento ou discurso, a lógica “”logos”), a
metafísica, enfim, o que está fora (ex) do mundo (ex-mundo,
ex-universo, ex-cosmos, ex-coisa) em oposição diametral à existência
(ex ) que está fora ou no mundo ou fora (ex) do homem ou do pensamento
(ex-pensamento, alienação ) é a representação do conhecimento, fora
da esfera da existência ( ou dentro do homem ) e, portanto, no âmbito
do conhecimento, onde não existe (não ex) mas está; porquanto o que
existe enquanto coisas no espaço
( se há espaço no sentido de fora e dentro do homem, o que acumula ou
amealha mais paradoxos suscitados pelo discurso ou lógica ( a lógica é
um investir em paradoxos insolúveis ) é algo tão complexo que não pode
existir senão enquanto representação por redução ou abstração, que é
o que se encontra na literatura ou nas literaturas específicas.
O paradoxo do interno e externo interior e exterior, enfim, o
paradoxo do “ex” está calcado na doutrina do maniqueísmo, informa esse
corpo doutrinário. Caracteriza uma antinomia clássica que dificulta a
missão da comunicação nas várias formas das linguagens, pondo fora a
língua, conquanto a língua seja mais uma linguagem, mas também mais
que uma linguagem o que, paradoxalmente, pode servir para as demais
linguagens que nunca sabemos quando são línguas ou quando estão
cumprindo missão de linguagem. É o paradoxo sorites.
O conhecimento está expresso integralmente pela Maniquéia, na doutrina
do maniqueísmo, que nada tem a ver com Maniqueu ou outros mitos e
ritos que põem homens enquanto ser de ação, o que não existe, não está
na existência, mas penas nas anedotas da essência, que conta a
história mais por meio de anedotas filosóficas ou científicas do que
de fato, na existência, que não pode ser movida por nós, humanos,
senão tecnicamente, e com os limites da técnica ou tecnologia
sobraçada nas línguas e linguagens que perfazem, o corpo das
matemáticas, geometrias, álgebras, enfim, os vários “idiomas”,
“dialetos” “tatibitates” e outras idiossincrasias” matemáticas e
lingüísticas, semânticas e semiológicas, banhadas a ouro na filosofia
enquanto ontologia, gnoseologia, epistemologia e nóetica, que
constroem ou constituem esse corpo Franskenstein da língua e da
linguagem, que é, e última instância, o reino de onde emerge as
ciências, todas calcadas na filosofia ou naquele conjunto vasto de
conhecimentos ( ontologia, lógica, teologia, ontoteologia,
epistemologia, gnoseologia, geometria, matemáticas, sociologia,
psicologia, etc.), pois o maniqueísmo, sendo o que é, em seu ser,
posto no discurso e não na existência, senão pelo corpo do homem e
pela técnica e tecnologia nas matemáticas e outras formas de
engenharia abstrata, que antecede os artefatos culturais, originários
da técnica ou tecnológias, nada mais que uma doutrina que não
atende aos apelos veementes, instantes, da realidade complexa, maior
que o pensamento; ou seja, o maniqueísmo não atende que é real, de
fato, existencial, que é assaz complexa e não pode ser sequer
representado, senão reduzida em tese, no por ou posição do ser ou
pensamento no mundo.
O único conhecimento que temos é que o sabemos da ausência do
conhecimento através dos paradoxos que os sábios e eruditos levantam,
a fim de demonstrar a fragilidade e a limitação do conhecimento, algo
meramente erudito, fundado na prova do sábio, ou do saber ( o saber é
a prova do conhecimento, mas quem não é réprobo entre os homens,
quando seu interesse está em jogo?).
O conhecimento de fato é um longo acervo de paradoxos e pouco mais.
Somente o paradoxo pode inventariar a realidade ou irrealidade do
conhecimento que, embora válido no sistema ou circuito hermético da
erudição, não tem existência, não atinge ou é partícipe da existência,
não está na corrente da existência, é apenas um dado real ou das
coisas espaçadas.
O agir do homem na existência ou sub-existência é semelhantes, e não
apenas similar, ao agir da bactéria na mesma existência, uma vez que
ambos, homem e bateria, coexistem, estão no mundo ou fora de si, no
sentido paradoxal de que estar no mundo é estar ao desabrigo de si,
fora (ex) do que o homem denomina interior, mente, intelecto, corpo,
etc. e que a bactéria, pelo que consta ou nem consta, não denomina
nada, excepto se seu modo de denominar seja diverso do modo do homem,
numa língua ou linguagem em que fale mais o corpo do que noção ou
vocábulos abstratos.
O ato da bactéria somente parece diferir do ato do ser humano ( a
bactéria é, outrossim, uma ser humano, do mesmo barro do homem, mesmos
átomos e moléculas similares) porque o ato da bactéria é uno,
unificado ato e pensamento, enquanto no homem é premeditado, tem o
impulso inicial no pensamento, é um lance de espírito e outro de alma
: uma duplicada. No mais guarda semelhança, na proporção de cada ente.
Para exemplificar e “exemplar” : se alguém divorcia do cônjuge
marital ou uxório, o outro consorte fica em desamparo momentâneo,
susceptível, ou ambos, o ficam, e os estranhos, os seres “exógenos”
vêem a oportunidade e penetram na relação, destruindo ou
desequilibrando ainda mais os ex-companheiros, bem como ocasionado
mais problemas e traumas para a prole, então já meio perdida, agindo
da mesma com que age rapidamente a bactéria “Clostridium difficile”.
O ato do homem só difere do ato da bactéria e outros animais, nossos
semelhantes, porque, além de estar fundado na existência, nela
ancorado, também está estribado no pensando, que é um alazão tipo o do
herói do imaginário, Hércules ( Heracles), ou seja, é ato além de
realizado pelo corpo humano, também é “ato” imaginado e maquinado,
composto pela tênue “matéria” ou “energia” da inexistência, ou seja,
de algo que está apenas no ser que produz os mitos na literatura,
através dos poetas, que nos fazem poetas também ao produzir textos
para lermos e, destarte, exercitar o poeta que canta dentro de nós, no
canto esquerdo ou direito do hemisfério cerebral, nos lobos,
protegidos por osso contra cães maiores ou menores a rutilar na
abóbada celeste. Eis a grande e única diferença que o homem e o animal
apresentam.
A atitude do médico ( ou qualquer outro profissional na sua respectiva
área de atuação) ao fazer seu prognóstico é um ato fundado no
pensamento mágico, na experiência, no empirismo, doutrina que faz da
prova ( algo tão complexo e um autêntico paradoxo, pois no que se
prova passa antes pela comunicação e não temos acesso senão a esse
comunicado que, por certo, e quase sempre, é, no mínimo, uma colocação
arbitrária e unilateral do ser que fez a prova; a prova em geral não
vem do probo, homem difícil de achar, “avis rara”, porém do réprobo, o
iníquo escravo das doutrinas e dos valores subjacentes, subjetivas,
“subjetivadas”, que escravizam seu pensamento, que não é de um homem
livre, desinteressado, despojado, mas o mero “despojo” ou “espólio”
oriundo de uma alma morta, um espírito ou pensamento plantado sobre um
vegetal morto há tempos e ressequido pelo sol cáustico do deserto, que
“planta” uma prova de interesse, de uma parte interessada na prova,
que comanda o ato probante e o provador venal, inflado à categoria de
pseudo-sábio, enfim, a prova produz ou perfaz inevitavelmente e por
sua natureza social, um ciclo de iniqüidade, o qual retrata a
sociedade no daguerrótipo e no fonógrafo ) pois, devido á complexidade
do tema abordado, a infinidade quase matemático de um infinito
matemático sobre a etiologia da doença, é ta vasta que a possibilidade
de acertar com o diagnóstico é um ato pernóstico, presunçoso.
Na realidade estamos, sem o saber, e muito menos conhecer, numa guerra
entre germes e outras criaturas invisíveis, hospedeiros e comensais,
que podem nos ferir de morte da noite para o dia. Estamos no meio de
uma guerra furiosa, furibunda, uma batalha das Fúrias contra o Fados e
As Gorgonas que vão acabar por nos matar, mercê de uma “bala” perdida
( e tanta são essa malsãs balas perdidas! cotidianas) que nem
percebemos que todo dia podemos estar mortos em segundos, fora outros
acidentes e incidentes.
Em meio a essa selva que vem desde dos tempos das cavernas precisamos
um Jesus “ressuscitado” ( sem as aspas! : há boçais para crer ) ,
salvos do vermes da morte, um Cristo que esteja nos remédios das
farmácias, portanto para ser ingerido e salvar-nos a morte iminente em
cada instante; estamos, enfim, inseguros e nos agarrando á última
tábua de salvação, desde os temos primevos, quando o homem não tinha
qualquer remédio, senão corpo, que era seu médico, seu sábio,
feiticeiro, xamã, seu Cristo, enfim, o salvador eterno e primitivo,
embutido e escondido nos genes que gemem de medo a cada estação.
Recorrente é o mito do conhecimento.
No que tange aos gregos, que inventaram a filosofia ( a única
filosofia é a grega; não existe outra filosofia, mas outras formas de
pensar, similares ao pré-socráticos, que, em Parmênides, e outros, já
são filósofos, mas estão, em Empédocles de Agrigento e Heráclito de
Éfeso, mais como pensadores ; minha família vem de lá, da Grécia, da
Hélade; para constar isso basta ler a onomástica em alemão ( os
topônimos são rastos por onde pisou um povo, representado por um ou
mais indivíduos da nação, etnia ou língua, ao seguir a onomástica do
lugar, como no caso específico da Groelândia, terra cuja onomástica
aponta quem esteve naquelas plagas ao nomear o lugar, deixando à
mostra sua língua nos radicais que compõem a palavra, um idioma
exótico, de um povo que veio de longe, a explorar, dentre outros
inúmeros exemplos.
Outro paradigma : o patronímico Griebel, ou Gribel, que pode ser uma
corruptela ou uma variação do nome original ( ou de algum dos
originais do sobrenome ) , designa, na língua alemã, a família ou um
indivíduo do sexo masculino, possivelmente, que vieram da Grécia, ou
Hálade, ou em alemão : Griechenland, os griechisch, na qual a raiz
grie e land são óbvias; no latim é græcus. Todavia, os "gregos" se
chamavam de helenos, os filhos da Hélade, em Ésquilo, o gênio
trágico.Hellas, Hellada, no latim; no grego: Hellás. Aliás, gregos e
italianos se mesclam no complexo das relações étnicas-culturais.
O etnônimo latino Græcia vem do grego graikós, com os quais se
seguemos respectivos epítetos no gentílico. Eruditismo calcado no
latim, a língua erudita por excelência; aliás, a palavra "erudito" vem
do latim.
Mas isso só tem valor de descoberta erudita; não outra qualquer, nem
qualquer ilação varada na vanidade.
Claro que toda essa arenga ou arrazoada arranjado num passa de
conhecimento, ou seja, algo falho, pontuado de senões ; a família ou
um homem que veio da Grécia ou Hélade para a Alemanha, teria chegado
antes em qual país? E aqueles que vieram da Grécia vieram de que
lugar, antes de vir para a Hélade? Todos esses quesitos são
pertinentes, demonstram o paradoxo do conhecimento, que é sempre
arbitrário, por mais livre que seja, e que e não pode ser de outro
feitio, pois do contrário não teríamos sequer a representação do
conhecimento, uma vez que o conhecimento mesmo, de fato e de direito,
não tem fim e não acabaria jamais de ser aplicado ou exposto. Ele, o
conhecimento, esbarra com a limitada da física, química, temporal.,
espacial do homem; logo, é impossível um espaço ou tempo “humano”
aonde possa ser inserido o conhecimento, mas apenas sua representação
sintética é possível.

Toda tese só passa a ser necessária se levantar-se contra ela uma
antítese ; sem antítese não há tese, nem tampouco síntese : este outro
paradoxo do conhecimento. Se um homem entendesse o outro, na sua tese,
aceitasse-a passivamente e pacificamente não haveria construção da
representação do conhecimento, mas dogma, que é a presunção
fossilizada de verdade que a Igreja, o governo, o estado, enfim, as
instituições e o direito, enquanto entidade que dá força de lei ao
dogma. O conhecimento é o desentendimento, a dúvida, a descrença no
outro, o cepticismo, a fé em si.
A validade e validação da tese está em sua antítese, que a reconhece
enquanto perturbação ou turbação crítica, agressão.
O paradoxo é o conhecimento; pois no paradoxo é o conhecimento de que
não é possível conhecer, mas apenas representar o conhecimento como um
ator ou agente social, de uma forma poética, filosófica, política,
dramática, enfim, com os ritos e mitos disponíveis na literatura e no
teatro. Aliás, o teatro aqui, bem como a literatura, tem sentido
amplo, não envolve somente o teatro convencional, mas também o rito
dramático da Igreja, do Estado com seu Direito, da ciência, etc., bem
como as respectivas literaturas filosóficas,médicas, científicas,
enfim, mitológicas. O teatro, em lato senso, é o rito e o mito
generalizado nas instituições que objetivam alienar o homem pela
repetição incansável de ritos e mitos na suas mais variegadas e
diversificadas formas , não obstante serem o mesmo mito e o mesmo
rito, cuja forma é a mesma e a modificação e apenas uma improvisação
necessária para atender ao cliente e ao que vendedor de ilusões.
O povo não precisa de verdade ou conhecimento, mas sim de comida,
alimento, vestuário, saúde, educação,diversão, entretenimento : pão e
circo romanos. Nem imagina para que serve os paradoxos e nem tampouco
que eles, os paradoxos, é que constituem o único conhecimento que
podemos apreender enquanto seres finitos e temporais, sendo o
conhecimento vasto demais para caber numa vida finita e eivada de
percalços.
Os paradoxos lógicos na matemática tendem a ser mais abundantes visto
que a matemática é uma ciência instrumental para ação; seno arte
ciência ( filosofia) e parte técnica, a matemática tende mais a agir
ou é utilizada como agente no lugar e como vestuário de agir do homem
do que língua ou linguagem. É uma linguagem que age, ou seja, a
matemática é o ser humano agindo por linguagem ou por meio da
linguagem acurada da matemática.
As matemáticas sofrem desse paradoxo essencial.Tem função bijetora : é
um sujeito agindo sem ser sujeito humano, ou seja, sem ser sujeito de
fato, sem ter sujeito ou ser subjetivo no ato precedente ao fato ( ato
precede fato : história do ato é o fato, o feito, o realizado, etc.)
mas, paradoxalmente, um sujeito no que se nomeia como tal um ente que
age, um sujeito e não um objeto, sendo que a matemática é um objeto do
homem e para o homem e pelo homem., mas pode agir enquanto sujeito
abstrato, mesmo tirando o homem do mundo, numa ação sem corpo humano,
porém como corpo teórico ( “corpus Aristotelicum”).
Construída tecnicamente e racionalmente para ser uma ciência de ação,
as matemáticas podem agir por meio de um rito abstrato, sem qualquer
impulso humano, vez que elas traze em seu bojo o rito e o mito, a
máquina de agir, posta em abstrato, e de pensar, no mito, pois todo
pensamento é um mito fundado necessariamente num paradoxo que o
constrói e o destrói simultaneamente.
Nada no pensamento abordamos sem o paradoxo, pois o paradoxo está na
origem e na essência do conhecimento ou da dicotomia entre
conhecimento e existência, ser posto pelo homem no discurso, nas
linguagens e fora da linguagem enquanto outro ato humano que não é
linguagem e linguagem ou semiótica quando o homem silencia o discurso
e as supostas linguagens no ato de agir sem pensamento, no ato zen, do
budista, ou na ioga do guru que, não obstante, mesmo mediante todo
esforço, carrega a linguagem corporal nos signos anatômicos e
fisiológicos.
No maniqueísmo o mal sempre é o outro, sendo o outro sempre também o
mesmo outro no outro; ambos são o outro considerado o ponto
referencial do sujeito; um sujeito submete o outro sujeito a objeto,
rebaixo-o a tal, mas o processo é inverso quando o referencial parte
do ser que antes será objeto posto pelo ser do outro, porem, quando
posto pelo ser em outro ponto referencial o sujeito e o objeto mudam
de posição e o ser também; no entanto, a coisa permanece, pois por ela
não passa o ser, mas somente a percepção que produz a parte do ser
denominada sensibilidade ou percepção. Este é outro de infinitos
paradoxos que,paradoxalmente, não são infinitos, porquanto infinito é
mais um paradoxo adicionado ao monte, do qual fazemos um paradoxo
sorites.