O retrato movediço nos filmes de Hollywood
abriga a indústria do entretenimento
com o advento do cinematógrafo
do qual a metonímia ou transnominação
faz uma instância do metônimo
( A sala do cinema
em função da metonímia
é um metônimo que nomeia o recinto do cinema
e o cinematógrafo ou equipamento
cuja função é a de passar para a atela
as obras cinematográficas
através dos fotogramas
com estribo no movimento beta
um tipo de "estribilho" psicológico )
O cinema em seus pioneiros
tartamudo em Chaplin...
mostra um tempo a vagir
antes do meu primeiro dia ao sol
sem saber que havia um girassol no vento
colhendo moinhos de vento
e meninos e meninas
no seu receptáculo para amarelo capitular
( o girassol é uma flor em capítulo
assim como outras tem inflorescências em rácimo
umbela corimbo amentilho espádice espiga cimeira bípara... )
O tempo pingue nos filmes de Hollywod
enquanto indústria de entretenimento
enovela-se em vetustos retratos sucessivos
oriundos da captação da luz
de um dia cálido e concatenado
num calidoscópio que a imagem latente do daguerrótipo
havia aprisionado numa lâmina
protegido num cristal
após o fluxo e a fixação da imagem
que é uma hagiografia da química
no amplexo com a matéria utilizada
( A fotografia ou processo fotográfico
é uma reação da química
provocada por um ato humano :
o ato de pensar ler e grafar
o caleidoscópio impresso nos versos funéreos
perpassando através do instantâneo
a esculpir o emergir e imergir simultâneo
do ser e vir-a-ser flagrados no retrato
em face da mente atribulada do poeta Alan Poe
em sua imagem mais conhecida
alumiada pelo daguerrótipo
um ícone do tempo
que outrossim capta o séquito da morte nos olhos do poeta /
retrata-a com seus convivas /
- os taciturnos comensais do banquete /
que será servido em casa /
com seus acepipes /
suas iguarias e guloseimas /
O retrato do bardo da América no hemisfério setentrional /
pode ilustrar a obra de Aristóteles sobre a fisiognomonia /
O homem é o catalisador da reação química /
produz a sua catálise /
enquanto aflito na clareira aberta pelo daguerrótipo /
que plasma um espaço no tempo /
sucessivamente e extensivamente /
no dicotômico olhar dos sentidos /
fomentadores do conhecimento /
que não passa de um paradoxo de sorites /
- o homem é o daguerrótipo! /
este seu semblante de centauro /
- em centauromaquia pelas ranhuras do tempo /
que narra uma história trágica /
escrita para olhos de homem afligido pela proximidade da morte /
tragédia legível nos olhos do rapsodo Alan Poe /
hoje descido ao solo argiloso /
O tempo armazenado na filmoteca de Hollywood
desenha caminhões
arrastando atrás de seu rasto
do daguerrótipo em diante
uma coleção de fantasmas redivivos
as ressuscitações de Cristos no cinema
que cria ou inventa outra alma
que não e mais a alma do paganismos no latim clássico
nem tampouco simplista, homogênea e precária alma
do cristão e do sacristão sacrílego
mas uma alma cinestésica
- alma em cinestesia
no sentido muscular
quando no envoltório de uma metáfora
que ocasiona uma licença poética
a qual remete o poeta ao privilégio infausto
de por por o vocábulo para o motor muscular
e o moto contínuo no cinema
em lugar da percepção
que origina uma sinestesia delirante
- a percepção sensorial em Baudelaire
que coloca a sensação numa rede semântica
acenando para uma semiologia e semiótica
posteriores às pastorais do poeta gaulês
que compreendia a natureza intrínseca da sensibilidade
toda uma fenomenologia poética-filosófica refinada
de fundo vegetal
originária na fauna e flora da alma e do espírito humano
( o cinema é uma inovação da alma
em transição do latim romano
para o refugo do latim cristão deteriorado
- o cinema é a alma cinestésica
ou desarraigada da cinestesia metafísica-cristã
para os arroubos cinestésicos
induzidos em cinéfilos
como se esses fossem bobinas para indução eletrostática
No caso, uma centelha elétrica
concebida por Otto Von Guerick
inventor do dispositivo gerador de energia eléctrica estática
físico que estudou o vácuo, a pneumática e a propagação do som )
O mundo no retrato está entre a entalpia e entropia
conquanto não para sembrar antinomias
que não há entre os vocábulos
que timbram em ser "dissidentes"
( a locução de um homem
pode dissentir de outro interlocutor
porém não o vocábulo
que não pensa
mas sim é pensado pelo homem
a cismar dentro do rio de piche
que é a noite
- uma ribeira para ao barqueiro Caronte )
Todavia, pensamos por meio de um maniqueísmo
o qual fundamenta o ser pensado
- no caso, as reações químicas
cuja função é redesenhar
na prancheta de um arquitecto da vida
( que são os artistas!
esses arquitetos e engenheiros vegetais, vitais )
a anatomia e a fisiologia
as quais "ciências" são os escultores de engenho
na engenharia e reengenharia do corpo humano-animal
no decurso da vida
pois ninguém é trânsfuga
e não há refugo vivo
( Aos trovadores fica o estudo
do corpo anatômico e fisiológico do centauro
do sátiro, da linfa na ninfa
da ninfomaníaca e outras divas
nas cantigas de amigo e amor
do rapsodo com timbre de violino ou violoncelo
cheio de anelo pelo belo
enleado e prenhe de significação )
O retrato recobre o tempo pretérito
tece em torno dele um casulo
ou um repositório sucinto
caminho sobre o tempo
revisitando seus contornos
sobre a poeira assente
então nas coisas tangíveis
que o lápis de luz e treva debuxa
no quadro de Vermeer
celebérrimo artista holandês
em perene enleio
ante sua vida meteórica
( Neederland, Neederland!...
da escola dos pintores flamengos
- escola flamenga de prolífica brasa )
ou nos retratos cinéticos
aonde os trastes posam com todo garbo
assim como as atrizes se mostram faceiras
ridentes maviosas fugazes
junto aos galãs garbosos
que vivem o pó de luz
- a réstia no retrato )
De se Lamentar que o retrato no cinema
exibido num ato ostensivo e prepotente
de frenesi impudente leviano sumário
atos de homens ou bestas destituídos de escrúpulos
transcritos nos debuxos e gravados
no estilo amaríssimo de Goya
em seus irônicos, sarcásticos, desdenhosos caprichos
nos quais retrata a ação ignóbil
biltre vil tumultuosa deletéria ruinosa calamitosa
o opróbrio vexatório atribuído ao genocida contumaz
e concernente aos parricidas regicidas matricidas fratricidas
- e alguns soldados ou guerreiros remunerados enquanto sicários
cujo desiderato é o de perpetrar assassínios...
perpetuar crimes legítimos
porquanto embasados no despotismo da lei
dos estados cujo povo sofre opressão e é vilipendiado
enquanto os criminosos no sólio do poder
vão recebendo comendas e medalhas auríferas
louros e guirlandas tais e mais sórdidas
que a luz do sol sobre tal estado de fatos
e atos oprobriosos ignominiosos
pertinentes ao atos sub-animais
pontuais e notórios em tais sub-tiranias medonhas
cujos mandatários aprestam suas biografias eivadas de máculas
- nódoas indeléveis que caracterizam os déspotas
sempiternos senhores dos poderes do Tântalo
e das torturas de Sísifo
quando o estado é o Hades
onde o poema de Dante põe a maioria ou povo
enquanto alguns eleitos vão ao paraíso
de um jardim do Éden ou das Hespérides
Não importa se as insígnias sejam o báculo
e o prelado em suas prelazias ou prelatura
faça uso do hierofante heráldico
ou férula papal
o brasão e a mitra
a qual cobre a cabeça prelatícia
a ínfula que desce às espáduas ou escápula
a tiara papal com três diademas
ornamentada com gemas preciosas e pérolas;
enfim : a heráldica eclesiástica
uma espécie de paradoxo sorites
cuja função é assinalar a fragilidade dos sistemas dogmáticos
ou da gnoseologia do pensador sob dogmas
( Todo sistema de pensar
labuta em exegética supérflua
a especular o ser e a existência
infensa às investidas da hermenêutica falaz
toda aplainada para a essência )
Os relógios...os relógios! : são retratos do tempo
Todavia antes dos relógios
dos fonógrafos e das clepsidras
do cinematógrafo e outros equipamentos congêneres
haviam outros retratos
que o daguerrótipo não pôs em olhos objetivos
não cristalizou no tempo
- tempo geológico dos cristais
na tradição das eras
a reverberar nas faces fotografadas
para ato fisiognomônico
quarta-feira, 22 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
ILUSTRA ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia wiki )
Não acho que amo hagiograficamente /
a São Francisco de Assis do rio pisado /
- São Francisco de Assis em ribeirão /
que baptizou meus pés /
quando o profeta era baptista por lá
á jusante daqueles águas à montante /
do meu coração de menino passarinho no ninho
a pipilar ao devorar as minhocas /
que me trazia o pelicano pai /
e minha mãe, alcatraz branco /
Não, não gosto de São Francisco de Assis /
mendigo italiano medieval /
errabundo pelo mundo /
medievo homem mendicante /
fascinado pela pobreza abstracta /
pois de fato era filho de um nababo local /
- nascera sob a opulência /
vivera de forma nababesca /
até seu alumbramento /
no sentido pneumotórax de Manuel Bandeira /
bardo em ritmo dissoluto /
assim como a poetisa Safo /
da ilha de Lesbos /
quase sibila /
no que sibila o vento passageiro /
( Toda sua concupiscência /
lançada em suas rapsódias fugazes /
a se esvair languidamente /
no que era a cinza do tempo /
- um tabagista peremptório /
o tempo a mascar o fumo nos relógios ) /
Foi canonizado pela igreja católica apostólica romana /
este idólatra que cultuava o Santo Lenho /
porquanto os santos da igreja /
vinham para propiciar hagiografias fecundas /
cujo escopo era amealhar poder para a igreja /
Eram santos de época /
ou o tempo arquitectado pelo homem /
sobre a caberia e os ossos dos antepassados frades /
padres e outros clérigos /
que serviam a igreja /
vivos ou mortos /
As insígnias que o cobriam feito veste talar
não era a metáfora da pobreza /
mas o cíngulo com que rodeava a cintura /
a estola e a casula do prelado /
não trazia báculo mitra tiara
mas tonsura sim
nem tampouco solidéu
ou outro símbolo da heráldica eclesiástica
tiara hierofante ou férula /
não estava neste pingue personagem medieval
da idade média central /
no hemisfério ou hemistíquio das trevas /
derramadas no tempo /
que cozeu o contexto daquele anacoreta /
Não menosprezo os atos de São Francisco de Assis /
enquadro-os em intercontextualização /
mendigo italiano medieval /
medievo mendigo /
canonizado pela igreja católica apostólica romana /
nem tampouco do romantismo italiano /
- romantismo que aloco em Assis /
em época nada romântica /
de um tempo medieval /
cercado por templos /
em formato de catedral gótica /
e castelos feudais /
São Francisco de Assis /
não passava de um mendigo medieval /
medievo ser de época /
camada geológico do seu tempo /
estela franciscana apagada em geoglifos ( ou geóglifos) /
cuja vida imaginária /
esplende beleza e candor irresistível /
A história sem escrita /
mas sim na existência /
no tempo do homem /
é a de um certo Giovanni de Pietro di Bernardone /
um italiano esbanjador de paixões /
um homem que construiu em roda de si /
o seu tempo-de-idiossincrasia /
para contrastar com o tempo genérico dos homens /
espargido em redes para peixes miúdos e podres /
( o tempo é um produto ou um feito do homem /
mas alguns homens personalíssimos /
cuja inteligência é indômita e selvática /
fabricam seu tempo personalíssmo /
exegetas que são do tempo alienado /
que sói sair nos retratos /
nos vetustos daguerrótipos /
que ainda vêem o poeta Alan Poe /
sem nenhum corvo agourento /
( São Francisco de Assis /
é apenas um vocábulo no dicionário onomástico /
para servir à literatura /
narrar uma bela história literária /
transcrever um drama para o teatro /
ou uma reminiscência trágica /
com lastro nas hagiografias do mártires cristãos /
dos tempos de antanho /
quando Santo Antão nem chegara às tebaidas
muito menos à obra de Salvador Dali ou Goya ) /
Acho que o que me atrai é da tonsura /
- da tonsura de São Francisco de Assis /
santo no imaginário da ficção do Direito canónico /
( todo Direito é uma literatura escrita para uma ópera /
ou para representar no teatro próprio /
com e com rito apropriado ao contexto /
que rima com o escrito ) /
- asceta metido em surrão remendado /
roto paramento da ascese /
cordas cingindo a cintura /
( o nome eclesiástico para essa "cordas" rotas /
no jargão da prelazia é "cíngalo" ) /
- já no jargão da matemática /
cordas designam senos trigonométricos /
Entretando, o santo seráfico
não tocava tais cordas de viola ou alaúde, cítara /
porém cordas para tocar /
num coração cálido /
de ardente paixão pulsante /
à maneira dos italianos /
pois este coração o frade exibia no peito /
( O frade de Assis ostentara intensa paixão /
no decurso de sua vida breve /
Era um homem intenso /
de vigoroso temperamento /
e vontade onipotente! /
- um deus, uma divindade medieval! ) /
São Francisco de Assis /
o homem representado por Giotto /
( amo São Francisco de Assis na obra de Giotto ) /
porquanto o santo de Assis /
era um homem das dores /
prescrito nos vaticínios do profeta Isaías /
poeta da mais alta cepa /
este profeta teatral /
que amava o bombástico /
e os oráculos terrificantes /
mas também um arauto do evangelho /
que quase leva o progenitor à bancarrota /
( Este santo é um nume da igreja católica /
cuja hagiografia idílica ou romanceada /
embasada em panegíricos e apologias /
exorta um proêmio ao devaneio /
ilustra, no entanto, a megalomania do pai seráfico /
- sua vida medieval é proverbial /
mesmo metamorfoseada na tradição oral /
profícua em erigir formosura /
a haurir numa vida medíocre e ocasional /
com notório gris por cor /) /
Fico embevecido com a ordem dos mendigos /
cujo nome ou inteligência nomeada /
põe em lugar do mendigo miserável e infeliz /
o vocábulo mendicante /
das ordens em forma na idade média efervescente /
então evanescente /
nas vascas da agonia /
no seu ocaso /
que afina harmoniosamente /
com a voz sofisticada do violino mais estridente da orquestra /
o magno soprano /
que não sopra o anjo da goela ou da laringe /
mas dá a tónica da nota da Ordem mendicante /
a qual se estriba num dó maior sustenido bemol /
( ou algo assim musical timbrado ) /
e floresce melhor em qualquer solo /
( solo de violoncelo belo! /
ou anelo por esse solo ) /
quer seja este solo para clarinete /
e não tão-somente para tuba em solilóquio /
num solipsismo lastimoso /
moroso e lacrimoso /
solo só solene e sem soluço de violino divino em hino! /
- violino em solitude de fagote /
vivo no sopro do músico solista /
- músico cuja filosofia é o solipsismo /
amuado no solo de oboé cantante /
a rumorejar no riacho pequenino de riso em menino /
- bem pequenino menino /
menino Jesus /
pois menino é menino /
- é menino Jesus! /
é filho dos tempos em desarranjo de banjo nos relógios /
neto no tempo para miosótis em êxtase /
bisneto ou trisneto em tempo em que houve a metamorfose nos desenhos /
nos artefactos tangíveis e nas coisas intangíveis /
para o macróbio sobrevivente às intempéries abruptas /
e às vicissitudes da vida /
se cônjuge supérstite /
quando o homem logra sobreviver à viúva eterna /
à viúva de Sarepta /
visitada pelo profeta Elias /
- mulheres sempiternas /
e ternas, sempre ternas /
da ternura infusa nas dálias /
nas amapolas, gerânios, no alecrim campestre... /
floradas de uma meiguice silvestre! /
ou capitulares no girassol /
que gira o sol na abóbada celeste /
para violinista celeste /
ou verde se o violino está nos baixios /
aonde vai o arroio e o arroz dos campos /
estepes, tundras, cerrado, paul... /
Ser o menino Jesus /
o bem pequenino menino Jesus /
era o desiderato de São Francisco de Assis /
o pequenino São Francisco de Assis /
cujo sonho acordou com a montagem do presépio /
- a invenção do presépio tirado ao surreal /
à areia do surreal que enche a praia da ilha onírica /
( Haverá uma cor onírica /
para se apreciar na aldeia abandonada na imaginação /
para onde peregrina o artista /
toda a noite /
através do véu da madrugada "frígida"?!...) /
Oh! o pio presépio de São Francisco de Assis! /
um frade menor /
criador da ordem menor /
fundador da ordem dos irmãos mínimos /
para não dizer os irmãos meninos /
- a Ordem dos Irmãos Meninos-Jesus!
( A Ordem Franciscana dos Meninos Jesus /
ou frades menores ) /
a São Francisco de Assis do rio pisado /
- São Francisco de Assis em ribeirão /
que baptizou meus pés /
quando o profeta era baptista por lá
á jusante daqueles águas à montante /
do meu coração de menino passarinho no ninho
a pipilar ao devorar as minhocas /
que me trazia o pelicano pai /
e minha mãe, alcatraz branco /
Não, não gosto de São Francisco de Assis /
mendigo italiano medieval /
errabundo pelo mundo /
medievo homem mendicante /
fascinado pela pobreza abstracta /
pois de fato era filho de um nababo local /
- nascera sob a opulência /
vivera de forma nababesca /
até seu alumbramento /
no sentido pneumotórax de Manuel Bandeira /
bardo em ritmo dissoluto /
assim como a poetisa Safo /
da ilha de Lesbos /
quase sibila /
no que sibila o vento passageiro /
( Toda sua concupiscência /
lançada em suas rapsódias fugazes /
a se esvair languidamente /
no que era a cinza do tempo /
- um tabagista peremptório /
o tempo a mascar o fumo nos relógios ) /
Foi canonizado pela igreja católica apostólica romana /
este idólatra que cultuava o Santo Lenho /
porquanto os santos da igreja /
vinham para propiciar hagiografias fecundas /
cujo escopo era amealhar poder para a igreja /
Eram santos de época /
ou o tempo arquitectado pelo homem /
sobre a caberia e os ossos dos antepassados frades /
padres e outros clérigos /
que serviam a igreja /
vivos ou mortos /
As insígnias que o cobriam feito veste talar
não era a metáfora da pobreza /
mas o cíngulo com que rodeava a cintura /
a estola e a casula do prelado /
não trazia báculo mitra tiara
mas tonsura sim
nem tampouco solidéu
ou outro símbolo da heráldica eclesiástica
tiara hierofante ou férula /
não estava neste pingue personagem medieval
da idade média central /
no hemisfério ou hemistíquio das trevas /
derramadas no tempo /
que cozeu o contexto daquele anacoreta /
Não menosprezo os atos de São Francisco de Assis /
enquadro-os em intercontextualização /
mendigo italiano medieval /
medievo mendigo /
canonizado pela igreja católica apostólica romana /
nem tampouco do romantismo italiano /
- romantismo que aloco em Assis /
em época nada romântica /
de um tempo medieval /
cercado por templos /
em formato de catedral gótica /
e castelos feudais /
São Francisco de Assis /
não passava de um mendigo medieval /
medievo ser de época /
camada geológico do seu tempo /
estela franciscana apagada em geoglifos ( ou geóglifos) /
cuja vida imaginária /
esplende beleza e candor irresistível /
A história sem escrita /
mas sim na existência /
no tempo do homem /
é a de um certo Giovanni de Pietro di Bernardone /
um italiano esbanjador de paixões /
um homem que construiu em roda de si /
o seu tempo-de-idiossincrasia /
para contrastar com o tempo genérico dos homens /
espargido em redes para peixes miúdos e podres /
( o tempo é um produto ou um feito do homem /
mas alguns homens personalíssimos /
cuja inteligência é indômita e selvática /
fabricam seu tempo personalíssmo /
exegetas que são do tempo alienado /
que sói sair nos retratos /
nos vetustos daguerrótipos /
que ainda vêem o poeta Alan Poe /
sem nenhum corvo agourento /
( São Francisco de Assis /
é apenas um vocábulo no dicionário onomástico /
para servir à literatura /
narrar uma bela história literária /
transcrever um drama para o teatro /
ou uma reminiscência trágica /
com lastro nas hagiografias do mártires cristãos /
dos tempos de antanho /
quando Santo Antão nem chegara às tebaidas
muito menos à obra de Salvador Dali ou Goya ) /
Acho que o que me atrai é da tonsura /
- da tonsura de São Francisco de Assis /
santo no imaginário da ficção do Direito canónico /
( todo Direito é uma literatura escrita para uma ópera /
ou para representar no teatro próprio /
com e com rito apropriado ao contexto /
que rima com o escrito ) /
- asceta metido em surrão remendado /
roto paramento da ascese /
cordas cingindo a cintura /
( o nome eclesiástico para essa "cordas" rotas /
no jargão da prelazia é "cíngalo" ) /
- já no jargão da matemática /
cordas designam senos trigonométricos /
Entretando, o santo seráfico
não tocava tais cordas de viola ou alaúde, cítara /
porém cordas para tocar /
num coração cálido /
de ardente paixão pulsante /
à maneira dos italianos /
pois este coração o frade exibia no peito /
( O frade de Assis ostentara intensa paixão /
no decurso de sua vida breve /
Era um homem intenso /
de vigoroso temperamento /
e vontade onipotente! /
- um deus, uma divindade medieval! ) /
São Francisco de Assis /
o homem representado por Giotto /
( amo São Francisco de Assis na obra de Giotto ) /
porquanto o santo de Assis /
era um homem das dores /
prescrito nos vaticínios do profeta Isaías /
poeta da mais alta cepa /
este profeta teatral /
que amava o bombástico /
e os oráculos terrificantes /
mas também um arauto do evangelho /
que quase leva o progenitor à bancarrota /
( Este santo é um nume da igreja católica /
cuja hagiografia idílica ou romanceada /
embasada em panegíricos e apologias /
exorta um proêmio ao devaneio /
ilustra, no entanto, a megalomania do pai seráfico /
- sua vida medieval é proverbial /
mesmo metamorfoseada na tradição oral /
profícua em erigir formosura /
a haurir numa vida medíocre e ocasional /
com notório gris por cor /) /
Fico embevecido com a ordem dos mendigos /
cujo nome ou inteligência nomeada /
põe em lugar do mendigo miserável e infeliz /
o vocábulo mendicante /
das ordens em forma na idade média efervescente /
então evanescente /
nas vascas da agonia /
no seu ocaso /
que afina harmoniosamente /
com a voz sofisticada do violino mais estridente da orquestra /
o magno soprano /
que não sopra o anjo da goela ou da laringe /
mas dá a tónica da nota da Ordem mendicante /
a qual se estriba num dó maior sustenido bemol /
( ou algo assim musical timbrado ) /
e floresce melhor em qualquer solo /
( solo de violoncelo belo! /
ou anelo por esse solo ) /
quer seja este solo para clarinete /
e não tão-somente para tuba em solilóquio /
num solipsismo lastimoso /
moroso e lacrimoso /
solo só solene e sem soluço de violino divino em hino! /
- violino em solitude de fagote /
vivo no sopro do músico solista /
- músico cuja filosofia é o solipsismo /
amuado no solo de oboé cantante /
a rumorejar no riacho pequenino de riso em menino /
- bem pequenino menino /
menino Jesus /
pois menino é menino /
- é menino Jesus! /
é filho dos tempos em desarranjo de banjo nos relógios /
neto no tempo para miosótis em êxtase /
bisneto ou trisneto em tempo em que houve a metamorfose nos desenhos /
nos artefactos tangíveis e nas coisas intangíveis /
para o macróbio sobrevivente às intempéries abruptas /
e às vicissitudes da vida /
se cônjuge supérstite /
quando o homem logra sobreviver à viúva eterna /
à viúva de Sarepta /
visitada pelo profeta Elias /
- mulheres sempiternas /
e ternas, sempre ternas /
da ternura infusa nas dálias /
nas amapolas, gerânios, no alecrim campestre... /
floradas de uma meiguice silvestre! /
ou capitulares no girassol /
que gira o sol na abóbada celeste /
para violinista celeste /
ou verde se o violino está nos baixios /
aonde vai o arroio e o arroz dos campos /
estepes, tundras, cerrado, paul... /
Ser o menino Jesus /
o bem pequenino menino Jesus /
era o desiderato de São Francisco de Assis /
o pequenino São Francisco de Assis /
cujo sonho acordou com a montagem do presépio /
- a invenção do presépio tirado ao surreal /
à areia do surreal que enche a praia da ilha onírica /
( Haverá uma cor onírica /
para se apreciar na aldeia abandonada na imaginação /
para onde peregrina o artista /
toda a noite /
através do véu da madrugada "frígida"?!...) /
Oh! o pio presépio de São Francisco de Assis! /
um frade menor /
criador da ordem menor /
fundador da ordem dos irmãos mínimos /
para não dizer os irmãos meninos /
- a Ordem dos Irmãos Meninos-Jesus!
( A Ordem Franciscana dos Meninos Jesus /
ou frades menores ) /
domingo, 19 de junho de 2011
FILISTEUS ( wikcionario dicionario onomastico etimologia enciclopedia )
O humanismo é, antes de uma doutrina, ou teoria, uma atitude do homem
ante a sociedade e cultura, uma reposta ou uma ação crítica aos
abusos que civilização perpetra, paulatinamente, contra o indivíduo,
quando essa civilização começa s se enrijecer com normas cada vez mais
independentes da vontade humana, com fulcro tão-somente em vontade
política, que é a vontade de ninguém, exceto dos interesses dos donos
do poder, seja ele econômico, jurídico, executivo, legislativo,
judiciário, ou do poder dos meios de comunicação de e massa, que
massacram impiedosamente seus adversários, reduzindo-os a pó, agindo e
reagindo ( na realidade mais reagindo que agindo, pois não está na
esfera do pensamento humano não alienado : o poder é uma esfera que
existe alienado do pensamento humano em alma ( um pensar morto e
sepultado com o filósofo morto ), porém vigente ainda no " espírito
das leis", espírito sem alma , ou pensamento morto, leis essas que, pela
farsa da impessoalidade, pune quem deseja punir
e faz galgar aqueles que são servos úteis aos poderosos). Não há
espírito algum em lei sem alma ( alma sempre em sentido-latim pagão,
não o cristão, que remodela o termo ao cunhar outra idéia fundante da
estultícia cristã e sua gnosiologia inerme, pusilânime ). Lei pétrea
ou com tal cláusula ( ou clausura?).
Nenhum poderoso é humanista, porquanto não é possível ser humanista
sendo psicopata, vivendo sob o anátema ou o estigma da psicose ou do
poder, que traz a megalomania inexoravelmente. A paranóia decompõe o
homem em vida, rasga a alma de par a par. Marx, sim, era um humanista
ferrenho, conquanto materialista dialético, ateu. Contudo, em sua
tolerância, nada tinha a opor a deístas ou ateístas, fora do estado
que rumava para a utopia do comunismo marxiano.
O humanismo, mais que tudo, é uma atitude, mas antes de ser uma
atitude radical é uma noética ( não creio ser viável qualquer ética,
mas sim a noética, que é
a inteligência da ética ou comportamento humano racional ) : dá-se
esta atitude radical quando o homem se põe no centro do universo,
tomando o lugar de Deus ou dos deuses.
Tudo isso ocorre no sentido negativo da polar ou bipolar maniquéia
que perpassa todo o pensamento humano, em todas as culturas, desde as
brumas dos tempos imemoriais, guardados, entretanto, no relicário
genético, implica num vetor totalitarista, num totalitarismo à maneira
das piores ditaduras da histórias, se, de fato, não discutindo o
direito, há, nas instituições humanas, outra forma de política que não
seja a ditadura.
A ditadura é a pior forma de alienação do pensamento ; tal forma de
pensar alijada da realidade humana do homem provem da religião, que
plasma as demais instituições ou alienações do pensamento. A religião
é a primitiva forma e conteúdo da ditadura.
Talvez por isso, ou por esse ar no cérebro, Marx tenha aventado a
idéia de ditadura do proletariado ( lúmpen-proletariado), cônscio,
quem sabe,que era o único
modelo do poder, seu paradigma inelutável. A inelutável ditadura do
povo, par ao povo e ao pelo do povo. Sofrível democracia! ( A
democracia e as demais formas de governo são tiranias moderadas ;
quando falta essa moderação, que se caracteriza por uma certa medida,
um comedimento na aplicação da dieta, a qual evoca a virtude da
“temperança”, em regime governamental, então a boca do povo vai ao
dicionário onomástico, “filosófico” ou etimológico e berra,
esbraveja, faz o consumo da palavra “tirania” ou ditadura. Em que pese
o universo onírico que verga os vocábulos para a utopia e o idílio,
todos os governantes são ditadores, tiranos, caudilhos, sátrapas.
No que tange à natureza da ditadura, quiçá seja a democracia, ou a
nobreza, a monarquia, enfim, todas essas formas e demais, não
arroladas, no sumário, formas brandas de ditadura, que a palavra, com
sua capacidade plástica e sua tendência inata, na alma do homem, ao
sofisma, não tenha mitigado o que sempre é uma ditadura em várias
modalidades.
A oligarquia mesmo é uma ditadura e está presente dentro de qualquer
democracia, na alma e no espírito da República e até da utopia, que é
uma república à parte, jogada no onírico e no Direito, que partilha o
legado do onírico durante a vigília, porquanto o Direito é mera e
meritória ficção poética, dramática, ritual, com provas fictícias e
quase nenhum homem probo para trazer a prova à baila ou a lume de um
pequenino vaga-lume na escuridão da noite que o ronda sem assas de
coleóptero, as quais o pirilampo ostenta desdenhoso ante a improbidade
do homem, que, assim réprobo, nada pode provar, senão através
expedientes fraudulentos e
fraudes, interpretações obscuras e eivadas de interesses escusos,
ignominiosos.
O homem, em geral, é a própria representação iconográfica da
ignomínia, da perversão, da boçalidade que lhe toma o beiço, a face
inteira! E, efetivamente, um ser lamentável, um misantropo em
sociedade, um misógino
efetivo. Uma hecatombe, calamidade, pior e mais perverso que um
cataclismo natural : "Ecco homo".
Erasmo de Rotterdan, talvez o primeiro humanista, ou o dos mais
competentes e um dos mais celebrados humanistas, tem esta posição,
algo esdrúxula, uma bizarrice ( mas o homem é bizarro! : assim somos )
: coloca o homem, um louco, no centro do mundo e, ao mesmo tempo,
critica Deus, a Igreja, as mulheres, os sábios, eruditos, enfim, todo
o mundo, inclusive a si, tomando como epíteto de si a loucura ou
estultícia, demência atávica, hereditária.
Erasmo de Rotterdan é uma personagem do humanismo , um protagonista de
peso ; ele lê e escreve o humanismo dentro de uma maniquéia esdrúxula,
bizarra : polariza o mal no mundo, parece se sentir desconfortável,
paradoxalmente, com a ausência de deus no mundo e a nova posição que o
homem toma nesse ínterim, do timão do iluminismo para o humanismo, que
se complementam, se não for o mesmo pensamento com diversa terminologia
histórica, um movimento ou um mover o tempo paulatinamente, com as
respectivas mudanças ou mutações que renomeiam a esteira por onde
cavalgou o pensamento, num galope de corisco sobre o alazão, o corcel,
a cavalgadura de Hércules ( Héracles), Pégasos, ou o unicórnio da
mitologia grega.(Cavalo Andaluz, Árabe, Quarto de milha, Pônei,
Crioulo, puro sangue inglês, lusitano, Bretão , Berbere, Pampa,
Mangalarga marchador, Paint Horse, etc.).
Ele, Erasmo, cético e mesmo incréu, ateu cínico e irônico, useiro e
vezeiro de subterfúgios maliciosos para não cair nas garras da
inquisição, a simpática Inquisição à espanhola ; não obstante os
riscos da empresa, esse renomado erudito medieval sabia
brincar com o fogo sem se ferir ou queimar na fogueira do inquisidor,
pois o que ele critica e satiriza o faz com tamanha habilidade que
ninguém consegue decifrar a heresia evidenciada alhures em seu texto,
mormente na obra "O Elogio da Loucura", que é um panegírico invertido
do mundo comandado pelo poder do homem na ausência total de Deus, o
inexistente fora da metafísica, o inexistente na física.
Para o humanista em tela, o homem é um louco ( estulto) e o mundo sem
Deus e, consequentemente, sob a batuta do homem, é a loucura (
estultícia ) ou o pólo negativo da maniquéia, sem nenhum possibilidade
de tensão com um pólo positivo falso ( o rebanho sobrevive sob a capa
da mendacidade, que é outra forma de mendicância do vulgo ); destarte,
como o pólo positivo, com o homem no comando, sendo o homem o povo, o
arrivista, o político, enfim, com a probabilidade de que os homens
sórdido e impudentes tomassem o comando, após o humanista, pois mesmo
sob a ameaça de Deus o homem, ainda dentro do claustro, nas abadias,
nos monastérios, na vida monástica, já se comportava de maneira
deplorável, consoante constata todo o tempo Erasmo ao fazer a
"apologia" da loucura humana em todas as suas atividades e
comportamentos,resta ao autor, sob tal ótica, se por como pólo positivo
fático e "magnético", a fim de salvar o mundo com a ironia, o
sarcasmo, e, para tal fim, se polariza ao lado do bem, encarna o bem
enquanto crítico mordaz, ferrenho, na sua diatribe em função do bem
( que os hipócritas chamam pejorativamente, na língua deles, de bem
comum, mordendo a língua de Platão quando viva e com enzimas
gustativas para a sapiência); na falta de Deus, mesmo porque o homem
se arvora em único pólo positivo do maniqueísmo renascentista,
humanista, iluminista, porquanto o ser humano, enquanto ente
filosófico, se erige em crítico sagaz, perspicaz, arguto e descrente
ou com umas pontadas de ceticismo e cinismo ( todas essas
"filosofias" ou escolas filosóficas estão presentes no pensamento do
humanista Erasmo, cujo ateísmo é evidente, mas a desesperança grassa
neste pensamento em desalento ).
O pensamento humanista ou humanizado, desbastado na personagem Erasmo
de Rotterdan, homem de sua época, busca uma linha de pensamento
inovadora, ao se deparar irremediavelmente com a ausência e
inexistência de Deus no mundo, dentre os entes e as coisas e,
concomitantemente, da aniquilação ou do niilismo polar presente no
corpo da maniquéia humanista, enceta um novo olhar para as coisas
mundanas, profanas, pois o antigo Deus medieval já não serve à vetusta
maniquéia, vez que saindo da existência, após o advento dos filósofos
iluministas, os ilustrados, enciclopedistas, e os humanistas, ocorre
um movimento pendular que polariza toda a carga do bem não mais em
Deus, que passa da suposta existência ( dos entes mundanos )à essência
( ser de pensamento ou ente sacrossanto, não alijado do mundo,
porquanto nunca esteve na corrente da existência, excepto se se
considerar o panteísmo um deísmo, mas não um teísmo ) e contrapondo-a
ao mal, cujo pólo era o diabo e passa a ser a humanidade, corroída por
homens ruinosos, ignóbeis, vilãos, turba enxovalhada que se erige em elite
pelo voto da massa dirigida, massa de manobra, massa falida.Uma
desolação!
Então o humanista supra mencionado polariza o bem para si, no fim de
Deus, ou morte de Deus anunciada em Nietzsche, a fim de por em
andamento a escritura e leitura, enfim, a literatura da maniquéia, que
parece ser a única forma que o homem encontrou para decodificar a
natureza, o universo e o pensamento; ou seja, a física e a
metafísica, nas quais está contido o conhecimento, porém não a
sabedoria, que sobeja na alma, transcendendo o espírito ( pensamento,
ser, essência) humano.
Suprimida a atividade cênica de um deus, sem essa cenografia, o
indivíduo, que esse é o ser humano real, existente, na corrente da
existência remando ou representando, resta ao homem individual,
individuado ( nem todos são individuados, conquanto sejam indivíduos!
Há discrepâncias de natureza da conceituação, embora sutis ), se põe no
pólo positivo contrapondo-se aos não-indivíduos ( seres
não-individuados, usurpados de sua suposta inalienável individualidade ),
que servem à sociedade alienada na condição de escravos formados
( essa uma profissão à sombra das moles dos edifícios, invisíveis até
para as bactérias e os fungos florescentes ).
É o mais recente embate do maniqueísmo : a justa entre o bem e o
mal, a qual, agora, atualmente, não faz mapas para reservar os
lindes ou as terras lindeiras de Deus, com terrenos nos céus de anil
ou com púmbleas nuvens, porquanto os céus são, paradoxalmente e sem
escabelo para
os pés, as "terras" da divindade, depois do monte Olimpo, e os
respectivos subterrâneos do diabo, com todos os seus subterfúgios e
sortilégios, dos quais nem Hades ou Dostoievski gostava. Essa batalha
entre Deus e o Diabo há muito se findou; teve fim ao irromper a aurora
do iluminismo e do humanismo, doutrinas congêneres, suplementares,
talvez ou com enorme afinidade.
Essa porfia, que desceu dos céus e pisou o barro e as ervas na terra,
ilumina-se na obra de Erasmo de Rotterdam que, não obstante todo o seu
ateísmo sistêmico, sistemático, elucubrado, se sente perdido com a
ausência de Deus e a entrega do mundo para os arrivistas, os loucos de
todo gênero, os sequiosos de poder sobre os demais animais humanos ou
inumanos.
Então, Erasmo, o humanista sóbrio, se põe no lugar de Deus,
enquanto indivíduo crítico, conforme fez Marx, Giordano Bruno e outros
eruditos e sábios, que pereceram nas mãos dos vândalos no poder,
sempre no poder, a perpetrar seus crimes contra o indivíduo ( ou o
conceito vazio de humanidade) em nome da lei, que são seus interesses
escritos claramente, sem rebuço.
A loquacidade do filósofo pugna contra esta humanidade mefistofélica,
que são os novos e reais diabos, os autênticos, fáticos e genuínos
adversários do homem, os filisteus reconstituídos no gigante Golias,
que, então, era a Igreja, e hoje é o estado ( o estado dito de
Direito, cujo único direito é o de atormentar o indivíduo, tolher sua
liberdade, estorvar ; o estado moderno é uma empresa, na realidade, é
sua finalidade é ser um estorvo para a maioria obediente e uma
alavanca para os donos do poder); outrossim, o país, a nação, enfim,
o demônio em voga, a afiar a espada, garras e dentes contra o
indivíduo, cuja luta e inglória, certa a derrota, pois peleja contra
todos os inimigos, uma vez que nesta história a canalha toda é inimiga
odiosa.
Antes matavam e torturavam para maior glória de Deus ( um ente
inexistente que ainda mexe com as gentes!) e assim vão
indefinidamente, sem solução de continuidade, numa maniquéia que é
mais útil para loucos que para sábios ou sãos, santos, límpidos de
alma ( alma sempre no sentido vetor do latim, bem como no escalar
também, amém).
O loquaz Erasmo de Roterdão, humanista assaz brilhante, obtempera,
subliminarmente, sem que nem ele mesmo o perceba ou leia o que
escreveu ( o escritor é "analfabeto" dos símbolos e outros
penduricalhos que correm pelos seus escritos, quais ratos no porão ou
nos esgotos, pensamentos cujo efeito é o de extravasar idiossincrasias
inconscientes ou cuja intermitência torna a auto-leitura irrealizável
), que sem Deus o mundo muda de paradigma e também desembesta na mão
da besta humana, o que parece reforçar a idéia de Apocalipse que os
tempos e teólogos( ou texugos?!) medievais escreveram na cabeça do
humanista ateu. Assim, apresenta cético um maniqueísmo precário,
irrisório, cuja polaridade do bem é tênue, quase uma despolarização,
consubstanciando, no fundo, uma maniquéia frouxa, na qual o pólo
negativo ( ou o gigante Golias, o filisteu na pele do novo lobo : o
estado ) não tem êmulo ou rival que o possa afrontar.É o fim do
indivíduo ou o caminho para o fim. O começo do poltrão, senhor do
estado, cujas leis distribuem o Direito e a justiça para poucos : os
amigos do caudilho, do sátrapa.
Por fim, é mister dizer que toda a maniquéia dos filósofos se acha
bifurcada em dois pólos, os quais dividem as ciências em física e
metafísica; são dois termos, neste caso a propósito, porque propugnam
em si, em seu espírito ( pensamento ) a própria essência da
maniquéia, no princípio do
contraditório que medeia física de metafísica, essência e existência,
conquanto, ambas, enquanto ciências cognitivas, não têm liame algum
com a existência, mas somente com a essência, alma e espírito que
anima a ciência, cujo espírito é um maniqueísmo universalmente
presente no conhecimento e, outrossim, talvez, na sabedoria, codificado
e decodificado mercê de suas contradições, que afirmam a maniquéia
como doutrina universal constituintes dos princípios da razão humana,
de priscas eras, ó sibila célebre!
ante a sociedade e cultura, uma reposta ou uma ação crítica aos
abusos que civilização perpetra, paulatinamente, contra o indivíduo,
quando essa civilização começa s se enrijecer com normas cada vez mais
independentes da vontade humana, com fulcro tão-somente em vontade
política, que é a vontade de ninguém, exceto dos interesses dos donos
do poder, seja ele econômico, jurídico, executivo, legislativo,
judiciário, ou do poder dos meios de comunicação de e massa, que
massacram impiedosamente seus adversários, reduzindo-os a pó, agindo e
reagindo ( na realidade mais reagindo que agindo, pois não está na
esfera do pensamento humano não alienado : o poder é uma esfera que
existe alienado do pensamento humano em alma ( um pensar morto e
sepultado com o filósofo morto ), porém vigente ainda no " espírito
das leis", espírito sem alma , ou pensamento morto, leis essas que, pela
farsa da impessoalidade, pune quem deseja punir
e faz galgar aqueles que são servos úteis aos poderosos). Não há
espírito algum em lei sem alma ( alma sempre em sentido-latim pagão,
não o cristão, que remodela o termo ao cunhar outra idéia fundante da
estultícia cristã e sua gnosiologia inerme, pusilânime ). Lei pétrea
ou com tal cláusula ( ou clausura?).
Nenhum poderoso é humanista, porquanto não é possível ser humanista
sendo psicopata, vivendo sob o anátema ou o estigma da psicose ou do
poder, que traz a megalomania inexoravelmente. A paranóia decompõe o
homem em vida, rasga a alma de par a par. Marx, sim, era um humanista
ferrenho, conquanto materialista dialético, ateu. Contudo, em sua
tolerância, nada tinha a opor a deístas ou ateístas, fora do estado
que rumava para a utopia do comunismo marxiano.
O humanismo, mais que tudo, é uma atitude, mas antes de ser uma
atitude radical é uma noética ( não creio ser viável qualquer ética,
mas sim a noética, que é
a inteligência da ética ou comportamento humano racional ) : dá-se
esta atitude radical quando o homem se põe no centro do universo,
tomando o lugar de Deus ou dos deuses.
Tudo isso ocorre no sentido negativo da polar ou bipolar maniquéia
que perpassa todo o pensamento humano, em todas as culturas, desde as
brumas dos tempos imemoriais, guardados, entretanto, no relicário
genético, implica num vetor totalitarista, num totalitarismo à maneira
das piores ditaduras da histórias, se, de fato, não discutindo o
direito, há, nas instituições humanas, outra forma de política que não
seja a ditadura.
A ditadura é a pior forma de alienação do pensamento ; tal forma de
pensar alijada da realidade humana do homem provem da religião, que
plasma as demais instituições ou alienações do pensamento. A religião
é a primitiva forma e conteúdo da ditadura.
Talvez por isso, ou por esse ar no cérebro, Marx tenha aventado a
idéia de ditadura do proletariado ( lúmpen-proletariado), cônscio,
quem sabe,que era o único
modelo do poder, seu paradigma inelutável. A inelutável ditadura do
povo, par ao povo e ao pelo do povo. Sofrível democracia! ( A
democracia e as demais formas de governo são tiranias moderadas ;
quando falta essa moderação, que se caracteriza por uma certa medida,
um comedimento na aplicação da dieta, a qual evoca a virtude da
“temperança”, em regime governamental, então a boca do povo vai ao
dicionário onomástico, “filosófico” ou etimológico e berra,
esbraveja, faz o consumo da palavra “tirania” ou ditadura. Em que pese
o universo onírico que verga os vocábulos para a utopia e o idílio,
todos os governantes são ditadores, tiranos, caudilhos, sátrapas.
No que tange à natureza da ditadura, quiçá seja a democracia, ou a
nobreza, a monarquia, enfim, todas essas formas e demais, não
arroladas, no sumário, formas brandas de ditadura, que a palavra, com
sua capacidade plástica e sua tendência inata, na alma do homem, ao
sofisma, não tenha mitigado o que sempre é uma ditadura em várias
modalidades.
A oligarquia mesmo é uma ditadura e está presente dentro de qualquer
democracia, na alma e no espírito da República e até da utopia, que é
uma república à parte, jogada no onírico e no Direito, que partilha o
legado do onírico durante a vigília, porquanto o Direito é mera e
meritória ficção poética, dramática, ritual, com provas fictícias e
quase nenhum homem probo para trazer a prova à baila ou a lume de um
pequenino vaga-lume na escuridão da noite que o ronda sem assas de
coleóptero, as quais o pirilampo ostenta desdenhoso ante a improbidade
do homem, que, assim réprobo, nada pode provar, senão através
expedientes fraudulentos e
fraudes, interpretações obscuras e eivadas de interesses escusos,
ignominiosos.
O homem, em geral, é a própria representação iconográfica da
ignomínia, da perversão, da boçalidade que lhe toma o beiço, a face
inteira! E, efetivamente, um ser lamentável, um misantropo em
sociedade, um misógino
efetivo. Uma hecatombe, calamidade, pior e mais perverso que um
cataclismo natural : "Ecco homo".
Erasmo de Rotterdan, talvez o primeiro humanista, ou o dos mais
competentes e um dos mais celebrados humanistas, tem esta posição,
algo esdrúxula, uma bizarrice ( mas o homem é bizarro! : assim somos )
: coloca o homem, um louco, no centro do mundo e, ao mesmo tempo,
critica Deus, a Igreja, as mulheres, os sábios, eruditos, enfim, todo
o mundo, inclusive a si, tomando como epíteto de si a loucura ou
estultícia, demência atávica, hereditária.
Erasmo de Rotterdan é uma personagem do humanismo , um protagonista de
peso ; ele lê e escreve o humanismo dentro de uma maniquéia esdrúxula,
bizarra : polariza o mal no mundo, parece se sentir desconfortável,
paradoxalmente, com a ausência de deus no mundo e a nova posição que o
homem toma nesse ínterim, do timão do iluminismo para o humanismo, que
se complementam, se não for o mesmo pensamento com diversa terminologia
histórica, um movimento ou um mover o tempo paulatinamente, com as
respectivas mudanças ou mutações que renomeiam a esteira por onde
cavalgou o pensamento, num galope de corisco sobre o alazão, o corcel,
a cavalgadura de Hércules ( Héracles), Pégasos, ou o unicórnio da
mitologia grega.(Cavalo Andaluz, Árabe, Quarto de milha, Pônei,
Crioulo, puro sangue inglês, lusitano, Bretão , Berbere, Pampa,
Mangalarga marchador, Paint Horse, etc.).
Ele, Erasmo, cético e mesmo incréu, ateu cínico e irônico, useiro e
vezeiro de subterfúgios maliciosos para não cair nas garras da
inquisição, a simpática Inquisição à espanhola ; não obstante os
riscos da empresa, esse renomado erudito medieval sabia
brincar com o fogo sem se ferir ou queimar na fogueira do inquisidor,
pois o que ele critica e satiriza o faz com tamanha habilidade que
ninguém consegue decifrar a heresia evidenciada alhures em seu texto,
mormente na obra "O Elogio da Loucura", que é um panegírico invertido
do mundo comandado pelo poder do homem na ausência total de Deus, o
inexistente fora da metafísica, o inexistente na física.
Para o humanista em tela, o homem é um louco ( estulto) e o mundo sem
Deus e, consequentemente, sob a batuta do homem, é a loucura (
estultícia ) ou o pólo negativo da maniquéia, sem nenhum possibilidade
de tensão com um pólo positivo falso ( o rebanho sobrevive sob a capa
da mendacidade, que é outra forma de mendicância do vulgo ); destarte,
como o pólo positivo, com o homem no comando, sendo o homem o povo, o
arrivista, o político, enfim, com a probabilidade de que os homens
sórdido e impudentes tomassem o comando, após o humanista, pois mesmo
sob a ameaça de Deus o homem, ainda dentro do claustro, nas abadias,
nos monastérios, na vida monástica, já se comportava de maneira
deplorável, consoante constata todo o tempo Erasmo ao fazer a
"apologia" da loucura humana em todas as suas atividades e
comportamentos,resta ao autor, sob tal ótica, se por como pólo positivo
fático e "magnético", a fim de salvar o mundo com a ironia, o
sarcasmo, e, para tal fim, se polariza ao lado do bem, encarna o bem
enquanto crítico mordaz, ferrenho, na sua diatribe em função do bem
( que os hipócritas chamam pejorativamente, na língua deles, de bem
comum, mordendo a língua de Platão quando viva e com enzimas
gustativas para a sapiência); na falta de Deus, mesmo porque o homem
se arvora em único pólo positivo do maniqueísmo renascentista,
humanista, iluminista, porquanto o ser humano, enquanto ente
filosófico, se erige em crítico sagaz, perspicaz, arguto e descrente
ou com umas pontadas de ceticismo e cinismo ( todas essas
"filosofias" ou escolas filosóficas estão presentes no pensamento do
humanista Erasmo, cujo ateísmo é evidente, mas a desesperança grassa
neste pensamento em desalento ).
O pensamento humanista ou humanizado, desbastado na personagem Erasmo
de Rotterdan, homem de sua época, busca uma linha de pensamento
inovadora, ao se deparar irremediavelmente com a ausência e
inexistência de Deus no mundo, dentre os entes e as coisas e,
concomitantemente, da aniquilação ou do niilismo polar presente no
corpo da maniquéia humanista, enceta um novo olhar para as coisas
mundanas, profanas, pois o antigo Deus medieval já não serve à vetusta
maniquéia, vez que saindo da existência, após o advento dos filósofos
iluministas, os ilustrados, enciclopedistas, e os humanistas, ocorre
um movimento pendular que polariza toda a carga do bem não mais em
Deus, que passa da suposta existência ( dos entes mundanos )à essência
( ser de pensamento ou ente sacrossanto, não alijado do mundo,
porquanto nunca esteve na corrente da existência, excepto se se
considerar o panteísmo um deísmo, mas não um teísmo ) e contrapondo-a
ao mal, cujo pólo era o diabo e passa a ser a humanidade, corroída por
homens ruinosos, ignóbeis, vilãos, turba enxovalhada que se erige em elite
pelo voto da massa dirigida, massa de manobra, massa falida.Uma
desolação!
Então o humanista supra mencionado polariza o bem para si, no fim de
Deus, ou morte de Deus anunciada em Nietzsche, a fim de por em
andamento a escritura e leitura, enfim, a literatura da maniquéia, que
parece ser a única forma que o homem encontrou para decodificar a
natureza, o universo e o pensamento; ou seja, a física e a
metafísica, nas quais está contido o conhecimento, porém não a
sabedoria, que sobeja na alma, transcendendo o espírito ( pensamento,
ser, essência) humano.
Suprimida a atividade cênica de um deus, sem essa cenografia, o
indivíduo, que esse é o ser humano real, existente, na corrente da
existência remando ou representando, resta ao homem individual,
individuado ( nem todos são individuados, conquanto sejam indivíduos!
Há discrepâncias de natureza da conceituação, embora sutis ), se põe no
pólo positivo contrapondo-se aos não-indivíduos ( seres
não-individuados, usurpados de sua suposta inalienável individualidade ),
que servem à sociedade alienada na condição de escravos formados
( essa uma profissão à sombra das moles dos edifícios, invisíveis até
para as bactérias e os fungos florescentes ).
É o mais recente embate do maniqueísmo : a justa entre o bem e o
mal, a qual, agora, atualmente, não faz mapas para reservar os
lindes ou as terras lindeiras de Deus, com terrenos nos céus de anil
ou com púmbleas nuvens, porquanto os céus são, paradoxalmente e sem
escabelo para
os pés, as "terras" da divindade, depois do monte Olimpo, e os
respectivos subterrâneos do diabo, com todos os seus subterfúgios e
sortilégios, dos quais nem Hades ou Dostoievski gostava. Essa batalha
entre Deus e o Diabo há muito se findou; teve fim ao irromper a aurora
do iluminismo e do humanismo, doutrinas congêneres, suplementares,
talvez ou com enorme afinidade.
Essa porfia, que desceu dos céus e pisou o barro e as ervas na terra,
ilumina-se na obra de Erasmo de Rotterdam que, não obstante todo o seu
ateísmo sistêmico, sistemático, elucubrado, se sente perdido com a
ausência de Deus e a entrega do mundo para os arrivistas, os loucos de
todo gênero, os sequiosos de poder sobre os demais animais humanos ou
inumanos.
Então, Erasmo, o humanista sóbrio, se põe no lugar de Deus,
enquanto indivíduo crítico, conforme fez Marx, Giordano Bruno e outros
eruditos e sábios, que pereceram nas mãos dos vândalos no poder,
sempre no poder, a perpetrar seus crimes contra o indivíduo ( ou o
conceito vazio de humanidade) em nome da lei, que são seus interesses
escritos claramente, sem rebuço.
A loquacidade do filósofo pugna contra esta humanidade mefistofélica,
que são os novos e reais diabos, os autênticos, fáticos e genuínos
adversários do homem, os filisteus reconstituídos no gigante Golias,
que, então, era a Igreja, e hoje é o estado ( o estado dito de
Direito, cujo único direito é o de atormentar o indivíduo, tolher sua
liberdade, estorvar ; o estado moderno é uma empresa, na realidade, é
sua finalidade é ser um estorvo para a maioria obediente e uma
alavanca para os donos do poder); outrossim, o país, a nação, enfim,
o demônio em voga, a afiar a espada, garras e dentes contra o
indivíduo, cuja luta e inglória, certa a derrota, pois peleja contra
todos os inimigos, uma vez que nesta história a canalha toda é inimiga
odiosa.
Antes matavam e torturavam para maior glória de Deus ( um ente
inexistente que ainda mexe com as gentes!) e assim vão
indefinidamente, sem solução de continuidade, numa maniquéia que é
mais útil para loucos que para sábios ou sãos, santos, límpidos de
alma ( alma sempre no sentido vetor do latim, bem como no escalar
também, amém).
O loquaz Erasmo de Roterdão, humanista assaz brilhante, obtempera,
subliminarmente, sem que nem ele mesmo o perceba ou leia o que
escreveu ( o escritor é "analfabeto" dos símbolos e outros
penduricalhos que correm pelos seus escritos, quais ratos no porão ou
nos esgotos, pensamentos cujo efeito é o de extravasar idiossincrasias
inconscientes ou cuja intermitência torna a auto-leitura irrealizável
), que sem Deus o mundo muda de paradigma e também desembesta na mão
da besta humana, o que parece reforçar a idéia de Apocalipse que os
tempos e teólogos( ou texugos?!) medievais escreveram na cabeça do
humanista ateu. Assim, apresenta cético um maniqueísmo precário,
irrisório, cuja polaridade do bem é tênue, quase uma despolarização,
consubstanciando, no fundo, uma maniquéia frouxa, na qual o pólo
negativo ( ou o gigante Golias, o filisteu na pele do novo lobo : o
estado ) não tem êmulo ou rival que o possa afrontar.É o fim do
indivíduo ou o caminho para o fim. O começo do poltrão, senhor do
estado, cujas leis distribuem o Direito e a justiça para poucos : os
amigos do caudilho, do sátrapa.
Por fim, é mister dizer que toda a maniquéia dos filósofos se acha
bifurcada em dois pólos, os quais dividem as ciências em física e
metafísica; são dois termos, neste caso a propósito, porque propugnam
em si, em seu espírito ( pensamento ) a própria essência da
maniquéia, no princípio do
contraditório que medeia física de metafísica, essência e existência,
conquanto, ambas, enquanto ciências cognitivas, não têm liame algum
com a existência, mas somente com a essência, alma e espírito que
anima a ciência, cujo espírito é um maniqueísmo universalmente
presente no conhecimento e, outrossim, talvez, na sabedoria, codificado
e decodificado mercê de suas contradições, que afirmam a maniquéia
como doutrina universal constituintes dos princípios da razão humana,
de priscas eras, ó sibila célebre!
sábado, 18 de junho de 2011
MOSTRA ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia wiki )
O homem é dono do tempo
principalmente do tempo no retrato
onde amealha seus inventos
desde a câmara de fotografar
até os artefatos que vemos ou lemos retratados
escrevinhados em luz
na geometria de Euclides
pondo o espaço num plano
e, destarte, dando uma mostra do tempo
tal qual se pode ver ainda
antes da baixa Idade Média
no quadro pintado sobre carvalho
do artista da escola flamenga
- o pintor Jan Van Eyck
pintando um casal
numa cena que evoca o tempo
- o tempo a aprestar talvez um casamento privativo
ou um exorcismo imaginário ;
enfim, um rito para deleite do pintor
e do senhor do tempo
nas bodas com a senhora do tempo
sendo o artista um seu servo
Este tempo pode ser lido no retrato
( todo tempo está codificado em fotografia
ou escritura em luz solar
e trevas depressoras do sistema neuro-vegetativo )
- decodificado nas coisas que o homem fabricou
e foram fotografadas ou escritas em luz e sombra
à moda de Caravaggio
que retrata o tempo no conteúdo captado pelo retrato
- o tempo ao lápis da luz
( ou em lápis-lazúli
quando faltar grafite ?! )
de um Brueguel imaginário
com mão na máquina fotográfica
a gravar e grafar a luz do dia congelado
ou fossilizado em espectro solar /
Todavia, o tempo não é de qualquer homem
- tem proprietário ou senhorio perpétuo
é um outro latifúndio sem terra
ou uma empresa, igreja ou estado
instituições cujos donos são temporais ou espirituais
Outrossim o tempo tem proprietário
ou proprietários que não admitem evicção
desdenham erosão ou cataclismos
no traslado da escritura pública à luz da lua luciferina
Os donos do tempo são os príncipes e reis de época
aqueles cujo escabelo dos pés é o povo submisso e subserviente
um povo glabro
gentio imberbe
Os senhores menores
são visíveis na tez dos governadores ou deputados
presidentes ou senadores
ministros ou desembargadores
- outros sátrapas na tirania pelos séculos fora
( Porém o mundo não é dos vetustos caudilhos
e sim de reis e príncipes à sombra do enigma da esfinge )
Mais que o espaço
o qual é, no mundo cultural,
construído por laboriosa engenharia dos servos e escravos exímios
em sua arte de alvenaria ou literatura
de onde emana a filosofia e as ciências normativas
cuja matéria é o tempo em voga
moldado em formas temporais no conteúdo da matéria
extensa pelo espaço ao alcance dos olhos e mãos
e pelo labor do intelecto
aplicado em ensaios e tratados metafísicos sobre a essência das coisas
- o tempo é do homem
e reflete a face humana
no Narciso amorfo morto
que se afogou no poder
à lâmina d'água
que move moinhos de vida e vento
até o olhar desvairado de Dom Quixote de La Mancha
cavaleiro de triste figura geométrica
num mundo em desatino
descair sobre as pás desses moinhos de vento
e ter a miragem que vem açodar todo homem
cujas penas pesam mais
e tem viço mais negros no fundo da noite
que as penas do anum
- o anum que empluma a noite sem luar
a sitiar a alma
( um homem açodado
exime-se de observar o senso do ridículo
perde o olho no pássaro negro
a adejar na asa do escuro )
Quando sói ao retrato despencar da parede
o tempo cai junto
a se esboroar
qual cântaro ou bilha
em pó dentro da fotografia
que um dia ou noite mirou o tempo
grafado em luz e carvão de treva nanica
- noite mínima em azeviche
dia apenas esboçado
no rascunho ou sumário de inventos
que o retrato ostenta
com a matéria inerte no tempo
- matéria desprovida de alma
mas alma no sentido-latim pagão
( Um violino Stradivarius fabricado
é o tempo manufaturado
- uma idéia originária
nunca dantes presente no universo
isento de natureza divina ou física )
Contudo o retrato se reconstitui
e se ergue do pó
retomando o caminho para o tempo
que continua íntegro
no substrato físico e químico
que colheu e grafou a luz na sombra
e subsiste dentro do retrato
com uma imobilidade de gema
- num relicário de tempo
principalmente do tempo no retrato
onde amealha seus inventos
desde a câmara de fotografar
até os artefatos que vemos ou lemos retratados
escrevinhados em luz
na geometria de Euclides
pondo o espaço num plano
e, destarte, dando uma mostra do tempo
tal qual se pode ver ainda
antes da baixa Idade Média
no quadro pintado sobre carvalho
do artista da escola flamenga
- o pintor Jan Van Eyck
pintando um casal
numa cena que evoca o tempo
- o tempo a aprestar talvez um casamento privativo
ou um exorcismo imaginário ;
enfim, um rito para deleite do pintor
e do senhor do tempo
nas bodas com a senhora do tempo
sendo o artista um seu servo
Este tempo pode ser lido no retrato
( todo tempo está codificado em fotografia
ou escritura em luz solar
e trevas depressoras do sistema neuro-vegetativo )
- decodificado nas coisas que o homem fabricou
e foram fotografadas ou escritas em luz e sombra
à moda de Caravaggio
que retrata o tempo no conteúdo captado pelo retrato
- o tempo ao lápis da luz
( ou em lápis-lazúli
quando faltar grafite ?! )
de um Brueguel imaginário
com mão na máquina fotográfica
a gravar e grafar a luz do dia congelado
ou fossilizado em espectro solar /
Todavia, o tempo não é de qualquer homem
- tem proprietário ou senhorio perpétuo
é um outro latifúndio sem terra
ou uma empresa, igreja ou estado
instituições cujos donos são temporais ou espirituais
Outrossim o tempo tem proprietário
ou proprietários que não admitem evicção
desdenham erosão ou cataclismos
no traslado da escritura pública à luz da lua luciferina
Os donos do tempo são os príncipes e reis de época
aqueles cujo escabelo dos pés é o povo submisso e subserviente
um povo glabro
gentio imberbe
Os senhores menores
são visíveis na tez dos governadores ou deputados
presidentes ou senadores
ministros ou desembargadores
- outros sátrapas na tirania pelos séculos fora
( Porém o mundo não é dos vetustos caudilhos
e sim de reis e príncipes à sombra do enigma da esfinge )
Mais que o espaço
o qual é, no mundo cultural,
construído por laboriosa engenharia dos servos e escravos exímios
em sua arte de alvenaria ou literatura
de onde emana a filosofia e as ciências normativas
cuja matéria é o tempo em voga
moldado em formas temporais no conteúdo da matéria
extensa pelo espaço ao alcance dos olhos e mãos
e pelo labor do intelecto
aplicado em ensaios e tratados metafísicos sobre a essência das coisas
- o tempo é do homem
e reflete a face humana
no Narciso amorfo morto
que se afogou no poder
à lâmina d'água
que move moinhos de vida e vento
até o olhar desvairado de Dom Quixote de La Mancha
cavaleiro de triste figura geométrica
num mundo em desatino
descair sobre as pás desses moinhos de vento
e ter a miragem que vem açodar todo homem
cujas penas pesam mais
e tem viço mais negros no fundo da noite
que as penas do anum
- o anum que empluma a noite sem luar
a sitiar a alma
( um homem açodado
exime-se de observar o senso do ridículo
perde o olho no pássaro negro
a adejar na asa do escuro )
Quando sói ao retrato despencar da parede
o tempo cai junto
a se esboroar
qual cântaro ou bilha
em pó dentro da fotografia
que um dia ou noite mirou o tempo
grafado em luz e carvão de treva nanica
- noite mínima em azeviche
dia apenas esboçado
no rascunho ou sumário de inventos
que o retrato ostenta
com a matéria inerte no tempo
- matéria desprovida de alma
mas alma no sentido-latim pagão
( Um violino Stradivarius fabricado
é o tempo manufaturado
- uma idéia originária
nunca dantes presente no universo
isento de natureza divina ou física )
Contudo o retrato se reconstitui
e se ergue do pó
retomando o caminho para o tempo
que continua íntegro
no substrato físico e químico
que colheu e grafou a luz na sombra
e subsiste dentro do retrato
com uma imobilidade de gema
- num relicário de tempo
quinta-feira, 16 de junho de 2011
ESCATOLÓGICA ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia )
Alice era um lavadeira que não lavava no rio /
São Francisco descalço nos seixos da cachoeira em cantilena monótona /
- um rio cantante na terra /
à flor da terra /
ou sobre a pedra acinzentada /
vergastada pela água translúcida /
com as madeixas encaracoladas /
escacheantes /
como cabelos de deusa grega
ninfa ou nereida /
Não batia roupa na pedra rígida /
consoante sói às lavadeiras /
no ancho rio onde o peixe pulula..: /
no principio Deus criou o peixe /
empós por o espírito a cismar sobre as águas /
- a pensar no pensamento do momento /
monumento ao homem do vulgo /
que é a metafísica de Aristóteles /
a fisiognomonia do filósofo... /
Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem nada teologal /
escassa instrução /
nenhum vislumbre intelectual /
humílima sabedoria /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /
Soturna, macambúzio semblante , indolente ou esquecida de si
nem cantava ou harpa tocava /
tocava o olho na harpia /
que voejava na abóbada celeste /
que é um violinista celeste, azul /
ou cimo de inflorescência anil /
Nenhuma cantilena vinha de sua voz /
mesmo se fosse de improviso /
numa inspiração repentina /
a mirar e ouvir a água cantante batendo na pedra /
descendo na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega com espuma /
- com as "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
(a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /
da envergadura do condor a planar sobre a Cordilheira dos Andes /
A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal /
musical com trovadores românticos /
em eufêmias de amor /
na cantiga de amor /
na cantiga de amigo /
Contudo Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Dorival Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /
Apenas lavava lá em casa /
a trouxa de roupa /
sobre a cisterna /
que tinha um bizarro mecanismo /
para trazer a água do lençol freático /
que imagino havia lá no subsolo profundo... /
onde o menino olhava maravilhado /
- para o menino o mundo e a maravilha! /
tudo é tão novo /
quanto o menino e seus sentidos /
a captar o mundo /
em tanta vastidão de coisas a ver /
cheirar, degustar, sentir, enfim... /
- o menino é um reino à parte /
do reino animal do homens... /
Ela lavava lá em casa /
sem lá lá lá... : lá em casa! /
sobre a cisterna aberta e funda /
Torcia e batia a roupa /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decídua temporada de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
da grande barra da alva /
que lava o areal da orla do rio São Francisco /
Era algo alva ou de alba /
filha da manhã antes da luz dilucular /
na madrugada gelada /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
da gelosia ou da parede interna da casa /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos!...
para sempre menino!...
- até a tragédia escatológica /
a tragédia da morte fria e escura /
com máscara sem orifício para os olhos! ) /
Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
- casinhola a tecer trevas num novelo /
uma tela para cobrir a saudade da Penélope de Odisseu... /
que a vida é esta espera /
de alguém ou algo que jamais chega ao destino /
mesmo no batel ou no planador no bergantin... /
- o destino é sem fim /
e o itinerário traçado pela bússola do imaginário /
é somente caminho de água ou terra ou céu sem fim de azul ou cinza... /
para penitente com cinzas sobre a cabeça e cilício /
e vestido com sacos para o desfile do mendigo /
- que é o homem ( nós, cavalheiros à beira-mar!
aguardando o batel... ) /
Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
amarelo flácido /
se há flacidez visível no amarelo /
revestido de uma tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
Alice habitava uma casa mancando e quase caindo /
( casa-fantasma que dava medo à lua! ) /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
exposta às intempéries /
As paredes escoradas com madeira podre por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas a soprar a vasta vela noite /
até atingir o ápice do branco na vela da barra da alva /
- branca vela de veleiro nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
até o vidrado final /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /
Ali naquela casa a pique /
casa à deriva /
Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /
Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas uma ou outra lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /
Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
- não conhecera lebre ou chapeleiro maluco /
nem tampouco a rainha branca ou escarlate /
Talvez quem sabe /
na consonância da lenda lúgubre /
que se tecia ante ela /
na sua vida despojada ao extremo /
tivesse uma filha /
que ficara sob a vegetação do tempo /
nos esgalhos retorcidos da primavera pondo flores /
nas formas arbóreas que estendem galhos em esgares /
como se fossem mãos ou carantonhas de bruxas biltres /
Uma filha!...: era o balbucio, o sussurro das vozes do tempo /
na faringe ou laringe de mães ou minha avó... /
- um filha! que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá /
conforme a audácia ou temeridade encontradiça na obra de um salvador /
dali ou de cá ou quiçá de acolá /
- de um Salvador Dali! /
um salvador de Alice /
que por certo não seria Jesus!...) /
São Francisco descalço nos seixos da cachoeira em cantilena monótona /
- um rio cantante na terra /
à flor da terra /
ou sobre a pedra acinzentada /
vergastada pela água translúcida /
com as madeixas encaracoladas /
escacheantes /
como cabelos de deusa grega
ninfa ou nereida /
Não batia roupa na pedra rígida /
consoante sói às lavadeiras /
no ancho rio onde o peixe pulula..: /
no principio Deus criou o peixe /
empós por o espírito a cismar sobre as águas /
- a pensar no pensamento do momento /
monumento ao homem do vulgo /
que é a metafísica de Aristóteles /
a fisiognomonia do filósofo... /
Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem nada teologal /
escassa instrução /
nenhum vislumbre intelectual /
humílima sabedoria /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /
Soturna, macambúzio semblante , indolente ou esquecida de si
nem cantava ou harpa tocava /
tocava o olho na harpia /
que voejava na abóbada celeste /
que é um violinista celeste, azul /
ou cimo de inflorescência anil /
Nenhuma cantilena vinha de sua voz /
mesmo se fosse de improviso /
numa inspiração repentina /
a mirar e ouvir a água cantante batendo na pedra /
descendo na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega com espuma /
- com as "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
(a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /
da envergadura do condor a planar sobre a Cordilheira dos Andes /
A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal /
musical com trovadores românticos /
em eufêmias de amor /
na cantiga de amor /
na cantiga de amigo /
Contudo Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Dorival Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /
Apenas lavava lá em casa /
a trouxa de roupa /
sobre a cisterna /
que tinha um bizarro mecanismo /
para trazer a água do lençol freático /
que imagino havia lá no subsolo profundo... /
onde o menino olhava maravilhado /
- para o menino o mundo e a maravilha! /
tudo é tão novo /
quanto o menino e seus sentidos /
a captar o mundo /
em tanta vastidão de coisas a ver /
cheirar, degustar, sentir, enfim... /
- o menino é um reino à parte /
do reino animal do homens... /
Ela lavava lá em casa /
sem lá lá lá... : lá em casa! /
sobre a cisterna aberta e funda /
Torcia e batia a roupa /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decídua temporada de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
da grande barra da alva /
que lava o areal da orla do rio São Francisco /
Era algo alva ou de alba /
filha da manhã antes da luz dilucular /
na madrugada gelada /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
da gelosia ou da parede interna da casa /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos!...
para sempre menino!...
- até a tragédia escatológica /
a tragédia da morte fria e escura /
com máscara sem orifício para os olhos! ) /
Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
- casinhola a tecer trevas num novelo /
uma tela para cobrir a saudade da Penélope de Odisseu... /
que a vida é esta espera /
de alguém ou algo que jamais chega ao destino /
mesmo no batel ou no planador no bergantin... /
- o destino é sem fim /
e o itinerário traçado pela bússola do imaginário /
é somente caminho de água ou terra ou céu sem fim de azul ou cinza... /
para penitente com cinzas sobre a cabeça e cilício /
e vestido com sacos para o desfile do mendigo /
- que é o homem ( nós, cavalheiros à beira-mar!
aguardando o batel... ) /
Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
amarelo flácido /
se há flacidez visível no amarelo /
revestido de uma tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
Alice habitava uma casa mancando e quase caindo /
( casa-fantasma que dava medo à lua! ) /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
exposta às intempéries /
As paredes escoradas com madeira podre por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas a soprar a vasta vela noite /
até atingir o ápice do branco na vela da barra da alva /
- branca vela de veleiro nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
até o vidrado final /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /
Ali naquela casa a pique /
casa à deriva /
Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /
Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas uma ou outra lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /
Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
- não conhecera lebre ou chapeleiro maluco /
nem tampouco a rainha branca ou escarlate /
Talvez quem sabe /
na consonância da lenda lúgubre /
que se tecia ante ela /
na sua vida despojada ao extremo /
tivesse uma filha /
que ficara sob a vegetação do tempo /
nos esgalhos retorcidos da primavera pondo flores /
nas formas arbóreas que estendem galhos em esgares /
como se fossem mãos ou carantonhas de bruxas biltres /
Uma filha!...: era o balbucio, o sussurro das vozes do tempo /
na faringe ou laringe de mães ou minha avó... /
- um filha! que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá /
conforme a audácia ou temeridade encontradiça na obra de um salvador /
dali ou de cá ou quiçá de acolá /
- de um Salvador Dali! /
um salvador de Alice /
que por certo não seria Jesus!...) /
quarta-feira, 15 de junho de 2011
UMIDADEMONGE ( wikcionario dicionario etimologia enciclopedia wiki) )
Náufrago que deu na alva areia /
que peneira a ilha /
- sou Robinson Crusoé! /
o solipsista Robinson Crusoé /
Também sou e sei que sou a areia branca /
alva areia, areal extenso.../
e a praia na costa litorânea que se espraia /
a praia lânguida na orla marítima /
na languidez do havaiano /
com o vento ainda menino traquinas /
balouçando nos braços dos coqueiros /
verdes cordas em olhos de tocar o vento com carinho /
- ternura de Chopin ao piano /
Sou o mar lambendo o sal /
- sal que sou em minha solidão solar /
solícito com solidéu /
e solitude anil levantada ao céu /
alçada até ao azul em cimo /
no paco-paco-papaco peco do pico /
com potes de chuva potável /
com o ápice do anil franqueado a olhos d'água vistos cheios /
( a olhos vistos nos olhos d'água sem mágoa na água ) /
veios seios cheios de enleio no leito /
da ribeira que corre na beira da cachoeira /
com a cabeleira de deusa grega em cachos na espuma flutuante /
anotada por Castro Alves em poesias /
Oh! solitude que mensuro /
- solitude ante mim e meus olhos no horizonte /
que já mentiu o anil /
do qual omitiu o til /
pois há um til fora do anil /
vil til do bem-te-viu /
que ti viu anil no céu /
anilado pela anileira /
cujo plantio é de ponta cabeça /
( planta plantada de ponta-cabeça!) /
Sou Robinson Crusoé exausto na costa leste /
latitude longitude olhada de esguelha na olhadela dela /
da bela amarela na pintura de Modigliani /
que espraia a vela perdida no horizonte /
longe da orla onde /
o naúfrago bateu em areia /
( e o que é bateia? /
Pergunta sem contexto /
exceto com o limo da rima /
- quesito prejudicial /
sem pedra filosofal /
ou Monte Pascal /
em tom clerical /
do tempo medieval /
ó Bernardo de Claraval /
dos beneditino brancos /
contra os beneditinos negros /
cuja irmã vivia no Priorato de Graville /
na solidão do claustro das Cartuxas ) /
Voltando da digressão : /
sou Robinson Crusoé /
sozinho na ilha /
em solitude no mundo /
quiçá no cosmos em contexto grego /
mas não gregário /
enfim no universo com matéria negra /
energia escura permeando todo ato e fato /
tudo tato no mato onde vou até o pé de pato /
e de pequi com caserna para marimbondos e cupim assim /
num mundo de anum mudo sem fim nos confins /
Em pé na areia branca /
com a barra da alva na mão /
e uma flor de laranjeira nos olhos /
o odor da flor de laranjeira nas narinas /
e no vento que passa pelos pelos do nariz /
simples assim sim /
Robinson Crusoé sou /
me escrevendo e me lendo /
nas dupla pessoa do discurso /
locução interlocutória com monólogo e redundância redonda /
no eclipse da elíptica /
prevista na hipótese da equação elipsóide /
uma sentença aberta /
escrita em natura o que está grafado e desenhado no pé de pequi /
que olha do verde das duas folhas e ri /
em frutos encapsulados em verde envoltório /
relicário cujo verdor guarda no anjo da guarda /
o ouro amarelo do fruto /
que é fruta fresca na legislação tributária /
isenta de tributos pelo fisco em Minas /
a mancheias nos campos gerais /
das minas gerais de frutos do cerrado /
filão de frutos e flores /
ervas daninhas e arbustos /
lianas pela flexibilidade das cobras que serpenteiam /
pelo poder da peçonha da jararaca /
Se eu escrevesse um diário /
tipo o diário de Anne Frank /
narrando os horrores inenarráveis da guerra /
que é mais guerra durante a paz das pombas /
diria que hoje e todo dia /
é dia de estratégia para armar a guerra /
mesmo na paz das igrejas /
eivadas de guerras semiológicas /
e batalhas teológicas /
refregas lógicas /
para desgosto das pombas de colarinho azul-pombal /
azul qualquer coisa além do céu de anil puro /
bebida da planta /
que dá um suposto sumo anil /
de anileira desplantada do azul do céu anil /
arrancada com raiz da terra negra da noite do anu /
- anum num bando que forma as moléculas de trevas /
a mole das trevas no edifício da noite /
feminina nos olhos e nos longos cabelos /
penteados com esmero /
Se começasse um diário hoje /
diria que todo dia é hoje /
ontem e amanhã é meramente abstracto, /
abstracção de um pedaço do espaço que chamamos tempo /
a porção móbil do espaço /
o pedaço que se desloca por ser leve /
de pequena massa ou mole /
no sentido da mole do edifício /
que se vê á distância /
e da mole que forma a palavra molécula /
exprimindo o significado de massa no radical /
não importando se grande ou pequena quantidade de massa /
se na mole do edifício ou no corpúsculo formado por moléculas /
como a mole da água corrente /
esbravejante na torrente veloz /
descendo pela escada do rio /
como se água fossem anjos a descer e subir na escada de Jacó /
( Sem embargo dos percalços que os há /
lá para lá do luar (bah!) /
há um ontem abstracto, /
abstraído da realidade do hoje, /
espaço em tempo real, natural, objectivo /
e objecto dos sentidos : /
objecto abstrato, ente mental, /
que é ontologicamente,/
mas não existe,/
não está no mundo, /
porém estava naquele tempo abstracto que denominamos ontem /
que a onomástica cobre tudo em equações de sentido ) /
Hoje(sic), no entanto, /
vejo o tempo como o espaço móvel,/
o espaço com mobilidade
ou, abstraindo o espaço, a mobilidade, o movimento ; /
enfim e menos abstractamente falando : /
hoje vejo o motor, /
conquanto o motor seria o que impulsiona o movimento /
e então "complexica" e "perplexica" o conceito de movimento /
para ironizar a perplexicação e complexicação /
ou a abstracção percebida no conceito anterior /
enfocada na concepção anterior de tempo /
não para inovar ou inferir outra categoria temporal /
porquanto o tempo é motor que se move sem motor /
arranco sem torque de quinhões do espaço /
elucubrados depois em equações com derivadas parciais /
que cantam o canto de Planck e Einstein /
( equações da luz e da propagação das ondas /
- equações de tudo o que se move /
e é motor ao se tornar móvel ) /
Sou Robinson Crusoé até na concepção do tempo /
não apenas algo que está na cadeia das palavras /
mas que transcende à teia das palavras /
que é uma teia conecta tal qual a da vida /
ou o ciclo da água ou do motor Otto de combustão interna /
mas também no entendimento que tenho de tempo /
de discrepa de Einstein e Newton( ai de mim!) /
e põe no mundo o tempo não apenas como algo natural /
consoante sói à filosofia natural /
porém põe o tempo como vocábulo /
que é algo que refoge à realidade plena /
e se refugia na realidade enquanto algo dado aos sentidos /
e que depois intelectualizamos no desenho do conceito /
e põe o tempo no mundo para além do simples ato de pensar /
e que pensa com a voz da filosofia natural que o tempo é objeto
presente no real /
e não apenas objecto dos sentidos ou da razão /
que observa os fenômenos no mundo contando-os /
graças ao intelecto humano e a diversidade dos indivíduos /
bem como pelo poder do uso da razão /
( exclua a grei miserável /
intelectualmente inerme /
inerte amorfa massa /
para os quais somente há uma resposta /
e uma verdade alheia a eles /
que não conseguem ser indivíduos /
porém apenas grupos /
rebanhos no pasto ) /
tirante estes infra /
há tantas respostas quantos indivíduos ,/
tantas verdades quantos são os indivíduos /
e se contam as inteligências não como sete /
porém quantos são os indivíduos /
também são as inteligências humanas /
graças a Voltaire e depois a Deus /
( natureza, da qual Deus é o símbolo mais palpável e sensível à
textura antropológica e
cêntrica, /
centrípeta força )./
Na verdade ( que é o bom em grego em grego antigo ) /
não existe a verdade, mas a filosofia; /
mas fora do falar grego tangendo para a metafísica /
nem a sequer existe a filosofia há... /
- o que há são filósofos /
meras representações do homem /
( alienação do homem em filósofo /
um ser menos que o homem /
porquanto o homem é tudo : /
monge, médico, monstro, gari, poeta, advogado, doméstica..../
enquanto o filósofo é apenas filósofo /
- um pedaço do ser do homem /
que nem é um homem /
porque parte do homem /
alienado numa profissão de fé /
mesmo no existencialismo ateu ) /
Não obstante, sou Robinson Crusoé /
uma personagem fictícia que encarno /
que somente é em mim /
no bojo do meu ser /
Sinto-me Robinson Crusoé num diário sem diálogo /
( Robinson Crusoé, cujo livro leio, li ontem ) /
Sou Robinson Crusoé /
e simultaneamente sou Anne Frank /
comentando a vida /
olhando para o espelho do tempo no pó da luz /
Ademais, a luz em pó no espelho do tempo em pó /
caído com o anjo decaído no pó do solo para ervas daninhas, /
( dente-de-leão no chão com a forrageira do anil por cima /
em céu de mil azul com flor azul ) /
dá-me olhos e olhar /
para perceber a luz que olho e faz o olho /
( faz o olho com um bisturi de luz ou obsidiana ) /
guardada na redoma do ato natural de fazer pensando /
Meditando silente olho o olho da luz /
olho no olho da luz /
( a luz é o olho que fabrica o olho e o que olho ) /
onde nado e navego com o olhar /
barco para outro mar à vela /
puro veleiro aproando à sotavento /
Nado na luz com os olhos /
piso na luz e nela abro uma picada /
um caminho que vai aos peixes /
que nadam dentro de mim em pensamento /
e fora de mim no azul para pássaro /
que outro nome que se dá aos crustáceos /
que voam incrustados no céu de pedra preciosa tracejada a lápis-lazúli /
ou viaja pelos olhos no azul da ametista /
viandante à sombra do teque-teque /
ou do atum no mar sem anum /
porquanto um anum no céu é quinhão de noite /
todavia um bando de anum faz a noite ser um anu-preto enorme /
esticado qual tapete persa num céu vivo /
para pássaros no azulão do dia /
e morcegos negros no negrejar da noite /
na calada da escura rumando para anum /
tecendo anu na maré alta em ondas negras /
de mar da noite /
pois a noite é um mar negro /
e uma necromante bela com cabelos longos nigérrimos /
de mulher jovem em pleno poder sexual /
no império sexual vasto da bela mulher /
longas as madeixas tal qual o império dela /
sobre os pobres romanos em campanha /
contra a rainha Cleópatra /
lá do Egipto antigo e fixo nas pirâmides /
signos e símbolos eternos /
que fazem pó da luz no espelho /
onde se olha a bela /
aonde ela vai mergulhar na luz /
com mel e leite no oceano perpétuo de luz /
que desmancha o tempo em pó /
e mantém rígidas as pedras das pirâmides /
e as rochas e gemas dos olhos /
asseverando que eu sou o tempo /
no azul do pássaro sobre as cordilheiras de costa a costa /
no verde abissal matizado nas algas que ambienta o molusco e o
tubarão-cabeça-de-martelo /
e no anul do céu aberto escuro para morcego e coruja pia /
que vasculha e bisbilhota a calada escura sem escusa /
- sou a substância do tempo /
e mesmo a gosma nojenta que move o espaço no caramujo /
porquanto espaço é porção do tempo deslocada /
movida como a areia que o vento toca /
- e toca viola, ó violeiro bom! /
Sou Robinson Crusoé e o mundo é minha ilha /
sendo o mundo o corpo que me circunda /
e o tanto de água para mar que sou /
em meu estado físico da matéria /
( expressão estúpida e científica, pomposa.
A estupidez científica é menos estúpida? /
ou menos estupidez ?! ) /
Se eu começasse um diário hoje ( amanhã?) /
tipo Anne Frank /,
o diário de Anne Frank, /
escreveria sobre a guerra /
tal qual Anne Frank escreveu /
sempre sobre a maldita guerra /
cavaleiro da peste e da fome /
cavaleiro negro da desgraça /
- a guerra é o demônio solto a cavalo /
galopando no mundo /
predador pronto e apto máxime para matar /
ferir com peste negra e fome amarela /
sobre o cavalo amarelo /
que galopa fosco no lusco-fusco /
até destruir o caminho do trigo /
até apagar as marcas dos pés do milho /
até apagar o fosco do amarelo no sol /
apagar o espectro amarelo nos pés descalços do trigo /
que anda até o pão /
este andarilho de longa peregrinação /
que é o trigo e o milho em bonecas com bastas cabeleiras /
para brincar de vida com as meninas /
( porque estamos em tempo de guerras /
quando todos os diabos estão no tempo /
como motor do mundo /
que gira sob seus pistões /
e, entretanto, teimam em dar o prêmio da paz para o promotor da guerra /
o senhor do conflito bélico /
onde pousa a águia peregrina /
e o falcão peregrino /
a fim de inviabilizar a percepção da guerra /
e desviar as ondas senoidais /
para a semiologia de guerra , sem paz, /
que comunica os horrores de um campo de concentração /
e um genocídio pretérito /
( holocausto é vocábulo mais caro ao desgosto dos irmãos judeus, ó
Kafka, Kiekiegaard! /
no abstracto aberto a todo pano
ao veleiro da imaginação no vento que sopra o deus Eolo da Grécia /
antiga, fazendo o presidente do império atual parecer a paz da paz, /
que a grei católica gosta de ver como o consolador Espírito Santo, /
um estado da alma mitificada /
ou mística na rosa e na cruz /
ambas pelo mar escarlate do sangue /
grego judeu romano celta vândalo godo visigodo /
engodo é que não é )./
Sou Robinson Crusoé numa ilha do pacífico,/
talvez atlântico, ou atlante, /
e mal grado a solidão monástica, estou em guerra, /
apesar da solitude de longa terra para um povo de pés no Rio Pó, /
paradoxalmente, estou sem paz, ainda à sombra das pombas /
porquanto não me deixo em paz à sombra dos caminhos /
que descaminham antípodas /
e fogem dos chinelos
das sandálias franciscanas ou havaianas
ou dos pés descalços das carmelitas descalças /
nos caminhos incansáveis e longos nas areias para os pés exaustos dos
pacificadores /
marcas nas areias velhas das ampulhetas /
que olham com cintilação das estrelas /
lá de cima da Nebulosa do Relógio de Areia. /
Sou Robinson Crusoé /
não obstante se eu fosse escrever um diário /
não seria como o de Anne Frank, /
embora ela descrevesse os horrores da guerra /
e eu saiba desses horrores dos homens no "front" cotidiano, /
da batalha perdida quotidianamente para o maldade humana /
Não falaria de mim /
( e estaria, inobstante, escrevendo sobre mim, uma auto biografia, /
ou quiçá "Memórias de um cínico com gosto de Menipéia" /
pois mesmo falando de objetos e de outros seres humanos, /
estou a falar de mim por meio desse reflexo do meu ego /
ou subjetividade ( objecto subjacente é o pensamento ) /
no que observo e ponho como objeto do meu logos não
grego, /
da lógica, Farol de Alexandria metafórico e real /
na simultaneidade que é o pensamento, /
ser no qual não se separa o tempo do espaço, /
conquanto nas palavras que traduzem o pensamento /
venha a abstracção, que não entra na intimidade do pensamento, /
o ser que nos põe no mundo enquanto seres pensantes /
e não apenas perceptivos e ativos pelo corpo. /
Agimos também e principalmente, e antes do tempo, pelo pensamento), /
falaria da minha idéia que perpassa, una, coerente, /
a tudo o que faço de objecto./
( Ah! a propósito! ( cruel propósito) : adoro os textos da
Menipéia...mande-mos mais /
ó monólogo em forma de leitor /
que me lê ou não /
ou que me leio enquanto escrevo e o pós-escrito /
pois eles ( os textos ) estão no plasma social, econômico, político,
axiológico, /
dentre outros universos correlatos /
( e todos os universos, no caso, são universos bolhas, /
paralelos, alelos, tais quais genes, /
processados no "sabat" ( "sabá") judaico e grego, /
os quais são alguns dos símbolos e arquétipos /
fundantes e constitutivos da mente humana, /
templo da ociosidade perpétua ) /
Eu sou Robinson Crusoé /
e tenho um modo de pensar e ler /
uma tese ( território ) no mundo /
e toda uma economia e um mercado negro /
não existiriam sem mim /
e seriam afectados por um ato hipotético, /
da minha inexistência real ou ficta /
social e individual /
pois se sou Robinson Crusoé /
devido à minha auto-consciência /
outrossim minha consciência me diz e assinala /
outros Robisons Crusoés no mundo /
captados pelos meus sentidos /
e também mensura a realidade e irrealidade /
da ficção que sou passando pelo caminho da natureza /
da física que me circunda e penetra o corpo /
ainda na mente com a dopamina e as endorfinas /
( porquanto a ficção tem existência mas não vida /
é real no ser que o pensamento faz com a imaginação e o significado /
e irreal em natureza física ) /
que, todavia, pode se tornar real /
ao nascer o "ovo" que encete o contexto ou teia /
que faça existir outro modo de pensar e ler /
o mundo social e, consequentemente, transcrevê-lo para o direito,/
ou seja, normalizá-lo, porquanto muito do que existe no mercado negro,/
ou é produto ou mercadoria do supramencionado mercado,/
se deslocaria para o mercado livre /
( não o do site homônimo, claro),/
mas para o mercado ordinário, /
livre ou regulamentado em lei, quando fosse o caso /
e se fosse, quando fosse. /
Sou Robinson Crusoé /
enquanto idéia e ideal /
com uma ideologia política /
ou céptico e mesmo cínico /
crítico sarcástico e incréu /
( As ideologias são complexos à parte, /
inclusive à parte do mundo real, da realidade, /
pois, obviamente, são idealidades, /
mas, concomitantemente, são mais que idealidades e realidades, /
são seres, entes mentais da espécie das Quimeras, centauros, /
entes cujos existência é meio real e meio ficta,/
corpos de dubiedades, /
se pudermos usar essa expressão ambígua /
para tentar exprimir essa ambiguidade lógica, real e imaginária /
ao mesmo tempo e no mesmo espaço mental e social ) /
assim como ferindo interesses de vários grupos poderosos /
que desejam que tudo continue /
como dantes sem quartel de Abrantes.) /
Sozinho no mundo /
sou Robinson Crusoé entre ilhas Maldivas /
usufruindo de plena solitude /
de quem está no campeonato de moto velocidade /
( motovelocidade é Valentino Rossi /
ninguém mais que Valentino Rossi ) /
com um adversário há mais de 20 segundo atrás /
e o outro 25 segundos à frente /
sem importar as posições do solitário em pista /
- piloto em solitude no autódromo /
e solidão na alma que acelera a Yamaha /
ganhando força no motor Otto /
ciclo Otto do motor /
roncando no torque da motocicleta /
do doutor Valentino Rossi /
um ilustre e típico representante da ordem da cavalaria medieval /
( cavaleiros de Malta e templários e hispitalários /
e um cavaleiro de triste figura escanchado desdenhosamente sobre um
rocim fraco /
na aventura quotidia na sob o põe das auroras em forma de rocio /
- claro rocio que gurada a imagem da lua amarela e recordata no papel /
de lua minguante ou quarto crescente /
ou novilúnio ou plenilúnio quando álacre e sorridente no céu negro ) /
- cavaleiro negro foragido de um Apocalipse escrito em rolos de pergaminho /
sob o capacete (antigo elmo do ambulante Dom Quixote de la Mancha ) /
e balaclava dentre outros adereços bélicos /
reminiscência de fato historial /
talhado no pó da armadura do cavaleiro templário medievo /
ainda em pé depois da vasta história e batalhas /
escritas com o sangue no fio da espada /
do monge e guerreiro na cruzada santa /
senhor da guerra do deus Marte /
e da paz do Jesus Cristo clerical medieval /
Cavalgando entre as ruínas da solidão /
ao ruído estridente(?) do motor Otto /
( lá vai o douto Valentino Rossi!) /
longe latitudes e longitudes das pradarias verdejantes /
mas dentro da minha alma na campina /
onde gorjeia o galo-da-campina ( Paroaria dominicana ) /
tribo de ave passariforme cuja família é a Fringilliidae /
na verdade é uma clade da família Passeridae ) /
fico eu cismando e cavando na flor do imaginário /
um espaço amarelo outro azul /
consoante faz a flor com suas pás com substância tiradas ao espectro da luz /
que desce lá do vôo peregrino da arara azul /
para a floração que cultiva o anil sobre o espaço incolor /
assim como fazem as flores com um ancinho /
pás e picaretas da matéria ondulatória da luz /
com as quais cavocam um espaço amarelo ou azul trombeta /
um pouco acima do solo /
cavado em anil meio-pedaço de céu /
ou o amarelo tomado às tintas das borboletas /
adejando na parte do espaço incolor /
movidas pelo tempo /
que não passa de um pedaço ou favo do espaço /
que ganhou energia com um movimento /
um moto remoto ignoto /
da equação algébrica descrevendo o primeiro motor /
ou primeiro movimento /
com motivo em flor anil /
ou amarelo primaveril /
cavando o espaço branco com duas pás do arco-íris /
iris dos olhos adentro /
ladeados no espaço branco do olho /
que cava a cor amarela e anil /
e o movimento no espaço em deslocamento /
que os algebristas chamam tempo ou função na equação literal /
Em solitude no cosmos imenso /
aberto em céus e espaço sideral /
fico assustado quando vejo /
um fantasma entrar /
ou passar rápido pelos meus olhos errantes na esteira de poeira da luz /
( seria um avantesma ou outro ego /
do outro lado deste mundo em que estou /
cravado como pedra no meu ego /
ou o que quer que seja minha subjectividade /
se a há de fato ) /
Sozinho no universo /
olho estrelas esparsas na noite /
e a estrela do dia /
no amarelo do sol em lápis de cor de Juan Miró /
( ai! que me lembro da infância das crianças que amei /
amor hoje assentado no pó do tempo /
que passou na velocidade do motor em equação de calor /
se não fosse o bebê que levo ao colo /
para o amor levantar do pó /
alegrar as ervas floridas no âmago do espaço amarelo ou anil da flor /
que colheu um pouco do céu e da mariposa ) /
ou quiçá de Wassyli Kandinsky /
da santa terra negra da Rússia de floresta negra /
bosque de bétulas /
tundras e mujiques cossacos /
homens do barro da terra de Chagall /
senhor e rei da aldeia russa /
Só na terra /
sei que sou monge /
poeta médico sábio erudito cientista músico artista /
guerreiro empresário imperador romano /
filósofo sou eu /
e mais ninguém /
pois não tem ninguém /
senão fora de mim /
e de quem eu preciso cuidar /
amar profundamente /
para que a ponte da alteridade /
seja construída /
em lugar do que era esquizofrenia /
autismo e psicopatia /
paranóia com megalomania /
Mas sou Robinson Crusoe na ilha /
- insulado no corpo /
e na minha mente /
capaz de absorver o infinito /
e o tempo pelo conceito-esperança da eternidade /
bem como o todo mergulhar no nada /
um mergulhão algo ao modo do Martim-pescador ou dos atobás brancos /
porém incapaz de singrar os sete mares de solidão /
que não acham porto seguro sequer na solitude /
nem tampouco na alteridade /
que se esforça com todo o amor /
com a paixão que toma o ar /
com odores corporais de fêmeas florais /
( imaginai as vaginais!) /
Em solitude no mundo /
somos Robinson Crusoe /
frente às gigantescas instituições /
as megalíticas fundações /
com a mole do edifício voltado contra o ser do homem /
escrito nos hieróglifos da solidão da pedra brutal /
ignorando o homem /
assim como o fazem as leis e estatutos das fundações /
associações, sociedades e outros monstros /
do novo eterno mito /
que põe as instituições como titãs heróicas /
e o indivíduo como uma pobre formiga ou barata-Kafka /
a ser esmagada sem piedade /
sob os pés do colosso de Rhodes /
Sou Robinson crusoé insulado da ilha sul /
usurpado do poder sobre mim /
conquanto jogado na solitude /
duma masmorra de leis na torre do castelo /
com a máscara de ferro pesando sobre o rosto /
grilhões nas mãos e pés /
na umidade do ergástulo /
ou na cela do monge medievo /
arrostando sozinho contra e a favor de todas as regras /
da ordem dos monges negros /
os temíveis beneditinos da Inquisição espanhola /
de triste memória /
com enclave entre terras de lenda negra /
- terra na madeira dos navios-piratas /
bandeira negra da caveira a celebrar a morte alheia /
( a morte sempr é alheia /
algo alienado do ser vivo /
olhando par ao que irá animar a caveira desenhada na bandeira /
tremulando ao vento que sopra seu espírito de ar /
da boca de Deus a encher os pulmões /
- as duas árvores da vida plantadas no corpo humano /
separados pelo coração ) /
Sou Robinson Crusoéumidade /
porque somente sinto o mundo como sinto /
tenho a inteligência do mundo como eu sou /
e sendo faço o ser /
- ser o que eu sou e vejo e faço /
( o ser é meu pensamento e percepções misturados /
na união do sentimento e razão /
Sou um monge medievo longe arrastado do tempo /
por um motor alocado no espaço /
( motor que é o próprio tempo /
sendo o tempo nada mais que uma parte do espaço /
que se movimenta e movendo-se vira tempo /
ou se desdobra na palavra tempo /
que o acolhe em conceito /
esse novo fato natural ) /
que peneira a ilha /
- sou Robinson Crusoé! /
o solipsista Robinson Crusoé /
Também sou e sei que sou a areia branca /
alva areia, areal extenso.../
e a praia na costa litorânea que se espraia /
a praia lânguida na orla marítima /
na languidez do havaiano /
com o vento ainda menino traquinas /
balouçando nos braços dos coqueiros /
verdes cordas em olhos de tocar o vento com carinho /
- ternura de Chopin ao piano /
Sou o mar lambendo o sal /
- sal que sou em minha solidão solar /
solícito com solidéu /
e solitude anil levantada ao céu /
alçada até ao azul em cimo /
no paco-paco-papaco peco do pico /
com potes de chuva potável /
com o ápice do anil franqueado a olhos d'água vistos cheios /
( a olhos vistos nos olhos d'água sem mágoa na água ) /
veios seios cheios de enleio no leito /
da ribeira que corre na beira da cachoeira /
com a cabeleira de deusa grega em cachos na espuma flutuante /
anotada por Castro Alves em poesias /
Oh! solitude que mensuro /
- solitude ante mim e meus olhos no horizonte /
que já mentiu o anil /
do qual omitiu o til /
pois há um til fora do anil /
vil til do bem-te-viu /
que ti viu anil no céu /
anilado pela anileira /
cujo plantio é de ponta cabeça /
( planta plantada de ponta-cabeça!) /
Sou Robinson Crusoé exausto na costa leste /
latitude longitude olhada de esguelha na olhadela dela /
da bela amarela na pintura de Modigliani /
que espraia a vela perdida no horizonte /
longe da orla onde /
o naúfrago bateu em areia /
( e o que é bateia? /
Pergunta sem contexto /
exceto com o limo da rima /
- quesito prejudicial /
sem pedra filosofal /
ou Monte Pascal /
em tom clerical /
do tempo medieval /
ó Bernardo de Claraval /
dos beneditino brancos /
contra os beneditinos negros /
cuja irmã vivia no Priorato de Graville /
na solidão do claustro das Cartuxas ) /
Voltando da digressão : /
sou Robinson Crusoé /
sozinho na ilha /
em solitude no mundo /
quiçá no cosmos em contexto grego /
mas não gregário /
enfim no universo com matéria negra /
energia escura permeando todo ato e fato /
tudo tato no mato onde vou até o pé de pato /
e de pequi com caserna para marimbondos e cupim assim /
num mundo de anum mudo sem fim nos confins /
Em pé na areia branca /
com a barra da alva na mão /
e uma flor de laranjeira nos olhos /
o odor da flor de laranjeira nas narinas /
e no vento que passa pelos pelos do nariz /
simples assim sim /
Robinson Crusoé sou /
me escrevendo e me lendo /
nas dupla pessoa do discurso /
locução interlocutória com monólogo e redundância redonda /
no eclipse da elíptica /
prevista na hipótese da equação elipsóide /
uma sentença aberta /
escrita em natura o que está grafado e desenhado no pé de pequi /
que olha do verde das duas folhas e ri /
em frutos encapsulados em verde envoltório /
relicário cujo verdor guarda no anjo da guarda /
o ouro amarelo do fruto /
que é fruta fresca na legislação tributária /
isenta de tributos pelo fisco em Minas /
a mancheias nos campos gerais /
das minas gerais de frutos do cerrado /
filão de frutos e flores /
ervas daninhas e arbustos /
lianas pela flexibilidade das cobras que serpenteiam /
pelo poder da peçonha da jararaca /
Se eu escrevesse um diário /
tipo o diário de Anne Frank /
narrando os horrores inenarráveis da guerra /
que é mais guerra durante a paz das pombas /
diria que hoje e todo dia /
é dia de estratégia para armar a guerra /
mesmo na paz das igrejas /
eivadas de guerras semiológicas /
e batalhas teológicas /
refregas lógicas /
para desgosto das pombas de colarinho azul-pombal /
azul qualquer coisa além do céu de anil puro /
bebida da planta /
que dá um suposto sumo anil /
de anileira desplantada do azul do céu anil /
arrancada com raiz da terra negra da noite do anu /
- anum num bando que forma as moléculas de trevas /
a mole das trevas no edifício da noite /
feminina nos olhos e nos longos cabelos /
penteados com esmero /
Se começasse um diário hoje /
diria que todo dia é hoje /
ontem e amanhã é meramente abstracto, /
abstracção de um pedaço do espaço que chamamos tempo /
a porção móbil do espaço /
o pedaço que se desloca por ser leve /
de pequena massa ou mole /
no sentido da mole do edifício /
que se vê á distância /
e da mole que forma a palavra molécula /
exprimindo o significado de massa no radical /
não importando se grande ou pequena quantidade de massa /
se na mole do edifício ou no corpúsculo formado por moléculas /
como a mole da água corrente /
esbravejante na torrente veloz /
descendo pela escada do rio /
como se água fossem anjos a descer e subir na escada de Jacó /
( Sem embargo dos percalços que os há /
lá para lá do luar (bah!) /
há um ontem abstracto, /
abstraído da realidade do hoje, /
espaço em tempo real, natural, objectivo /
e objecto dos sentidos : /
objecto abstrato, ente mental, /
que é ontologicamente,/
mas não existe,/
não está no mundo, /
porém estava naquele tempo abstracto que denominamos ontem /
que a onomástica cobre tudo em equações de sentido ) /
Hoje(sic), no entanto, /
vejo o tempo como o espaço móvel,/
o espaço com mobilidade
ou, abstraindo o espaço, a mobilidade, o movimento ; /
enfim e menos abstractamente falando : /
hoje vejo o motor, /
conquanto o motor seria o que impulsiona o movimento /
e então "complexica" e "perplexica" o conceito de movimento /
para ironizar a perplexicação e complexicação /
ou a abstracção percebida no conceito anterior /
enfocada na concepção anterior de tempo /
não para inovar ou inferir outra categoria temporal /
porquanto o tempo é motor que se move sem motor /
arranco sem torque de quinhões do espaço /
elucubrados depois em equações com derivadas parciais /
que cantam o canto de Planck e Einstein /
( equações da luz e da propagação das ondas /
- equações de tudo o que se move /
e é motor ao se tornar móvel ) /
Sou Robinson Crusoé até na concepção do tempo /
não apenas algo que está na cadeia das palavras /
mas que transcende à teia das palavras /
que é uma teia conecta tal qual a da vida /
ou o ciclo da água ou do motor Otto de combustão interna /
mas também no entendimento que tenho de tempo /
de discrepa de Einstein e Newton( ai de mim!) /
e põe no mundo o tempo não apenas como algo natural /
consoante sói à filosofia natural /
porém põe o tempo como vocábulo /
que é algo que refoge à realidade plena /
e se refugia na realidade enquanto algo dado aos sentidos /
e que depois intelectualizamos no desenho do conceito /
e põe o tempo no mundo para além do simples ato de pensar /
e que pensa com a voz da filosofia natural que o tempo é objeto
presente no real /
e não apenas objecto dos sentidos ou da razão /
que observa os fenômenos no mundo contando-os /
graças ao intelecto humano e a diversidade dos indivíduos /
bem como pelo poder do uso da razão /
( exclua a grei miserável /
intelectualmente inerme /
inerte amorfa massa /
para os quais somente há uma resposta /
e uma verdade alheia a eles /
que não conseguem ser indivíduos /
porém apenas grupos /
rebanhos no pasto ) /
tirante estes infra /
há tantas respostas quantos indivíduos ,/
tantas verdades quantos são os indivíduos /
e se contam as inteligências não como sete /
porém quantos são os indivíduos /
também são as inteligências humanas /
graças a Voltaire e depois a Deus /
( natureza, da qual Deus é o símbolo mais palpável e sensível à
textura antropológica e
cêntrica, /
centrípeta força )./
Na verdade ( que é o bom em grego em grego antigo ) /
não existe a verdade, mas a filosofia; /
mas fora do falar grego tangendo para a metafísica /
nem a sequer existe a filosofia há... /
- o que há são filósofos /
meras representações do homem /
( alienação do homem em filósofo /
um ser menos que o homem /
porquanto o homem é tudo : /
monge, médico, monstro, gari, poeta, advogado, doméstica..../
enquanto o filósofo é apenas filósofo /
- um pedaço do ser do homem /
que nem é um homem /
porque parte do homem /
alienado numa profissão de fé /
mesmo no existencialismo ateu ) /
Não obstante, sou Robinson Crusoé /
uma personagem fictícia que encarno /
que somente é em mim /
no bojo do meu ser /
Sinto-me Robinson Crusoé num diário sem diálogo /
( Robinson Crusoé, cujo livro leio, li ontem ) /
Sou Robinson Crusoé /
e simultaneamente sou Anne Frank /
comentando a vida /
olhando para o espelho do tempo no pó da luz /
Ademais, a luz em pó no espelho do tempo em pó /
caído com o anjo decaído no pó do solo para ervas daninhas, /
( dente-de-leão no chão com a forrageira do anil por cima /
em céu de mil azul com flor azul ) /
dá-me olhos e olhar /
para perceber a luz que olho e faz o olho /
( faz o olho com um bisturi de luz ou obsidiana ) /
guardada na redoma do ato natural de fazer pensando /
Meditando silente olho o olho da luz /
olho no olho da luz /
( a luz é o olho que fabrica o olho e o que olho ) /
onde nado e navego com o olhar /
barco para outro mar à vela /
puro veleiro aproando à sotavento /
Nado na luz com os olhos /
piso na luz e nela abro uma picada /
um caminho que vai aos peixes /
que nadam dentro de mim em pensamento /
e fora de mim no azul para pássaro /
que outro nome que se dá aos crustáceos /
que voam incrustados no céu de pedra preciosa tracejada a lápis-lazúli /
ou viaja pelos olhos no azul da ametista /
viandante à sombra do teque-teque /
ou do atum no mar sem anum /
porquanto um anum no céu é quinhão de noite /
todavia um bando de anum faz a noite ser um anu-preto enorme /
esticado qual tapete persa num céu vivo /
para pássaros no azulão do dia /
e morcegos negros no negrejar da noite /
na calada da escura rumando para anum /
tecendo anu na maré alta em ondas negras /
de mar da noite /
pois a noite é um mar negro /
e uma necromante bela com cabelos longos nigérrimos /
de mulher jovem em pleno poder sexual /
no império sexual vasto da bela mulher /
longas as madeixas tal qual o império dela /
sobre os pobres romanos em campanha /
contra a rainha Cleópatra /
lá do Egipto antigo e fixo nas pirâmides /
signos e símbolos eternos /
que fazem pó da luz no espelho /
onde se olha a bela /
aonde ela vai mergulhar na luz /
com mel e leite no oceano perpétuo de luz /
que desmancha o tempo em pó /
e mantém rígidas as pedras das pirâmides /
e as rochas e gemas dos olhos /
asseverando que eu sou o tempo /
no azul do pássaro sobre as cordilheiras de costa a costa /
no verde abissal matizado nas algas que ambienta o molusco e o
tubarão-cabeça-de-martelo /
e no anul do céu aberto escuro para morcego e coruja pia /
que vasculha e bisbilhota a calada escura sem escusa /
- sou a substância do tempo /
e mesmo a gosma nojenta que move o espaço no caramujo /
porquanto espaço é porção do tempo deslocada /
movida como a areia que o vento toca /
- e toca viola, ó violeiro bom! /
Sou Robinson Crusoé e o mundo é minha ilha /
sendo o mundo o corpo que me circunda /
e o tanto de água para mar que sou /
em meu estado físico da matéria /
( expressão estúpida e científica, pomposa.
A estupidez científica é menos estúpida? /
ou menos estupidez ?! ) /
Se eu começasse um diário hoje ( amanhã?) /
tipo Anne Frank /,
o diário de Anne Frank, /
escreveria sobre a guerra /
tal qual Anne Frank escreveu /
sempre sobre a maldita guerra /
cavaleiro da peste e da fome /
cavaleiro negro da desgraça /
- a guerra é o demônio solto a cavalo /
galopando no mundo /
predador pronto e apto máxime para matar /
ferir com peste negra e fome amarela /
sobre o cavalo amarelo /
que galopa fosco no lusco-fusco /
até destruir o caminho do trigo /
até apagar as marcas dos pés do milho /
até apagar o fosco do amarelo no sol /
apagar o espectro amarelo nos pés descalços do trigo /
que anda até o pão /
este andarilho de longa peregrinação /
que é o trigo e o milho em bonecas com bastas cabeleiras /
para brincar de vida com as meninas /
( porque estamos em tempo de guerras /
quando todos os diabos estão no tempo /
como motor do mundo /
que gira sob seus pistões /
e, entretanto, teimam em dar o prêmio da paz para o promotor da guerra /
o senhor do conflito bélico /
onde pousa a águia peregrina /
e o falcão peregrino /
a fim de inviabilizar a percepção da guerra /
e desviar as ondas senoidais /
para a semiologia de guerra , sem paz, /
que comunica os horrores de um campo de concentração /
e um genocídio pretérito /
( holocausto é vocábulo mais caro ao desgosto dos irmãos judeus, ó
Kafka, Kiekiegaard! /
no abstracto aberto a todo pano
ao veleiro da imaginação no vento que sopra o deus Eolo da Grécia /
antiga, fazendo o presidente do império atual parecer a paz da paz, /
que a grei católica gosta de ver como o consolador Espírito Santo, /
um estado da alma mitificada /
ou mística na rosa e na cruz /
ambas pelo mar escarlate do sangue /
grego judeu romano celta vândalo godo visigodo /
engodo é que não é )./
Sou Robinson Crusoé numa ilha do pacífico,/
talvez atlântico, ou atlante, /
e mal grado a solidão monástica, estou em guerra, /
apesar da solitude de longa terra para um povo de pés no Rio Pó, /
paradoxalmente, estou sem paz, ainda à sombra das pombas /
porquanto não me deixo em paz à sombra dos caminhos /
que descaminham antípodas /
e fogem dos chinelos
das sandálias franciscanas ou havaianas
ou dos pés descalços das carmelitas descalças /
nos caminhos incansáveis e longos nas areias para os pés exaustos dos
pacificadores /
marcas nas areias velhas das ampulhetas /
que olham com cintilação das estrelas /
lá de cima da Nebulosa do Relógio de Areia. /
Sou Robinson Crusoé /
não obstante se eu fosse escrever um diário /
não seria como o de Anne Frank, /
embora ela descrevesse os horrores da guerra /
e eu saiba desses horrores dos homens no "front" cotidiano, /
da batalha perdida quotidianamente para o maldade humana /
Não falaria de mim /
( e estaria, inobstante, escrevendo sobre mim, uma auto biografia, /
ou quiçá "Memórias de um cínico com gosto de Menipéia" /
pois mesmo falando de objetos e de outros seres humanos, /
estou a falar de mim por meio desse reflexo do meu ego /
ou subjetividade ( objecto subjacente é o pensamento ) /
no que observo e ponho como objeto do meu logos não
grego, /
da lógica, Farol de Alexandria metafórico e real /
na simultaneidade que é o pensamento, /
ser no qual não se separa o tempo do espaço, /
conquanto nas palavras que traduzem o pensamento /
venha a abstracção, que não entra na intimidade do pensamento, /
o ser que nos põe no mundo enquanto seres pensantes /
e não apenas perceptivos e ativos pelo corpo. /
Agimos também e principalmente, e antes do tempo, pelo pensamento), /
falaria da minha idéia que perpassa, una, coerente, /
a tudo o que faço de objecto./
( Ah! a propósito! ( cruel propósito) : adoro os textos da
Menipéia...mande-mos mais /
ó monólogo em forma de leitor /
que me lê ou não /
ou que me leio enquanto escrevo e o pós-escrito /
pois eles ( os textos ) estão no plasma social, econômico, político,
axiológico, /
dentre outros universos correlatos /
( e todos os universos, no caso, são universos bolhas, /
paralelos, alelos, tais quais genes, /
processados no "sabat" ( "sabá") judaico e grego, /
os quais são alguns dos símbolos e arquétipos /
fundantes e constitutivos da mente humana, /
templo da ociosidade perpétua ) /
Eu sou Robinson Crusoé /
e tenho um modo de pensar e ler /
uma tese ( território ) no mundo /
e toda uma economia e um mercado negro /
não existiriam sem mim /
e seriam afectados por um ato hipotético, /
da minha inexistência real ou ficta /
social e individual /
pois se sou Robinson Crusoé /
devido à minha auto-consciência /
outrossim minha consciência me diz e assinala /
outros Robisons Crusoés no mundo /
captados pelos meus sentidos /
e também mensura a realidade e irrealidade /
da ficção que sou passando pelo caminho da natureza /
da física que me circunda e penetra o corpo /
ainda na mente com a dopamina e as endorfinas /
( porquanto a ficção tem existência mas não vida /
é real no ser que o pensamento faz com a imaginação e o significado /
e irreal em natureza física ) /
que, todavia, pode se tornar real /
ao nascer o "ovo" que encete o contexto ou teia /
que faça existir outro modo de pensar e ler /
o mundo social e, consequentemente, transcrevê-lo para o direito,/
ou seja, normalizá-lo, porquanto muito do que existe no mercado negro,/
ou é produto ou mercadoria do supramencionado mercado,/
se deslocaria para o mercado livre /
( não o do site homônimo, claro),/
mas para o mercado ordinário, /
livre ou regulamentado em lei, quando fosse o caso /
e se fosse, quando fosse. /
Sou Robinson Crusoé /
enquanto idéia e ideal /
com uma ideologia política /
ou céptico e mesmo cínico /
crítico sarcástico e incréu /
( As ideologias são complexos à parte, /
inclusive à parte do mundo real, da realidade, /
pois, obviamente, são idealidades, /
mas, concomitantemente, são mais que idealidades e realidades, /
são seres, entes mentais da espécie das Quimeras, centauros, /
entes cujos existência é meio real e meio ficta,/
corpos de dubiedades, /
se pudermos usar essa expressão ambígua /
para tentar exprimir essa ambiguidade lógica, real e imaginária /
ao mesmo tempo e no mesmo espaço mental e social ) /
assim como ferindo interesses de vários grupos poderosos /
que desejam que tudo continue /
como dantes sem quartel de Abrantes.) /
Sozinho no mundo /
sou Robinson Crusoé entre ilhas Maldivas /
usufruindo de plena solitude /
de quem está no campeonato de moto velocidade /
( motovelocidade é Valentino Rossi /
ninguém mais que Valentino Rossi ) /
com um adversário há mais de 20 segundo atrás /
e o outro 25 segundos à frente /
sem importar as posições do solitário em pista /
- piloto em solitude no autódromo /
e solidão na alma que acelera a Yamaha /
ganhando força no motor Otto /
ciclo Otto do motor /
roncando no torque da motocicleta /
do doutor Valentino Rossi /
um ilustre e típico representante da ordem da cavalaria medieval /
( cavaleiros de Malta e templários e hispitalários /
e um cavaleiro de triste figura escanchado desdenhosamente sobre um
rocim fraco /
na aventura quotidia na sob o põe das auroras em forma de rocio /
- claro rocio que gurada a imagem da lua amarela e recordata no papel /
de lua minguante ou quarto crescente /
ou novilúnio ou plenilúnio quando álacre e sorridente no céu negro ) /
- cavaleiro negro foragido de um Apocalipse escrito em rolos de pergaminho /
sob o capacete (antigo elmo do ambulante Dom Quixote de la Mancha ) /
e balaclava dentre outros adereços bélicos /
reminiscência de fato historial /
talhado no pó da armadura do cavaleiro templário medievo /
ainda em pé depois da vasta história e batalhas /
escritas com o sangue no fio da espada /
do monge e guerreiro na cruzada santa /
senhor da guerra do deus Marte /
e da paz do Jesus Cristo clerical medieval /
Cavalgando entre as ruínas da solidão /
ao ruído estridente(?) do motor Otto /
( lá vai o douto Valentino Rossi!) /
longe latitudes e longitudes das pradarias verdejantes /
mas dentro da minha alma na campina /
onde gorjeia o galo-da-campina ( Paroaria dominicana ) /
tribo de ave passariforme cuja família é a Fringilliidae /
na verdade é uma clade da família Passeridae ) /
fico eu cismando e cavando na flor do imaginário /
um espaço amarelo outro azul /
consoante faz a flor com suas pás com substância tiradas ao espectro da luz /
que desce lá do vôo peregrino da arara azul /
para a floração que cultiva o anil sobre o espaço incolor /
assim como fazem as flores com um ancinho /
pás e picaretas da matéria ondulatória da luz /
com as quais cavocam um espaço amarelo ou azul trombeta /
um pouco acima do solo /
cavado em anil meio-pedaço de céu /
ou o amarelo tomado às tintas das borboletas /
adejando na parte do espaço incolor /
movidas pelo tempo /
que não passa de um pedaço ou favo do espaço /
que ganhou energia com um movimento /
um moto remoto ignoto /
da equação algébrica descrevendo o primeiro motor /
ou primeiro movimento /
com motivo em flor anil /
ou amarelo primaveril /
cavando o espaço branco com duas pás do arco-íris /
iris dos olhos adentro /
ladeados no espaço branco do olho /
que cava a cor amarela e anil /
e o movimento no espaço em deslocamento /
que os algebristas chamam tempo ou função na equação literal /
Em solitude no cosmos imenso /
aberto em céus e espaço sideral /
fico assustado quando vejo /
um fantasma entrar /
ou passar rápido pelos meus olhos errantes na esteira de poeira da luz /
( seria um avantesma ou outro ego /
do outro lado deste mundo em que estou /
cravado como pedra no meu ego /
ou o que quer que seja minha subjectividade /
se a há de fato ) /
Sozinho no universo /
olho estrelas esparsas na noite /
e a estrela do dia /
no amarelo do sol em lápis de cor de Juan Miró /
( ai! que me lembro da infância das crianças que amei /
amor hoje assentado no pó do tempo /
que passou na velocidade do motor em equação de calor /
se não fosse o bebê que levo ao colo /
para o amor levantar do pó /
alegrar as ervas floridas no âmago do espaço amarelo ou anil da flor /
que colheu um pouco do céu e da mariposa ) /
ou quiçá de Wassyli Kandinsky /
da santa terra negra da Rússia de floresta negra /
bosque de bétulas /
tundras e mujiques cossacos /
homens do barro da terra de Chagall /
senhor e rei da aldeia russa /
Só na terra /
sei que sou monge /
poeta médico sábio erudito cientista músico artista /
guerreiro empresário imperador romano /
filósofo sou eu /
e mais ninguém /
pois não tem ninguém /
senão fora de mim /
e de quem eu preciso cuidar /
amar profundamente /
para que a ponte da alteridade /
seja construída /
em lugar do que era esquizofrenia /
autismo e psicopatia /
paranóia com megalomania /
Mas sou Robinson Crusoe na ilha /
- insulado no corpo /
e na minha mente /
capaz de absorver o infinito /
e o tempo pelo conceito-esperança da eternidade /
bem como o todo mergulhar no nada /
um mergulhão algo ao modo do Martim-pescador ou dos atobás brancos /
porém incapaz de singrar os sete mares de solidão /
que não acham porto seguro sequer na solitude /
nem tampouco na alteridade /
que se esforça com todo o amor /
com a paixão que toma o ar /
com odores corporais de fêmeas florais /
( imaginai as vaginais!) /
Em solitude no mundo /
somos Robinson Crusoe /
frente às gigantescas instituições /
as megalíticas fundações /
com a mole do edifício voltado contra o ser do homem /
escrito nos hieróglifos da solidão da pedra brutal /
ignorando o homem /
assim como o fazem as leis e estatutos das fundações /
associações, sociedades e outros monstros /
do novo eterno mito /
que põe as instituições como titãs heróicas /
e o indivíduo como uma pobre formiga ou barata-Kafka /
a ser esmagada sem piedade /
sob os pés do colosso de Rhodes /
Sou Robinson crusoé insulado da ilha sul /
usurpado do poder sobre mim /
conquanto jogado na solitude /
duma masmorra de leis na torre do castelo /
com a máscara de ferro pesando sobre o rosto /
grilhões nas mãos e pés /
na umidade do ergástulo /
ou na cela do monge medievo /
arrostando sozinho contra e a favor de todas as regras /
da ordem dos monges negros /
os temíveis beneditinos da Inquisição espanhola /
de triste memória /
com enclave entre terras de lenda negra /
- terra na madeira dos navios-piratas /
bandeira negra da caveira a celebrar a morte alheia /
( a morte sempr é alheia /
algo alienado do ser vivo /
olhando par ao que irá animar a caveira desenhada na bandeira /
tremulando ao vento que sopra seu espírito de ar /
da boca de Deus a encher os pulmões /
- as duas árvores da vida plantadas no corpo humano /
separados pelo coração ) /
Sou Robinson Crusoéumidade /
porque somente sinto o mundo como sinto /
tenho a inteligência do mundo como eu sou /
e sendo faço o ser /
- ser o que eu sou e vejo e faço /
( o ser é meu pensamento e percepções misturados /
na união do sentimento e razão /
Sou um monge medievo longe arrastado do tempo /
por um motor alocado no espaço /
( motor que é o próprio tempo /
sendo o tempo nada mais que uma parte do espaço /
que se movimenta e movendo-se vira tempo /
ou se desdobra na palavra tempo /
que o acolhe em conceito /
esse novo fato natural ) /
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